Cirurgiões italianos recuperam visão a 310 pacientes com catarata no HBS

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Foi um sucesso a missão cirúrgica no campo da oftalmologia realizada no Hospital Baptista de Sousa (HBS), promovida pela Associação Kriol-Ità, em parceria com a Ong italiana Falcinelli, de onde provém toda a equipa médica. Pacientes com cegueira total recuperaram a visão, segundo a presidente desta associação, Maria Silva, que destaca a realização de um total de 310 cirurgias entre os dias 27 de Dezembro e 07 de Janeiro de 2018. Foi ainda ministrada formação para jovens da UniMindelo que frequentam o curso de Ortóptica.

“Trouxemos uma equipa formada por dois cirurgiões, um anestesista, dois técnicos, instrumentistas e três voluntários. Trabalharam de forma intensiva. Houve uma dedicação total porque a nossa intensão era operar o máximo de pessoas possível porque a lista de espera do HBS era extensa. Conseguimos fazer mais de 300 cirurgias, o que para nós é um grande sucesso, até porque encontramos alguma dificuldade de percurso a nível técnico, e também pelo tipo de catara que encontramos”, diz Maria Silva, no balanço desta missão feita hoje à imprensa no Mindelo.

De acordo com a presidente da Kriol-Ità, foram operadas pessoas que há muito tempo viviam com catarata bilateral e, por isso, eram casos difíceis. Entretanto, o cansaço foi compensado pelas manifestações de alegria que receberam dos pacientes. “Como associação promotora desta missão, isso deu-nos muita alegria”, comemora, aproveitando para agradecer a equipa do Serviço de Oftalmologia do HBS, que fez todo o trabalho preparatório e contribuiu grandemente para o sucesso desta missão.

“Vamos regressar a Cabo Verde, queremos ajudar a melhorar o serviço de Oftalmologia do hospital de S. Vicente, junto com a Ong Falcinelli. Já identificamos algumas limitações. Sempre que o hospital permitir, esta equipa está disposta a retornar para dar continuidade às cirurgias. Enquanto associação, vamos trabalhar neste sentido. Temos um protocolo com o HBS em que nos comprometemos a trazer, com certa regularidade, especialistas, conforme solicitação do hospital. Estamos empenhados em respeitar este protocolo”, promete Silva.

Igual satisfação mostrou o presidente da Ong Falcinelli, o cirurgião principal que chefiou a equipa, que fez uma média de 40 cirurgias por dia no HBS. Na sua intervenção, Vicenzo Petitti agradeceu a Associação Kriol-Ità e a Ong Falcinelli pela oportunidade, o pessoal do hospital pela disponibilidade e simpatia e do Bloco Operatório, sem o qual não seria possível esta missão. A nível profissional, segundo este especialista, foi um aprendizado. “Levamos para casa, como resultado desta missão, a execução de 300 cirurgias de cataratas complicadas. Para nós, representa um sucesso e uma experiência profissional enorme, sobretudo pelas dificuldades que encontramos. Esperamos ter oportunidade de regressar mais vezes”, frisou.

Do lado do HBS, a responsável pelos Serviços de Oftalmologia, Karina Mascarenhas, destacou o envolvimento da sua equipa, do hospital, dos voluntários e dos alunos do curso de Ortóptica da Universidade do Mindelo que, segundo ela, abraçaram esta missão e deram o seu máximo. “Não temos palavras para agradecer, mas temos pessoas que saíram a ganhar de uma forma incrível”, indicou, aproveitando para relatar a reação de uma utente que viveu cinco anos com os olhos fechados por causa de catarata bilateral. “Após a cirurgia, estive cerca de duas horas a tentar convencê-la de que já podia abrir os olhos. Foi um processo demorado, mas quando conseguiu a primeira coisa que ela me disse é: ‘você é branca’. Ela agora vai se adaptar porque viveu na cegueira, na escuridão total e voltou a enxergar. Isso não tem preço”, diz com voz embargada pela emoção.

Karina Mascarenhas lamentou, por isso, o facto de vários pacientes que constavam da lista de espera não terem atendido o telefone, pelo que aproveitou para apelar a essas pessoas para procurarem os serviços da Policlínica para actualizarem os seus contactos porque está em perspectiva a realização de uma nova missão já no próximo mês de Março. “Tínhamos seis crianças referenciadas com catarata congénita. Operamos apenas três porque não conseguimos contactar duas de Santo Antão e uma outra ficou doente. Queremos retomar os contactos destas pessoas porque estamos a acertar uma nova missão com a Kriol-Ità e Falcinelli”, assevera.

De acordo com esta médica, algumas doenças oftalmológicas são provocadas pelo Sol, que proporciona o surgimento da catarata precoce. Mas há também casos de cataratas traumáticas e congénitas. Outro factor potenciador da doença é a idade de sobrevida da população que está a aumentar, o que contribui para o surgimento de mais casos de catarata. “O HBS tem uma equipa que, dentro das suas possibilidades, tem feito algumas cirurgias. Mas falta-nos recursos humanos e material. Agradeço por isso a esta equipa que nos trouxe, para além da sua experiência, alguns materiais. Mas também eles levam alguma coisa porque a nossa estirpe de catarata é mais dura. Anatomicamente temos diferença pelo que há uma troca”, frisa a directora do serviço de oftalmologia do HBS.

Constânça de Pina

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2 COMENTÁRIOS

  1. Obrigada de coração a toda a equipa. meu filho foi operado pela equipa e graças a vocês e deus meu filho ja livro de todo e esta muito bem . Obrigada bj

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