Cláudio Miranda: “Amo Cabo Verde, mas São Vicente é especial”

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“Amo Cabo Verde, mas São Vicente é especial”. É com estas palavras que o carnavalesco brasileiro, Cláudio Miranda, descreve a ilha de São Vicente, onde se encontra a preparar o desfile do grupo Vindos do Oriente, numa parceria com o Manú Rasta.

Cláudio Miranda conheceu São Vicente há dois anos, quando passou pela ilha a caminho de São Nicolau onde ia ministrar um workshop de Carnaval. Durante a viagem, Cláudio estava acompanhado de um conterrâneo que ia para a Praia, cidade bastante conhecida em Pernambuco por será capital de Cabo Verde. Por isso ficou reticente quando foi informado que ia fazer escala em São Vicente, lugar que nunca tinha ouvido falar. Mas quando colocou os pés nas terras de Cesária Évora apaixonou-se.Agora afirma que volta a São Vicente por amor a esta ilha, às suas gentes e ao Carnaval.

Sou apaixonado por São Vicente. Foi amor à primeira vista. Eu não conhecia São Vicente nem onde ficava. Mas tive que fazer escala nessa ilha para ir a São Nicolau. Fiquei até chateado porque todo mundo fala de Praia e vinha para São Vicente que não conhecia. Mas foi coisa do destino, ou Deus que fez isso. Quando eu cheguei aqui no aeroporto já senti uma emoção forte. Foi uma coisa mágica. Fui descendo na estrada e vi a cidade comecei a apaixonar-me. E eu disse: meu Deus que lugar é esse? Porque o evento não é aqui”, confessa o Carnavalesco, que se declara “endoidecido” pelo traço arquitectónico do centro histórico de Mindelo.

Agora, de volta a São Vicente, Cláudio Miranda quer dar o seu contributo artístico à ilha que “descobriu” por acaso e que, segundo diz, aprendeu a amar como a sua segunda terra.É que se não tivesse passado por São Vicente talvez não aceitaria o convite do Vindos do Oriente, confessa.

Eu já conhecia e aceitei o convite na hora”. Já tinha conhecido a presidente do grupo Vindos do Oriente, porque de regresso da ilha de São Nicolau fiquei na casa dela para ministrar um whorkshop. Na altura, estava a acontecer o Expomar e todos os hotéis estavam cheios. Conhecer a dona Lili foi mágico, porque foi como se fosse a minha segunda família, no meu segundo país”, diz este carnavales, que apelida Lili Freitas de “ Zica de Cabo Verde” pelas semelhanças com a sambista e dinamizadora do Carnaval da Mangueira, que foi casada com Cartola, renomado cantor, compositor, poeta e violonista brasileiro. Para ele, Lili Freitas é uma das grandes entusiastas do Carnaval mindelense, que merecem ser destacados.

Falando sobre o trabalho que está a fazer com o Vindos do Oriente, Miranda assegura que vai apresentar um projecto que não agride o Carnaval mindelense. Até porque, realça, a festa do Rei Momo do Norte do Brasil e a de Cabo Verde são semelhantes, principalmente pela questão da estrutura, porque ambas têm dificuldade e têm que lutar pelos recursos. “Na minha região também se faz um Carnaval em poucos meses. As dificuldades são similares. Nós já conseguimos superar algumas, vocês já conseguiram superar outras. As gentes do Norte do Brasil e os cabo-verdianos precisam dessa troca porque nós somos muito parecidos em todos os sentidos”, defende o nosso entrevistado, que está radiante por poder trabalhar com uma série de pessoas, desde serralheiros a escultores, que considera maravilhosas. Descobri um país irmão, uma cidade irmã. E São Vicente não se vai ver livre de mim tão cedo. Estou a ter uma troca fantástica sintetiza.

Carina David

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