Cidadão pede intervenção de “Sokols” para evitar “destruição” do ex-Consulado inglês

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O cidadão Maurino delgado endereçou uma carta-apelo ao Movimento Sokos solicitando a sua intervenção para evitar a perda de mais um património histórico de São Vicente, no caso do edifício do ex-Consulado inglês, por decisão da Câmara Municipal. É que, segundo este mindelense atento, vai ser destruído dentro de dias.

Maurino Delgado diz que, pelo seu significado histórico e porque é um dos mais simbólicos edifícios da ilha, o Movimento Sokols pode chamar a atenção dos Poderes Públicos para os problemas de desenvolvimento de São Vicente. “Acredito que o Sokols não irá deixar passar despercebido esse facto, que vai contra as melhores práticas do desenvolvimento deste município”, escreve, realçando que, infelizmente, a CMSV deliberou, à revelia da lei e dos interesses da ilha, ceder o espaço para se construir um hotel. “Trata-se de um espaço nobre, com uma vista espetacular sobre a Baía do Porto Grande”, acrescenta.

Para este munícipe, São Vicente está a cometer um grave erro estratégico de desenvolvimento ao destruir o seu património histórico, com consequências irreversíveis. “A CMSV tinha e tem possibilidade de restaurar esse edifício, mantendo o seu valor histórico como força identitária do povo cabo-verdiano”, defende Delgado, para quem ao construir um hotel nesse espaço, o lugar perde o seu valor histórico e deixa de ser público. “Passa a ser privado e deixa de ser um ponto de atracção turístico. Como está, mesmo em ruinas, é um ponto de atracção turística”, argumenta.

Este mindelense vai ainda mais longe e afirma que, quem conhece a importância do património histórico na vida das nações, sabe que a Câmara Municipal tomou a pior decisão. Prejudicou os interesses de São Vicente e comprometeu toda a importante indústria do turismo à volta do património histórico. Mas Maurino Delgado acredito que o povo tem força para colocar um “ponto final” nesta sanha de destruição do património histórico. “O Movimento pode fazer isso. Senão, por esse andar, todo o património histórico vai ser destruído, incluindo o Centro Histórico do Mindelo”, avisa, citando como exemplo de intervenções perniciosas o Fortim d´El Rei, o Miradouro Craveiro Lopes, a Cada do Dr Adriano Duarte Silva. E os próximos alvos: Madeiral e Pracinha Dra Francisca.

Lembra que, por altura da construção da Delegacia de Saúde, houve um forte movimento da sociedade civil no sentido de evitar a destruição da Casa do Dr. Adriano e relata um apelo de um guia-turístico: “não deixem destruir o património histórico senão não temos com que mostrar aos turistas”, o que prova a importância da defesa do património histórico, que dá que ganhar aos guias, hotéis, residenciais, restaurantes, empresas de transporte, agências de viagens, lojas de souvenir, entre outros.

Mas, o mais grave, de acordo com Maurino, é que a Câmara Municipal não tem poder para vender o património histórico, com base no artigo 79º alínea c) da Constituição da República, que diz que compete ao Estado promover a salvaguarda e a valorização do património cultural, histórico e arquitetónico. Na mesma linha, o Estatuto dos Municípios, no seu artigo n. 36, alínea c) diz que compete aos municípios a protecção e a conservação do património cultural, natural e artístico de interesse municipal.

Em 1870 já era Consulado Inglês. Acolheu a JAPA – Junta Autónoma dos Portos de Cabo Verde, que funcionou durante muitos anos neste edifício e a Cooperativa Resistência, que mais tarde mudou para o Centro Nacional de Artesanato. Foi neste espaço que nasceu a Oficina de Cerâmica do ceramista Tito que morreu, mas a sua obra continua. Neste momento sete pessoas trabalham neste centro de cerâmica.

Constânça de Pina

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