Caty preparada para estreia no campeonato futebol feminino da Islândia

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A atleta mindelense Catarina Lima faz a sua estreia este mês no campeonato islandês de futebol feminino com duas metas em mente: ajudar a equipa de Haukar a manter-se na primeira divisão e chamar a atenção dos olheiros dos principais clubes da Islândia com a sua performance. Contratada por duas épocas, Caty mostra-se confiante e determinada a fazer um excelente campeonato. Por arrastamento espera impressionar um dos principais emblemas do futebol feminino desse país nórdico.

Haukar, que saltou agora para a primeira divisão, começa o campeonato a enfrentar a formação do Stjarnan, nada menos que a campeã em título. A partida está marcada para o dia 27 de Abril, data que ficará cravada na carreira profissional da atleta cabo-verdiana nesse país europeu. “Vou jogar na defesa e sinto-me preparada, apesar de gostar mais de atacar”, revela a futebolista, que foi descoberta “por acaso” pelo técnico do Haukar, clube onde milita outro atleta mindelense, neste caso o atacante Fufura.

Como conta, estava a passear por uma zona montanhosa quando o treinador reparou no seu porte atlético e perguntou-lhe se gostaria de fazer um teste. Para espanto e sorte do islandês, Caty é uma apaixonada do futebol, modalidade que começou a aprender em S. Vicente, na Academia Carlos Alhinho. E não demorou muito para o treinador ver a qualidade dessa jogadora, que iniciou a sua relação com a bola aos cinco anos de idade.

“Um dia fui com o meu melhor amigo para a Academia Carlos Alhinho e deixaram-me jogar. Marquei três golos e senti-me uma verdadeira campeã. Inscrevi-me logo na escola”, recorda esta jovem de 18 anos, que foi a única menina entre os rapazes nos seis anos que passou nesse centro fundado pelo malogrado internacional cabo-verdiano – Carlos Alhinho.

“Acho que herdei a paixão pelo futebol da minha família. Costumava ouvir os meus tios a ‘discutir’ sobre os jogos e isso criou em mim uma certa curiosidade e ligação com a modalidade. Hoje não posso viver sem chutar a bola”, confessa esta mindelense. Isso tanto é verdade que continuou a jogar futebol nos Estados Unidos da América, para onde emigrou aos doze anos de idade. “Mas tive que ficar um ano parado porque, como estava num rápido processo de crescimento, sentia dores nos joelhos. Só aos 13 anos é que pude integrar-me num clube”, revela Caty, que assinou pelo Hunter’s Creek Soccer Club.

Foi nesta equipa que jogou pela primeira vez apenas com mulheres. “Algo estranho. Costumava jogar com rapazes e senti logo a diferença. Elas tinham menos genica e técnica que os meninos com os quais jogava. Além disso, o jogo é mais lento, enfim, meio aborrecido”, conta a futebolista, que rapidamente se integrou no clube e se destacou enquanto atacante.

Quatro anos mais tarde, uma nova guinada na vida. Cay “troca” os Estados Unidos pela Islândia, uma ilha vulcânica situada no Atlântico Norte e habitada por 320 mil habitantes. Pouco tempo após desembarcar conseguiu assinar o seu primeiro contrato profissional pelo clube Haukar. No próximo dia 27 de Abril faz a sua estreia nesse campeonato. A sua meta é ajudar a equipa a continuar na primeira Liga e despertar a cobiça de um dos grandes nomes do futebol feminino islandês.

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