CCB junta ministro e empresários em “Ceia de Negócios”: S. Vicente vai liderar inovação em turismo, economia maritima e tecnologia

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O Governo pretende despoletar um conjunto de investimentos privados no início do próximo ano em S. Vicente que, segundo o ministro Olavo Correia, vai catapultar a ilha enquanto líder da nova visão estratégica para as áreas da economia marítima, turismo e inovação tecnológica. Segundo o futuro vice-Primeiro ministro, um “grande” banco internacional vai disponibilizar 500 milhões de euros a Cabo Verde e, deste bolo, 100 milhões de euros serão destinados a investimentos na chamada ilha do Porto Grande.

“Em Fevereiro vamos começar a assinar acordos com grandes parceiros para efectivar os financiamentos de projectos identificados em parceria com a Câmara do Comércio de Barlavento e estou certo que vamos atingir os nossos objectivos”, frisou Correia. Para o governante, basta colocar de pé três ou quatro grandes projectos para S. Vicente dar um salto gigantesco e voltar a ter o merecido destaque no contexto nacional. “Não tenho dúvidas disso”, sublinhou o responsável das Finanças ontem à noite, durante a “Ceia de Negócios”, um cocktail com a classe empresarial mindelense organizado pela Câmara do Comércio de Barlavento (CCB).

Na perspectiva de Olavo Correia, a terra do Monte Cara tem todas as condições e potencialidades para comandar o processo de transformação do status quo estabelecido em Cabo Verde desde a Independência e que potencia a centralidade do Estado em todas as iniciativas e investimentos. O plano do Executivo será, conforme Correia, dar uma reevância acrescida ao sector privado. E, na sua visão, Mindelo pode assumir a liderança desse novo enquadramento delineado pelo Governo em três grandes pilares: economia marítima, turismo e tecnologia.

No sector do turismo, o Governo perspectiva algo diferente das apostas feitas nas ilhas do Sal e da Boa Vista, que se resumem basicamente à oferta de sol e praia. Na verdade, como revela Correia, o Governo considera que S. Vicente pode oferecer produtos de valor acrescentado nos domínios do turismo cultural, de cidade e organização de eventos. E, partindo da lógica de que “onde a cultura é pujante reina a criatividade”, o Executivo está ciente da capacidade da ilha de S. Vicente em potenciar a inovação tecnológica, como, aliás, Olavo Correia pôde constactar nas visitas efectuadas a algumas empresas locais. No tocante à economia marítima, a intervenção não se limita à construção de portos, mas sim associar essa vertente à prestação de serviços de qualidade aos operadores. E, segundo Olavo Correia, está provado que há quadros qualificados em S. Vicente, tanto no sector privado como na administração pública.

Esse plano parece acasalar-se claramente com a decisão de Ulisses Correia e Silva de instalar o ministério da Economia Marítima na cidade do Mindelo a partir de 2018, uma medida inédita e histórica e que poderá ser indício de uma vontade política de descentralização. Aliás, durante a sua intervenção, o ministro Olavo Correia criticou a tendência de centralização de poderes na cidade da Praia, uma prática que provocou o despovoamento de várias ilhas, como ele próprio provou com dados estatísticos. Além do mais, o governante fez questão de salientar o quanto tem sido difícil para o ministério que tutela trabalhar à distância com as outras regiões do país. “Sei das dificuldades que o Director-Geral das Finanças enfrenta. Esse sistema não funciona!”

Defensor da descentralização de poderes, Olavo Correia anunciou que será criada em cada ilha uma Sociedade de Desenvolvimento Regional, medida que não está directamente relacionada com a questão da Regionalização. Essa entidade – que irá albergar as Câmaras, os privados e outros parceiros – terá por função promover as potencialidades da respectiva ilha e procurar soluções práticas para a resolução dos problemas locais.

“Dispomos de 35 programas suportados em três grandes pilares e um orçamento à volta de 400 milhões de contos para o efeito, mas que será suportado pelo privado. E aqui reside o papel do Governo, que não irá agir no sentido de endividar ainda mais o país, mas liderar para mobilizar vontades nacionais e investimento estrangeiro e concretizar o conceito de país plataforma”, salientou Olavo Correia, para quem o conceito de Estado investidor tem de ser descontinuado, até porque a ideia da ajuda pública está a cair em desuso.

Criar 4000 empregos em S. Vicente

A pretensão do Executivo é alcançar um crescimento mínimo de sete por cento da economia nos próximo anos. Como reconhece o citado ministro, a meta é exigente, mas não impossível, desde que todos estejam cientes do seu papel. E foi com esse propósito em mente que Olavo Correia apresentou as suas ideias. Ele que reconheceu logo à partida que a sua pretensão é vender um sonho aos empresários e restantes actores sociais do país. Essa visão está explanada no Programa de Desenvolvimento Sustentável (PEDS) e que preconiza, em termos numéricos, atingir a referida meta de crescimento económico, reduzir a taxa de incidência da pobreza para um dígito, melhorar o Índice de Desenvolvimento Humano…

No tocante à ilha de S. Vicente, o PEDS prevê a criação de 4000 postos de trabalho, baixar o desemprego na camada jovem de 43 para 21 por cento, reduzir a pobreza em 5% e aumentar o rendimento per capita de 6900 dólares para 9000 dólares até 2021.

A “Ceia de Negócios” teve o ensejo de reunir o responsável das Finanças com empresários da região Norte do arquipélago, em particular sócios da Câmara de Comércio de Barlavento. A reunião foi acompanhada por videoconferência pelos empresários residentes na ilha do Sal e inaugurou o arranque de um projecto da CCB que, segundo Belarmino Lucas, visa aproximar a instituição dos associados das ilhas de Santo Antão, Sal, S. Nicolau e Boa Vista.

“A ideia é ligar as delegações para que possam estar mais a par das nossas actividades”, reforçou o responsável da CCB. Conforme Lucas, a ceia de negócios decorreu em simultâneo nas ilhas do Norte e a iniciativa visa criar um espaço de diálogo entre os empresários na quadra natalícia, um momento que marca o fim do ano, possibilita uma retrospectiva e abre espaço às perspectivas de um novo ciclo.

Kim-Zé Brito

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2 COMENTÁRIOS

  1. … á ultima viagem De promessas em Sao Vicente e Sao Nicolau terminou com lancamento dá primeira Pedra em varios pontos dá Rep. De Sao Tiago.
    Ca bzot durmi Ptinzim .

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