Guiné-Bissau: Polícia volta a proibir manifestação de cidadãos inconformados

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A polícia da Guiné-Bissau voltou a impedir este Sábado a manifestação do movimento de cidadãos inconformados com a crise política, dispersando à força os jovens, tal como aconteceu no dia 08 de Julho, disse o porta-voz do grupo Sumaila Djalo. Apesar de destacar que se tratava de um protesto pacífico, segundo Sumaila, a polícia alegou que o acto não tinha sido autorizado pelo Ministério do Interior.

Transportados em carrinhas, os jovens saíram do largo da rotunda do aeroporto, local da concentração, para a sede da Liga Guineense dos Direitos Humanos onde realizaram, simbolicamente, a manifestação. Alinhados na varanda da sede da Liga, cerca de duas dezenas de jovens, juntos com o presidente dessa organização, permaneceram durante algum tempo com a boca tapada com fitas e as mãos atadas. Para Sumaila Djalo, o gesto simboliza “a mordaça e o terror que o actual regime pretende impor” na Guiné-Bissau. Um cordão policial cercou a sede da Liga dos Direitos Humanos durante todo tempo que os jovens estiveram na varanda do edifício conhecido como Casa dos Direitos.

O presidente da referida Liga, Augusto da Silva, apresentou ao secretário de Estado da Ordem Pública, Francisco Djata, o “protesto e repúdio” pela situação “inédita de cercar a sede de uma organização dos direitos humanos” com forças de segurança. “Nem durante o período de transição, a seguir ao golpe militar de 2012, isso aconteceu”, frisou Silva.
O presidente da Liga notou que a sede da sua organização se situa “atrás do Quartel-General” das Forças Armadas, “mas nunca” os soldados estiveram no local. Augusto da Silva afirmou, também, que a Liga “não pode deixar de denunciar” o que considera ser a “instauração da tirania e ditadura” na Guiné-Bissau.

Esta é a segunda vez neste mês que o grupo é impedido de protestar na Guiné Bissau. Na semana passada, por volta das 7 horas locais alguns elementos do Movimento de Cidadãos Conscientes e Inconformados com a crise política começaram a se juntar na rotunda do aeroporto internacional de Bissau, mas quando se preparavam para iniciar a manifestação a polícia surgiu e ordenou a sua dispersão, alegando a falta de autorização para o protesto. Mas segundo Sumaila Djalo o movimento não tinha que ter nenhuma autorização da polícia, conforme a lei guineense, mas comunicar a pretensão de organizar a manifestação pública pacífica.

C/agências
Foto: RFI

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