Eleições na FCF: Contche denuncia bloqueios e diz que vai recorrer ao Conselho Disciplina da FIFA

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A menos de 24 horas para a eleição do novo presidente da Federação Cabo-verdiana de Futebol (FCF), Manuel “Contche” Conceição diz estar preocupado porque até agora não teve nenhuma resposta da Comissão Eleitoral sobre a sua impugnação do processo. O mais grave, diz este cidadão mindelense que também queria disputar o cargo, já não consegue falar nem com o presidente José António Santos Semedo e nem com o Secretário-Geral Dan Graça, que neste momento gere a FCF. Inconformado com estes “bloqueios deliberados”, Contche pondera enviar ainda hoje uma missiva ao Conselho de Disciplina da FIFA a denunciar esta situação.

tentei telefonar por diversas vezes ao presidente da Comissão Eleitoral, inclusive cheguei a falar com a esposa, que alegou que o marido estava ocupado e retornaria a ligação mais tarde, o que não aconteceu. Também tenho tentado falar com o Secretário-Geral mas sem sucesso. O mais caricato é que antes falava com os dois a qualquer momento. Aliás, telefonei a uma pessoa que estava com o Dan Graça e também não consegui. Há seis dias que tento falar com estes responsáveis”, desabafa Contche, que aproveita para questionar a imparcialidade destas pessoas.

Perante a impossibilidade de chegar à fala com o presidente da Comissão Eleitoral e o Secretário-Geral da FCF, Contche começa a duvidar se o seu pedido de impugnação teve o devido encaminhamento. “Sei que foi enviado à Comissão Eleitoral porque tenho em mãos um email, datado de 16 de Outubro, confirmando isso. Não havia um prazo para esta se pronunciar, mas as eleições são já amanhã e até agora nenhuma resposta”, diz. E a sua preocupação aumenta de tom porquanto, diz, teve acesso a documentos da FIFA que atestam o pagamento de 12 mil francos suíços e ainda mais seis mil francos de multa por utilização do jogador Varela.

“Isso mostra que não houve qualquer equívoco na convocação do jogador para o jogo contra a Tunísia, sem cumprir o castigo por comportamento antidesportivo em relação ao árbitro no encontro com a Guiné Equatorial, ficando imediatamente fora do apuramento para o Mundial de 2014. A sua utilização não foi inconsciente e os documentos provam isso”, critica Contche, que diz ter enviado ainda no início desta semana um outro documento à Mesa da Assembleia Eleitoral, mas foi informado que devia ser encaminhado para outro órgão da Federação.

“Como é que vamos enviar um documento para os órgãos da FCF se todos caíram com a destituição do presidente Victor Osório? Neste momento quem tem competências para decidir é o SG, por força do Estatuto. A Comissão Eleitoral já devia ter suspendido o processo e iniciado um outro, respeitando as regras. O Código Deontológico da FIFA diz que qualquer agente desportivo que estiver a ser investigado – e o Mário Semedo está ser investigado pela Polícia Judiciária por ordem do Ministério Público – não pode concorrer para nenhum cargo electivo.”

O pré-candidato denuncia ainda ingerência política neste processo, uma prática também proibida pela FIFA. Sobre este particular, diz que colegas seus do BCA foram abordados para não apoiarem outras candidaturas que “não sejam do partido”. Diz ainda que as próprias Câmaras Municipais, através dos pelouros do Desporto, deram indicações às associações regionais sobre o candidato a apoiar nestas eleições. “Isto é muito grave”, considera este cidadão.

Constânça de Pina

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