Eleição na OAC: César Freitas acusa detratores de tentar intimidar e dividir arquitectos

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O arquitecto Pedro Bettencourt foi proclamado novo Bastonário da Ordem dos Arquitectos de Cabo Verde com a publicação dos resultados definitivos das eleições para o mandato do triénio 2017-2020. A disputa, que provocou uma clara divisão no seio da classe, teve o seu desfecho esta semana com a Mesa da Assembleia-Geral a considerar vencedora a lista única intitulada “Vez e Voz”. Dos 73 votos expressos, a equipa liderada por Pedro Bettencourt obteve 45 favoráveis, 25 contra, dois nulos e um em branco.

Deste modo, Bettencourt substitui no cargo o colega César Freitas, cuja gestão foi no entanto alvo de duras críticas por parte de um grupo liderado pelo arquitecto Cipriano Fernandes, que chegou a acusar a anterior direcção de gestão danosa, além de ter-se mantido ilegalmente no cargo de Bastonário. Os contestatários chegaram ao ponto de lançar uma petição e realizar uma assembleia-geral com o fito de retirar Freitas do poder, cientes de que o seu mandato havia expirado em Junho de 2016.

Porém, para César Freitas, era inaceitável o “desmesurado retrocesso” que se pretendia infligir à OAC com a realização dessa assembleia, que teve como principais pontos de ordem a eleição de uma mesa ad-hoc, confirmar o fim do mandato dos corpos gerentes e assegurar a gestão corrente da Ordem até a posse da nova direcção. “Para infelicidade de muitos, que aguardavam expectantes que os ‘valentes’ promotores da reunião – os arquitectos Cipriano Fernandes, Frederico Hopffer Almada e Aureliano Ramos – mobilizassem todos e intimidassem a actual direcção da OAC, fizemos questão de estar presentes na reunião que os mais incautos pensavam restrita aos subscritores da petição e tivemos a oportunidade de esclarecer aos convidados o porquê da nossa presença, uma vez que os ‘anfitriões’ não foram suficientemente ‘corajosos’ para um confronto frente-a-frente”, comenta César Freitas, para quem os mentores do encontro não lograram alcançar os objectivos pretendidos porque o tão propalado slogan do grupo – que prometia resgatar a ordem na organização – traduziu-se num “grande fracasso”.
Aliás, frisa que, apesar dos vários emails que Fernandes e Hopffer Almada e Ramos enviaram para vários colegas e a comunicação social, abandonaram a sala de reunião sem antes explicar aos próprios convidados a “legalidade” do encontro que convocaram. Todo esse cenário, acrescenta César Freitas, é próprio de quem ainda não tem cultura da democracia, da tolerância e respeito pela diferença.

Em jeito de resposta às críticas que os seus opositores têm-lhe feito nos últimos tempos, o ex-Bastonário da OAC frisa que a Ordem tornou-se numa instituição respeitada em Cabo Verde e além fronteira, porém “muitos” têm preferido escudar-se atrás de emails com “conteúdos intimidatórios, ultrajantes e infantis” com o único propósito de destruir e desmotivar a classe. “Tivemos conhecimento de cerca de 120 emails do arquitecto Fernandes (2011 a 2017) que em nada dignificam a classe, no entanto este colega nunca apresentou nas assembleias-gerais uma única contestação, uma proposta construtiva ou votou contra a adopção de alguma medida”, revela Freitas num comunicado de imprensa enviada à redacção do Mindelinsite.

Com a eleição de um novo Bastonário resta saber como Pedro Bettencourt vai conseguir conciliar as sensibilidades dentro da OAC. É que, para os opositores, houve uma espécie de complô para o sucesso da candidatura “Vez e Voz”, que é vista pelos membros do movimento “Resgate da OAC” como um prolongamento da gestão anterior.

KzB

 

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