ALAIM celebra aniversário com Over12, homenagem e Sara Tavares em concerto

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A Academia Livre de Artes Integradas do Mindelo (ALAIM) celebra nos próximos dias 21 e 22 de Janeiro o seu segundo aniversário, com um vasto programa intitulado Over12. Um dos pontos altos será uma homenagem ao mestre Mick Lima, com atribuição do seu nome à sala da música da academia. A directora, Janaína Branco, destaca ainda a presença da madrinha da ALAIM, Sara Tavares.

Serão dois dias intensos com 12 horas de oferta cultural No-Stop para concretizar o lema “Sonho em movimento”. Para isso, o Over12 terá pintura de azulejos com alunos da ALAIM, literatura com apresentação do número zero da revista Sénika, oficinas, danças com António Tavares, Bety e Street Breackeres, concerto com Sara Tavares interpretando músicas do seu último álbum e outras vozes femininas de São Vicente. Haverá ainda teatro com a peça “Quotidiano” do Grupo Teatro do Centro Cultural Português do Mindelo e momento de cinema com o filme “O Grande Ditador de Charlot” e a festa “Pé na Txon” com o DJ Letra.

Um programa feito à medida do ALAIM, que nasceu para ser um espaço de formação artística informal, para todas as idades e nas mais diversas áreas. Isso para além de servir de espaço para ensaios de dança, música e teatro, segundo Janaína Branco. “Posso afirmar que, com a qualidade sempre presente na academia desde a sua abertura, tanto estrutural quanto profissional, temos sentido o impacto em termos de retornos, seja de artistas seja da comunidade”, diz a directora, que celebra o facto de as pessoas entrarem no espaço e acontecer, de imediato, um encantamento e uma vontade imediata para fazer parte da ALAIM.

Mas os impactos desta academia não ficam apenas “entre portas”. De acordo com Janaína, começam a sentir a sua importância a nível internacional, com muitos amigos a pedir para realizar projectos em Cabo Verde, com a ALAIM. “Estamos de portas abertas e disponíveis para tudo que seja artístico. Sendo assim, é relativamente fácil manter a variedade, já que estamos sempre a receber propostas para a realização de actividades nas nossas instalações, que podem ir desde um concerto de um jovem artista, um desfile de moda, até à gravação de um vídeo clip.”

Reinventar

Para manter toda essa dinâmica, a directora da ALAIM explica que buscam contacto com as pessoas e artistas, mas também tentam reinventar em cada feedback, tentando a cada dia, fazer que a Academia seja um espaço agradável e com uma programação que agrade a todos. O mais extraordinário, afirma Janaína, é que a ALAIM não tem um financiamento fixo. Por isso mesmo, cada actividade/evento tem a sua própria produção. “Para o funcionamento diário contamos com a contribuição dos alunos, os que podem pagar, ou das actividades realizadas em que uma parte da contribuição fica para a gestão. Contamos ainda com ajuda de admiradores e amigos, os verdadeiros baluartes da nossa existência”, explica.

Para além destes, a ALAIM aguenta-se graças a projectos realizados em parceria com instituições que, por um lado, aproveitam todo o potencial das instalações, por outro, ajudam a conquistar alguma estabilidade financeira, caso por exemplo do Bolsa de Acesso a Cultura(BA).Trata-se de um projecto financiado pelo Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas (MCIC), que iniciou em Setembro do ano findo e envolve mais de 50 crianças. Janaína Branco destaca ainda um programa de formações, que inicia agora em parceria com a Embaixada dos Estados Unidos da América em Cabo Verde.

Este facto leva a directora desta academia a fazer um balanço positivo dos dois anos de existência da ALAIM. “Neste dois anos ou 730 dias vivemos este espaço. Cada vez que repetimos isso, vemos os números que atingimos em tão pouco tempo. Ficamos mesmo de boca aberta. São cerca de 200 alunos com idades que variam desde os 5 até mais de 50 anos. São ministradas na ALAIM 54 horas de formação artística por semana e uma média de 120 actividades públicas por ano. O espaço é utilizado durante 32 horas por semana, para ensaios de grupos de teatro e dança, envolvendo uma média de cerca de 90 artistas e performances”, exemplifica.

Tudo isso, a cargo de 20 artistas e pedagogos que ministram formações para várias oficinas, o que atesta as dificuldades e lutas diárias para continuar a acreditar no projecto. No entanto, os números, diz Janaína, falam por si e justificam o lema de sempre “ALAIM, um sonho em movimento”. Afinal, lembra que a ALAIM não foi pensada para ser uma sala de espectáculos, mas sim um espaço de formação artística. É é nesse quadro que destaca a oficina feita com o mestre japonês Tadashi Endo,durante o festival Mindelact.

Constânça de Pina

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