Embaixador do Brasil: “instalar um centro cultural no Mindelo nunca saiu da nossa mente”

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O Brasil “gostaria” de estreitar as suas relações com a cidade do Mindelo, mas, segundo o Embaixador João Carlos Leitão, dificuldades financeiras estão a travar a abertura de um centro cultural na ilha de S. Vicente. “Instalar o nosso centro cultural nesta cidade nunca saiu da nossa cabeça. É uma vontade do passado e do presente, mas a fase actual não é muito favorável para essa iniciativa por causa das restrições orçamentais. A crise económica é geral, mas uma coisa posso garantir: nunca tiramos essa ideia do radar”, garante o diplomata, abordado por Mindelinsite na sequência da inauguração do mural alusivo ao afundamento dos navios brasileiros Acary e Guahyba no Porto Grande a 2 de Novembro de 1917.

O desenho, concebido pelos artistas Robézio Marqs e Teresa Dequinta, retrata esse trágico acontecimento que, conforme o referido embaixador, acabou por reforçar os laços históricos entre Cabo Verde e Brasil. O trabalho, executado numa “tela” gigante na Praça Dom Luís, aconteceu graças ao interesse da Câmara de S. Vicente, que ofereceu o espaço físico, tendo a Embaixada do Brasil convidado por sua vez os artistas. Para o edil Augusto Neves, esse marco é importante porque reforça a identidade cultural mindelense e traduz a própria história, isto é, todo o apoio que a população deu aos marinheiros brasileiros na sequência desse ataque.

“Recordar isso é demonstrar a importância da nossa situação geográfica não só na época da colonização, mas também em todo o trajecto da história da humanidade. São Vicente é uma ilha no meio do Atlântico, dispõe desta bonita baía que deu abrigo à navegação, mas também fortaleceu a nossa identidade cultural. E hoje estamos aqui a assinalar esse dia simbólico, que ficou na memória dos dois povos”, realça Augusto Neves.

Idealizar o conceito expresso no mural não foi tarefa simples para os artistas brasileiros contratados para o efeito. Segundo Robézio, acabaram por centrar a sua mensagem no futuro e não fazer um retrato literal do torpedeamento dos cargueiros Acary e Guahyba pelo submarino alemão U-151, nas águas do Porto Grande. “Para nós, o mais importante era pegar nesse tema e retratar a cooperação entre Cabo Verde e Brasil e até de familiaridade existente, princípios que temos em comum”, frisa Robézio. O trabalho, conforme o autor, ainda não está concluído, aliás, reforça, quase nunca uma tela está pronta para um artista.

Após a inauguração do mural na praça Dom Luís, o Embaixador do Brasil descerrou no Museu do Mar a placa que assinala o centenário do afundamento dos referidos navios brasileiros durante a Primeira Guerra Mundial.

Kim-Zé Brito

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