Crise na RTC: Jornalista denúncia “censura” na TCV

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Uma suposta censura denunciada pelo jornalista Rui Almeida Santos está a agudizar a crise na TCV, dias depois da anunciada demissão da administradora Sofia Silva devido a incompatibilidades com os demais membros do Conselho de Administração desse órgão. Numa carta enviada aos seus superiores, a que este digital teve acesso, o jornalista, que já foi chefe do departamento de informação da TCV, afirma que uma peça escrita por ele para a rubrica Revista de Imprensa foi retirada do ar e depois censurada, adulterada e cortada.

O jornalista começa por dizer que é jornalista da TCV e que a sua formação profissional leva-o a fazer “jornalismo”. Por isso, no dia 07 deste mês, ao fazer a habitual Revista de Imprensa, integrou a notícia de destaque do jornal electrónico “asemanaonline”, que trazia como título “Crise na RTC: Demissão da administradora e contractos sem concurso”. Como também é prática, prossegue Almeida, o destaque foi enviado à edição do Jornal da Tarde, com a indicação para ser emitido no rodapé.

Entretanto, para seu espanto, o rodapé foi retirado e, mais grave ainda, a peça sobre os destaques dos jornais electrónicos foi censurada, adulterada e cortada a notícia em questão. Facto que o leva a levantar uma série de questões: “De quem foi a responsabilidade de cortar a informação constante na peça? Quais as justificações objectivas e com que base jornalística tal foi feito? Em que momento da peça fugi ou não respeitei os padrões de elaboração da Revista de Imprensa”, pode-se ler na missiva.

As inquietações de Rui Almeida Santos não ficam por aí. Mais adiante, o jornalista pergunta aos seus superiores se há alguma indicação para notícias sobre a RTC não constarem do referido quadro; se não era do agrado da administração da empresa ou da direcção da TCV ou ainda se as notas que lhes convém é que passam na Revista de Imprensa? Tudo isso para concluir que quem fez o “trabalho” (alteração e corte) colocou em causa o seu trabalho e profissionalismo, prejudicando-o de forma grosseira, algo que diz não aceitar de forma alguma.

Santos termina pedindo explicações sobre o que aconteceu. “Se querem levar a TCV para um determinado caminho, o problema é de quem tem esse poder. Mas não aceito interferências e censuras, feitas sem qualquer critério sob a capa de ´linha editorial`, nem a minha pessoa seja ´arrastada` nessa onda de não sei o que se trata, mas que jornalismo não é, de certeza”, salienta, não sem antes advertir que saberá dar seguimento a “esta coisa”, que espera não faça escola na RTC – TCV e no jornalismo cabo-verdiano.

Odair acusado de fazer contratos sem concurso

Esta crise que começou na Praia está a contagiar as delegações. Em São Vicente, os jornalistas acusam o delegado da TCV, Odair Santos, de tentar contratar pessoas de suas relações sem concurso. Citam, em jeito de exemplo, o recrutamento de um condutor e de um jornalista. Entretanto, ao que tudo indica, este processo está em stand-by depois da polémica que resultou na demissão de um dos membros do Conselho de Administração e da carta do jornalista Rui Almeida Santos a denunciar censura e ingerência no seu trabalho. Sobre estas duas questões, o delegado alega que não corresponde a verdade que tenha contratado pessoas sem concurso. No caso do jornalista, diz que se tratou de um estágio profissional não remunerado na TCV. “Estamos abertos para receber jornalistas recém-formados. No caso o jornalista limitou-se a fazer um estágio profissional na TCV. No outro caso, foi contratado em Novembro e era uma necessidade urgente”.

Odair Santos estranha no entanto a atitude dos profissionais da casa até porque não há nada de novo. “Antes de assumir o cargo de delegado, informei a direcção da necessidade de contratar um condutor. Foi então contratado um condutor para trabalhar no período de tarde na RTC. Neste momento temos uma equipa justa”, afirma, não sem antes questionar a postura dos jornalistas de criticar profissionais de outras áreas que mostram interesse em apreender outras tarefas dentro da casa. “Entendo que é uma mais-valia para a empresa”, pontua.

Reacção imediata teve também a administração da RTC, pela voz de Sara Pires, que passou a bola para a direcção da TCV, alegando tratar-se de uma questão de ordem editorial. “Tudo o que o jornalista Rui Almeida Santos expôs são suposições de ordem editorial. Não são, de maneira nenhuma, afirmações. O Conselho de Administração não tem qualquer interferência nas questões editoriais. Por isso mesmo, não vamos responder às perguntas formuladas pelo jornalista. Cabe à direcção da TCV prestar os esclarecimentos sobre o assunto”.

Constânça de Pina

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