Governo pede “positividade” na abertura da URDI e manda recados aos “conservadores”

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O Primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, e o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, alinharam os discursos na abertura da 2ª edição da URDI-Feira do Artesanato e Design de Cabo Verde, que acontece em S. Vicente. Ambos pediram uma atitude “positiva”, rejeitaram os discursos “negativistas e para baixo” que entendem que se quer passar e mandaram recados aos “conservadores”. “Não vamos deixar os conservadores impedirem que Mindelo tenha uma grande obra”, disse Abraão Vicente, referindo-se ao projecto de reabilitação do CNAD, que deverá arrancar no próximo ano. Coube à vereadora Lídia Lima, em representação da CMSV, felicitar as autoridades por esta iniciativa, da qual a Câmara é parceira, e destacar os vários eventos culturais que ao longo do ano dinamizam a economia desta ilha e de Cabo Verde.

A abertura da feira começou com a entrega de medalhas aos artistas Bela Duarte – representado pelo marido Augusto Duarte -, Luísa Queiroz (a título póstumo), Manuel Figueira e Joana Pinto, e ainda ao músico Voginha. No seu discurso, o Chefe do Governo homenageou estes artistas cabo-verdianos pelo seu contributo para o desenvolvimento das artes. “Tomamos a decisão de, no dia Nacional da Cultura, 18 de Outubro passado, homenagear um conjunto de mulheres e homens cabo-verdianos, que se dedicaram e dedicam à arte e à cultura. Fizemos uma primeira cerimónia na Praia e outra em Portugal. Hoje, em São Vicente, aproveitamos para homenagear estes homens e mulheres que, com o seu contributo, fazem este país ser Cabo Verde. Isto porque, a cultura, em primeiro lugar, representa a nossa identidade, naquilo que é inimitável. É nosso. Nos identifica e nos faz diferente e igual em relação ao resto do mundo”, afirmou.

Ulisses Correia e Silva elencou os vários eventos culturais que acontecem em São Vicente, designadamente Mindelact, Kavala Fresk, etc, festivais que, a seu ver, demonstram que a cidade do Mindelo é vibrante em arte e cultura. Nesta linha, aproveitou para anunciar alguns projectos que considera serem fundamentais para que esta cidade seja também empreendedora em tecnologia, ciência e inovação. “Uma cidade empreendedora precisa de investimento na economia. Determinamos a poucos dias, no debate do Orçamento do Estado, que o investimento público é para abrir caminho ao investimento privado na indústria, no turismo, no comércio, mas também na cultura e nas artes. Quem faz o desenvolvimento de um país é o privado. O Estado deve criar as condições e um ambiente favorável para que os cidadãos, as famílias, as empresas, os investidores, os homens da cultura façam acontecer. E este o nosso papel”, assevera.

“Vibe positivo”

Já o ministro da Cultura, na qualidade de entidade patrocinadora da URDI, optou por atirar farpas. Segundo Abraão Vicente, Mindelo tem um “vibe positivo” e a sua realidade nada tem a ver com o discurso muitas vezes negativista, de “botar” para baixo que muita gente quer passar. “Quem ouviu a representante da Câmara Municipal de São Vicente a elencar o número e a qualidade de eventos culturais que acontecem durante um ano aqui não se pode dizer que estamos numa ilha deprimida, fora do contexto nacional, numa ilha onde nada acontece”, afirmou, referindo-se concretamente ao discurso da vereadora Lídia Lima, que destacou os vários acontecimentos culturais da ilha.

Para a tutela, está-se no início de uma nova largada, que teve como base tudo o que aconteceu no passado, daí a homenagem aos fundadores do Centro Nacional de Artesanato – Manuel Figueira, Luísa Queiroz, Bela Duarte e Joana Pinto – e a escolha do lema “Tradição na contemporaneidade, contemporaneidade na tradição”. “Mindelo tem de ser as portas abertas de Cabo Verde. Não podemos a continuar a deixar que o discurso de fechar Mindelo faça escola. É a partir do Mindelo que queremos projectar o novo Cabo Verde. É por isso que aqui vai nascer um novo projecto do CNAD, que espero que a cidade abrace. Será um centro de olhos para o futuro. Não vamos deixar os conservadores impedirem que Mindelo tenha esta grande obra”, pontua. Ele que aproveitou o momento para destacar o “novo engajamento” do Governo e da Câmara, exemplificando com as parcerias para a realização do URDI e do Carnaval 2018.

Cingindo-se à URDI, o director do CNAD explicou que este é um projecto de médio e longo prazo em construção. Segundo Irlando Ferreira, na primeira edição desenhou-se o plano de acção com uma baliza temporal de três anos. “Estamos a trabalhar na reabilitação do sector tendo em conta as suas diferentes dimensões: certificação, formação da classe artesã, a promoção e comercialização do artesanato nacional. Este projecto baseia-se sobretudo na criação de condições para o desenvolvimento do artesanato cabo-verdiano”, informa, realçando que estão a trabalhar em paralelo a consolidação do estatuto, a criação das condições humanas e financeiras, pois desta forma é possível alavancar o desenvolvimento do sector. Para já, Irlando Ferreira acredita que a requalificação arquitectónica do centro prevista para 2018 vai permitir dar um grande passo para a consolidação do CNAD.

Constânça de Pina

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