Homens de causas não se vendem e não se rendem!

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Por Nelson Faria

Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis.” Bertolt Brecht

Em tempos em que a nossa democracia passa por etapas e acontecimentos que a podem elevar para outro patamar, muitos têm sido os antidemocratas, ou democratas de pacotilha, que têm tentado inibir a liberdade dos Homens das causas. São várias as formas e muitos os métodos utilizados, infelizmente…

Aproveitando-se da não realização plena da democracia nas esferas económicas e sociais, ainda se compram, ou tem-se tentado comprar consciências para retrair manifestações da sociedade civil, como a do Sokols 2017, programada, curiosamente, para o dia da liberdade e Democracia.

Nisto, cada Homem mostra o que realmente vale. Falo de valores, de causas, de essência e não de valor-moeda. Quais as suas reais causas, quais os seus reais interesses, quais os seus ideais e suas referências.

Alguns seguirão a cartilha partidária e nada farão por sentirem que podem beliscar o seu “clube partidário”, como se uma acção da sociedade não tivesse, sobretudo, o propósito de ajudar os partidos (da situação e da oposição) a adequar posições e acções que sirvam a colectividade. Outros deixar-se-ão inflar os egos e os umbigos pelo poder representativo e nada farão. Outros simplesmente vendem a sua consciência, a sua alma, a sua essência. Isto preocupa-me. Demonstra que a nossa democracia, não obstante do spot publicitário “da melhor de África”, ainda está a léguas de uma democracia plena.

Da definição da palavra democracia com origem no grego demokratía que é composta por demos (que significa povo) e kratos (que significa poder), o poder é exercido pelo povo através do sufrágio universal.

É um regime de governo em que todas as importantes decisões políticas estão com o povo, que elegem seus representantes por meio do voto. Todavia, o povo, ao eleger os seus representantes não abdicou do seu poder, apenas transferiu parte dela para os seus servidores eleitos, o que quer dizer que, ao longo do exercício do poder pelos representantes, pode e deve continuar a pronunciar-se sobre as questões ligadas à sua governação.

Se a democracia é o regime político em que a soberania é exercida pelo povo, sendo os eleitos meros representantes que o povo elegeu para servi-los, porquê temê-los? Porquê permitir que os servidores se sirvam, disponham e abusem das circunstâncias oferecidas pelo povo contra o povo? Porquê sucumbir e vender consciência aos interesses instalados? Esta é a real democracia?

O objectivo das manifestações da sociedade civil em democracia, pelo menos do que tenho percebido do Sokols 2017, não são contra a situação e muito menos a favor da oposição. São mecanismos do povo chamar atenção pelas causas que considera prementes para a sua boa governação, para a harmonia do colectivo, para a sua felicidade. Governantes inteligentes não inibem a sociedade civil, pelo contrário, são aliados. Permitem e auxiliam a sociedade civil a colocar claro as questões que lhe afectam e tenta encontrar soluções que satisfazem o colectivo.

Mas, infelizmente ainda sofremos dos males do controle, do domínio, da sobreposição do poder da representação sobre o poder do colectivo, do poder do dinheiro quando as desigualdades e a falta de oportunidades são gritantes.

Por isso, cabe ao povo o dever de realizar a democracia, de persistir e resistir na defesa das suas causas, de lutar pelo que acha justo. Os Homens das causas e dos valores devem prevalecer em democracia.

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1 COMENTÁRIO

  1. Ou seja, não preves no teu pensamento a possibilidade de alguns não irem pq eles tem a liberdade de não o fazer(seja qq q seja o motivo para n irem?
    Quem não vai não tem de ser um “seguidor da cartilha”, ou “tem egos inflados” ou mesmo “alguem que vendeu a alma” mas apenas alguém q não vai porque não quer?

    Se os q participam e organizam, o fazem numa premissa de Liberdade, os q não participam tb podem o fazer nessa mesma premissa e serão tão caboverdianos/mindelenses como os outros q vão participar sem levarem com nada.

    Antes q seja esse o caminho dos q n concordam comigo, informo que apenas não participo pq a minha atual morada não o permite e acho q pode ser importante para delinearmos um novo caminho na nossa politica nacional que deve ser seguido.

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