Educação, que visão e consensos?

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Por Nelson Faria

“Se quiser ter prosperidade por um ano, cultive grãos. Por dez, cultive árvores. Mas, para ter sucesso por 100 anos, cultive pessoas.” Confúcio.

Li esta frase repetidas vezes na discussão nas redes sociais sobre a questão em voga e não podia deixar de o referenciar e questionar: Como “cultivar” pessoas? Educação é a resposta.

Estão mais que vistas as limitações de Cabo Verde para cultivar grãos e árvores, bem mais fácil será cultivar pessoas, aliás, o que tem valido o país… Mais importante que os famigerados erros nos manuais será analisar se o sistema educativo que temos tem permitido ou permite projectar o país com conteúdos programáticos enquadrados numa visão e estratégia de desenvolvimento de médio e longo prazo. Isto sim preocupa-me. Preocupa-me que a cada mudança de legislatura, ou mesmo de figura, Ministro(a), haja uma ânsia desenfreada em “mudar tudo”. O ego impera. Dúvidas e cepticismos são naturais.

A visão actual será a que prevalecerá e resistirá à mudança governativa quando vier a acontecer? Será aquela que persistirá a mudança do titular da pasta? Iremos manter o anseio em mostrar serviço em curtos espaços de tempo sem os “maturar”, sem os testar, sem os corrigir? Continuaremos nos erros? Uns mais visíveis e actuais, como por exemplo o dos manuais, ou outros vindouros que põem em causa gerações e o próprio desenvolvimento do país?

Dependendo do alcance, da relevância e dos impactos, existem matérias que, antes de implementadas, devem merecer consensos entre actores políticos, técnicos e a sociedade para seguirem uma estratégia de desenvolvimento do todo, reconhecido por todos. Onde o bem da essência é percepcionado, onde a correcção de eventuais erros de percurso e melhorias são, atempadamente, implementadas. Onde o valor de todos é colocado em prol da causa maior.

A educação é um pilar da nossa vida em sociedade e é a chave de desenvolvimento de qualquer país. Consensos, por onde andam? “A educação é o único caminho para emancipar o homem. Desenvolvimento sem educação é criação de riquezas apenas para alguns privilegiados.”

Há um regozijo em se ter “mudado tudo” na educação em poucos meses. Uma mudança radical, dizem os acólitos. Nada contra a mudança que for boa e corrija erros. Tudo contra a pressa em ostentar serviço, com erros e custos associados, que amanhã podem ter sido em vão… Fica evidente que antes de tão radicais mudanças na educação são necessários consensos, planeamento atempado, maturidade e maturação de novos processos, visão, estratégia de longo prazo, consensual, para que uma nação de conhecimentos e saberes seja cultivada, sem esquecer as bases que nos nortearam. Afinal, nem tudo que foi deixado é mau e nem tudo que será entregue será bom… Importante sim ter uma visão, uma estratégia, um caminho consensual em matérias estruturantes, mormente a educação. Fazer acontecer e implementar será sempre mais difícil e sempre sujeito a erros, porém facilitado se for um desiderato do país.

Caso contrário, como também disse Confúcio, “Quando os médicos diferem, o paciente morre.” Ora, se o objectivo dos “médicos” é o bom tratamento do paciente, porquê mata-lo de pressa, de erros, de falta de visão e de estratégia? Não vislumbrando mudança de atitude nos “médicos”, que o paciente faça a sua parte para não ser morto…

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