Deputados do PAICV: “São Vicente foi mais uma vez esquecida no Orçamento 2018”

375

São Vicente foi mais uma vez esquecida no Orçamento de Estado para o ano de 2018, porque não há dotação de quaisquer investimentos de fundo para a ilha. Esta é a visão dos deputados do PAICV no balanço de visita ao círculo eleitoral. Os eleitos tambarinas afirmam ainda que São Vicente está muito aquém daquilo que foi prometido pelo actual Primeiro-Ministro aquando da sua campanha eleitoral, isto num momento em que se está prestes a aprovar o terceiro dos cinco orçamentos desta legislatura.

Saímos desta visita muito preocupados com os investimentos que não vamos ter no ano de 2018. Gostaríamos de lembra que este Governo vai no próximo mês aprovar o terceiro orçamento dos cinco para esta legislatura. Ou seja, tudo aquilo que foi prometido para esta ilha ao fim da aprovação do terceiro orçamento não terá nenhuma resposta,” critica João do Carmo, que estava na companhia do colega Manuel Inocêncio.

João do Carmo pede por isso ao povo de São Vicente que exija do Governo e do PM aquilo que prometeram para a ilha. Realça o chefe do Governo prometeu que a ilha do Porto Grande teria um lugar de destaque no Orçamento de 2018. No entanto, constata-se que 70 % dos investimentos previstos neste importante instrumento de gestão do país serão canalizados para a ilha de Santiago. “Os deputados eleitos pelo PAICV no círculo eleitoral de São Vicente têm feito o seu trabalho. Temos fiscalizado o Governo e levado as expectativas da população ao Parlamento. Agora, cabe as pessoas saberem que quem está a governar é o MpD e é este partido deve exigir que o Executivo cumpra aquilo que prometeu”, explicou o político.

O deputado mostra-se convicto de que os sãovicentinos saberão avaliar a posição deste governo e do Primeiro-ministro. “Eles é que votaram legitimamente neste Governo, no PM e no PAICV para ser oposição e fiscalizar as acções do Executivo. Os sãovicentinos vão avaliar ao longo desta legislatura e acredito que em 2021 saberão tirar as devidas ilações”, acrescenta.

Recomendações da CCB ignoradas

No que tange à Câmara do Comércio de Barlavento, local que também vistaram, João do Carmo diz que constataram que os pedidos e recomendações sobre aspectos fiscais e ligados à desburocratização feitos por esta entidade em representação do empresariado não constam do OE 2018. E a consequência é mais um ano de burocracia, o que pode afugentar os investidores externos apesar de gostarem do país e de São Vicente.

Questões ligadas ao sector do mar em Cabo Verde também são motivos de preocupação desses eleitos do PAICV. Neste particular cita como exemplo a não regulamentação da Convenção sobre Trabalho Marítimo (MLC), que é uma responsabilidade do ministérios dos transportes, através Agência Marítima e Portuária, que pode comprometer o trabalho de 1300 marítimos que trabalham no exterior e colocar o nosso país na lista negra da IMO, tal como aconteceu na década de 90, denuncia ainda do Carmo.

Ainda no sector marítimo, João do Carmo chama atenção para o facto do laboratório das pescas ainda não estar a funcionar, apesar das recomendações da última auditoria neste sentido, colocando em risco a exportação do pescado nacional para a UE. “Até agora, pelos contactos que fizemos, não se fez nada de concreto para iniciar o funcionamento deste laboratório. Na próxima auditoria, caso esta situação não estiver resolvida, teremos problemas sérios para exportar o nosso pescado”, afirma o deputado, que pede mais atenção para este que é um dos sectores que mais movimenta a economia marítima em Cabo Verde e muito em particular a de São Vicente.

Carina David

(Visited 388 times, 1 visits today)