Chefs mostram arte no preparo da Cavala no Mindelo

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Seis chefes de cozinha reconhecidos, sendo dois cabo-verdianos, dois chineses, um americano e uma portuguesa, mostraram na noite de ontem a arte no preparo da cavala num “show cooking” para convidados, na maioria patrocinadores, mas também autoridades  locais e nacionais e instituições do Estado sediadas na ilha de São Vicente, no quadro da 5ª edição do Kavala Fresk Feastival, que acontece este sábado, 08 de Julho, no Mindelo.

A dupla de chefs mindelenses Lamine Medina e Micau Tavares mostrou-se satisfeito por participar neste evento, uma das novidades do festival. “Trouxemos três pratos da nossa autoria. Como entrada apresentamos uma tosta de pão de batata-doce, salada de abacate, ovas e lombo de cavala, rúcula e um segredo nosso, que não vamos divulgar. O prato principal é um prato de cachupa desmontado. Leva um puré, bacon desidratado, lombo de cavala e caldo de cachupa”, explica Lamine Medina, realçando que estes pratos foram pensados especialmente para este “show cooking”.

Para se chegar ao resultado apresentado e que foi elogiado pelos presentes, estes dois chefs dizem que tiveram de preparar e testar vários ingredientes. “Foi por tentativa e erro. Fizemos várias experiências. Acreditamos que o resultado apresentado representa a cachupa, mas também representa São Vicente e Cabo Verde. É a cara da cavala”, afirma.

Para Micau Tavares, a importância de participar deste festival, um dos que mais cresce no país, é indiscutível. Diz que a inspiração para preparar os pratos vêm daquilo que existe localmente. “Eu e o Lamine fizemos um brainstorming, trocamos muitas ideias sobre o que fazer. Foi muito bom. Fomos nos complementando. Parecia que estávamos a escrever uma música. E, no final, chegamos aos pratos que aqui apresentamos. Estamos satisfeitos. Encontramos tudo aqui no país. Basta sermos criativos para conseguirmos”.

Micau e Lamine destacam ainda a importância desta partilha de experiência com os chefs internacionais caso, por exemplo, da China, que é medalha de ouro mundial em termos de culinária. “É muito bom trabalhar com estes chefs, que são conceituados, principalmente com os chineses, que vêm de um território vasto onde fazem muitas coisas boas em termos de culinária. Partilhar a mesma cozinha com estes chefs é o máximo”, acrescentam.

No entanto, apesar desta importância que a cavala vem ganhando, ainda é um prato pouco solicitado nos restaurantes, sobretudo, porque esta escasseia no mercado e acabam por ficar com receito de a colocar nos menus. “Hoje a cavala está a transformar-se numa espécie rara. Quando aparece, compramos um quilo por 500 a 700 escudos. É um peixe caríssimo. Mas não é por isso que é pouco utilizado. Penso que é sobretudo devido a sua irregularidade. É uma forma de evitarmos dizer aos clientes que não há cavala. No entanto, sempre que encontramos cavala no mercado, podemos fazer um prato para agradar”.

E ideias não faltam para preparar a cavala, de acordo com estes dois chefs, que garantem existirem várias possibilidades e sempre surpreendentes. “A cavala pode ser feita no forno, grelhada, com aromatizantes, em forma de salada, desossada, filetada, de entre outros. Estamos a falar de um peixe rico Ideias para confeccionar pratos de cavala são infinitas”.

Constânça de Pina

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