Erros nos Manuais do 1º e 2º ano: IGAE vai analisar a situação e agir em conformidade

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Os pais e encarregados de educação dos alunos que iniciaram agora o seu percurso escolar estão preocupados com os erros “gravíssimos” nos cadernos experimentais de Matemática do 1º e 2º ano colocados à venda pelo Ministério da Educação. Dizem que os livros vão confundir os seus educandos, e exigem que se cumpre a qualidade prometida, sobretudo no ensino-aprendizagem, que vem sendo anunciada pelas autoridades nacionais. “O Manual é uma aberração. Tem de ser tirado de circulação com urgência”, desabafa um educador. Não foi possível ouvir a Ministra da Educação, Maritza Rosabal. No entanto, a Inspecção Geral das Actividades Económicas (IGAE) promete analisar a situação e agir em conformidade, caso se mostrar necessário.

São erros de palmatória que passaram pela revisão linguística de Adriana Mendonça, curiosamente quadro da Uni-CV, Directora Nacional de Educação, Maria João Bravo e Luís Pereira, e que estão a deixar os pais e encarregados de educação com “cabelos em pé”. Por exemplo, logo de cara “criolizam” o nome do manual, que na frente aparece escrito correctamente, mas no lado está escrito “Matimática”. “Conseguem multiplicar 2×3 e obter um resultado impensável de 12; escrevem palavras em inglês num livro para crianças com 6 e 7 anos que estão a ter o seu primeiro contacto com outro idioma; desenham caranguejo e têm a habilidade de ver lagosta, conseguem ainda decompor cinco mil escudos para números maiores como nove mil ou até onze mil escudos, de entre outras preciosidades nunca antes vistas”, critica um professor do Ensino Básico.

Mas tão grave como os erros é o facto dos professores desconhecerem por completo o conteúdo destes manuais. Foi isso que o Mindelinsite constatou em conversa com vários professores que leccionam o 1º e o 2º ano em São Vicente. “Estão a brincar com coisas sérias. A formação profissional de uma pessoa começa na base. Nós que vamos ensinar os alunos desconhecemos o conteúdo do Manual. Erros desta natureza num caderno experimental é grave. Antes de ser colocado à venda, este deveria ter sido revisado não uma, mas duas ou mais vezes”, afirma esta nossa fonte, realçando que, como está, o caderno desvaloriza o esforço dos professores, que procuram sempre o melhor.

Desde a tarde de Domingo que os erros do manual estão a ser expostos e duramente criticados nas redes sociais devido ao impacto que estes vão ter na vida dos alunos, caso estes não forem corrigidos pelas autoridades competentes, no caso pelo Ministério da Educação. Os mais críticos são Alexandre Tey e Rocca Vera-Cruz, mas também José Fortes Lopes, sendo que este último exige uma tomada de posição urgente da ministra Maritza Rosabal. “Ou a Ministra toma posição e resolva este problema o mais urgente possível, reembolsando todos os pais e encarregados de educação que já compraram o livro da desgraça das nossas crianças, ou ela e a sua Directora Nacional da Educação têm que ser removidas dos cargos. É inadmissível que uma Directora Nacional da Educação faça a coordenação e revisão desta lástima e destruição do futuro das nossas crianças, e o futuro do país”, escreve este cidadão.

Tentamos ouvir a ministra da Educação, Maritza Rosabal, pelos canais normais, ou seja, através da sua secretária e da sua assessoria, mas tal não foi possível. Também ligamos para o seu telemóvel, mas quem atendeu foi outra pessoa, que prometeu fazer a nossa mensagem chegar à tutela. No entanto, até à publicação desta notícia não tivemos qualquer reacção. Já a IGAE, abordada por Mindelinsite, prometeu analisar a situação e agir em conformidade, inclusive porque já foram accionados por pais e encarregados de Educação, preocupados com o conteúdo do manual.

Constânça de Pina

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