Dezassete agentes da PSP vão a julgamento acusados de crimes desumanos contra jovens da Cova da Moura

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O Tribunal de Sintra vai levar a julgamento 17 dos 18 agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP) acusados de agressões a jovens da Cova da Moura, bairro onde mora uma vasta comunidade cabo-verdiana, a 5 de Fevereiro de 2015. O julgamento deverá acontecer no próximo ano.

A subcomissária Ana Hipólito ficou afastada do processo por ordem do Tribunal de Instrução Criminal, que aceitou a justificação de que a subcomissária não estava na esquadra de Alfragide, concelho de Amadora, à data dos factos.

Os restantes 17 agentes vão ser julgados pelos crimes de denúncia caluniosa, injúria, ofensa à integridade física e falsidade de testemunho, falsificação de documento, sequestro agravado, tortura e outros tratamentos cruéis, degradantes e desumanos. O Ministério Público (MP) acusa também alguns dos polícias por crimes de “falsificação de relatórios, de autos de notícia e de testemunho, considerando ainda que os agentes agiram com ódio racial, de forma desumana, cruel e tiveram prazer em causar sofrimento. “Se eu mandasse exterminava todos os africanos”, terá dito um deles aos jovens enquanto estavam detidos, de acordo com a acusação.

“A raça africana tem de desaparecer da face da terra” e “deviam ir para o estado islâmico“, terão sido outras frases proferidas, ainda segundo a acusação. O despacho descreve também como um dos arguidos atingiu um dos rapazes com uma shotgun de serviço, que dispara balas de borracha, ao mesmo tempo que dizia “Vão morrer todos, pretos de merda!”.

Em causa está um processo longo que começou com os jovens a serem constituídos arguidos, por alegadamente terem invadido a esquadra de Alfragide para libertarem um amigo que tinha sido detido: Os polícias detiveram cinco deles e alegaram que eles “tentaram invadir” a esquadra. Foram indiciados pelos crimes de resistência e coação contra funcionários, injúria, dano e ofensa à integridade física. Depois de terem sido libertados, 48 horas mais tarde, os jovens queixaram-se de agressões, tortura e discriminação racial.

Após uma prolongada investigação, levada a cabo pela Unidade Nacional Contra Terrorismo da Judiciária, o Ministério Público deu-lhes razão. Concluiu que tinham sido espancados pelos agentes e que estes tiveram colegas de trabalho a fazer tudo o que podiam para os encobrir – incluindo falsificar testemunhos e autos de detenção.

C/ Agências

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