Contche vai pedir impugnação das eleições na FCF por “irregularidades graves”

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Manuel “Contche” Conceição, pré-candidato à presidência da Federação Cabo-verdiana de Futebol (FCF), vai tentar impugnar as eleições do dia 28 de Outubro e solicitar o acompanhamento da FIFA do processo de renovação dos órgãos do organismo que gere o futebol cabo-verdiano. O problema, segundo Contche, é que a organização do processo eleitoral está ferido de ilegalidades grosseiras, violações graves estatutárias e regulamentares.

O ex-bancário afirma que, apesar de estar preparado, não pôde apresentar a sua candidatura por causa da má organização do processo eleitoral por parte da mesa da Comissão, composta por José Semedo, Ariana Rodrigues e Hugo Gomes. Esta equipa, acrescenta o nosso entrevistado, não apresentou nem o Edital nem o Código Eleitoral alterado e aprovado às vésperas das eleições extraordinárias realizadas na Praia, no dia oito de Outubro. “Não apresentei a candidatura porque até agora estou em São Vicente e não recebi nenhum email a informar-me do edital, não vi nada sobre a convocatória publicada no jornal mais lido do país e nem tenho o cronograma e o Código Eleitoral que alteraram às vésperas das eleições. Eu tenho tudo pronto, a lista e a moção estratégica, mas não pude submetê-las porque não tenho nenhum documento que me informe dos procedimentos a seguir”, contesta Contche.

Este diz que a alteração do Código Eleitoral foi feita de forma apressada pelos presidentes das associações de futebol, sem se consultar os pré-candidatos. Tudo com o propósito de criar vício e corrupção no futebol cabo-verdiano. “Houve uma violação clara alterando-o às vésperas das eleições. Éramos cinco candidatos, sendo quatro da Praia e um de São Vicente. Democraticamente estava tudo muito bem feito para dar a oportunidade a todos de serem subscritos e concorrer porque as listas são plurinominais. Fizeram uma limpeza étnica para ficar só dois e Mário Semedo conseguiu açambarcar logo seis subscrições, quando se sabe que a sua gestão na FCF está a ser investigada. Isto é grave”, sustenta Contche. Apesar de reconhecer que as associações têm poder para fazer esta alteração, ele afirma que a mudança aconteceu numa altura imprópria porque já havia um Código Eleitoral feito em 2015. No seu entendimento, a mudança deveria recair sobre os Estatutos, que vem de 2007.

Outra violação, segundo o pré-candidato, foi com a convocatória que, na sua óptica, não respeitou a lei. É que, explica, quando se realizam eleições a convocatória para casos ordinário são feitas quinze dias antes; nos casos extraordinários não pode ser feita em menos de oito dias. “Cumpriram a marcação de quinze dias antes e esqueceram-se dos oito dias. Ou seja, as eleições ficaram para o dia 28 deste mês quando deveriam acontecer no dia cinco de Novembro, dando o prazo que a lei permite, ” elucida ainda.

Contche critica ainda a Comunicação Social pública que, segundo diz, tem dado espaço a Mário Semedo e dois integrantes da sua candidatura, Gerson Melo e Inácio Carvalho, para entrevistas na rádio e na TV em detrimento dos outros candidatos. Neste particular, o pré-candidato denuncia o que chama de postura pouco séria de Gerson Melo enquanto Director-Geral dos Desportos acusando-o de ser cúmplice de Mário Semedo. “O Gerson Melo, menino de de São Vicente e que vota contra a ilha, também está com Mário Semedo. Quando ele era DGD agia também como Director Técnico e recebia como tal. As provas estão na federação e há uma acta de 2016 que comprova isso”, afiança ainda Manuel Conceição, que também a promiscuidade de dirigentes de associações que apesar de não suspendem as funções concorrem na lista para a federação e a ingerência de entidades governamentais, câmaras e entidades públicas que mostram apoio à candidatura de Semedo. “Claramente posicionaram-se contra os outros candidatos e até o Primeiro Ministro recebeu Mário Semedo no seu gabinete. Além disso temos toda a máquina governamental, os vereadores do desporto, outras entidades à volta de Mário Semedo em detrimento dos outros.

O mais grave, segundo Contche, é o facto de Mário Semedo estar a concorrer quando se sabe que decorre uma investigação da Polícia Judiciária sobre a sua gestão na FCF. Por isso o ex-bancário diz que vai pedir a intervenção da FIFA, através do Secretário-Geral, para que esta entidade acompanhe e fiscalize o processo eleitoral na Federação Cabo-Verdiana de Futebol. “Tendo em consideração que há um processo nas mãos da Polícia Judiciária para fazer a investigação de todo o seu mandato, com indícios claros de corrupção, vamos pedir a intervenção da FIFA. Isto está a afectar as outras candidaturas até porque o código deontológico da FIFA proíbe qualquer elemento que está a ser investigado pela justiça de concorrer, principalmente numa instituição que ele estava a gerir.” Em jeito de remate, este este jogador do Mindelense afirma que todo este processo atabalhodo tem o objectivo claro de concentrar a hegemonia do futebol cabo-verdiano na cidade da Praia, fazendo uma razia das competências e potencialidades das ilhas, principalmente da zona de Barlavento.

Carina David

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