13 de Janeiro na Soncent: “Nha fidj um mestê d’bo!”

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Por Nelson Faria 

Por ora vive-se dos momentos mais intensos da ilha de São Vicente, com as festividades do final do ano e com a preparação final para o Carnaval 2018. Vive-se igualmente um momento intenso ao nível da ação cívica orientado para a política com a manifestação de 13 de Janeiro agendado pelo Sokols 2017.

Se é verdade que o Mindelense revela-se por alturas das festividades com a sua reconhecida alegria, amabilidade, criatividade e folia, não é menos verdade que cada vez menos suporta o tratamento injusto que tem sido sujeito num arquipélago centralizado, que tem feito definhar e mendigar migalhas pelas demais ilhas habitadas da “periferia”. Ficou demonstrado no 5 de Julho de 2017, Mindelo é também sociedade civil na defesa da ilha e do país.

As razões da manifestação agendada para o dia 13 de Janeiro, creio serem pertinentes e justificadas, dado que desde a data da ultima ação pouco foi feito para debelar estruturalmente os problemas da centralização do país. Se é de louvar algumas ações pontuais e obras cosméticas para simular inicio de descentralização desejada, por outro vê-se que, estruturalmente, pouco ou nada pretende-se fazer, ou foi feito, para que tal sucedesse. Portanto, não colhe os discursos do “Está tudo bem” ou “vamos fazer” que já fizeram transbordar o copo nos últimos quarenta e dois anos. Basta vermos o Orçamento do Estado de 2018, igualmente os dos anos anteriores, onde o valor médio de um mindelense, o menor de todos, nem chega a cinco contos (5.000 escudos), nem uma pensão de reforma mínima, apesar das contribuições da ilha e dos seus cidadão para os recursos de todos.

Este “desprezo” pela ilha e demais habitadas, este discurso de que o país só te uma ilha onde se deve investir e aplicar recursos porque nela já se fez afunilar a maior parte da população nacional merece ser sim questionada, merece sim ser posta em causa pela sociedade civil Mindelense e das demais ilhas consideradas periféricas, para que este país seja  deveras país como um todo e que nela reine o tratamento de todos os cabo-verdianos como iguais independentemente da naturalidade ou ilha que escolheram para viver. Cabo Verde merece ser equilibrado, merece ser justo e o desenvolvimento merece ser harmonizado.

A bela morna já disse: “Soncent insnam oiá luz d’sol”, digo mais, Soncent insnam ser gente; Soncent insam ser Caboverdiano; Soncent insnam ser livre; Soncent insnam ter coragem; Soncent insnam ser determinado; Soncent insnam gostá d’justiça; Soncent insnam a cá ter medo; Soncent insnam c’tud Homem é igual e tem sim direito a sê gota d’agua.

Por isso,  a 13 de Janeiro de 2018, por ser o dia da liberdade e democracia, todos os Mindelenses e demais cabo-verdianos que não se revêm neste país centralizado, devem juntar-se, mais uma vez, ao Sokols 2017 e correr pela liberdade, marchar pela democracia e festejar a cidadania ativa.

É o momento da sociedade civil não esmorecer e continuar uma postura ativa, apartidária, cívica e ordeira em prol de objectivos comuns que dizem respeito ao todo.

É tempo de nos unirmos porque Soncent dzê: “Nha fidj um mestê d’bo”. Se a ilha já me deu tanto, já me ensinou tanto porque não acudir ao seu chamado? Bora lá, 13 de Janeiro, pela liberdade, pela democracia, pela cidadania, pela justiça, pelo equilíbrio, pela harmonia, por Cabo Verde!

 

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