Inaugurado o Centro Oceanográfico do Mindelo: conhecer melhor o comportamento dos oceanos

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O Centro Oceanográfico do Mindelo é uma infraestrutura importante para a economia marítima e principalmente para o país porque vai possibilitar prestar serviços a toda a comunidade científica mundial. Esta visão foi defendida hoje por Carlos Évora, Director Nacional da Economia Marítima, durante a inauguração técnico-científica da infraestrutura de pesquisa. A inauguração política do centro foi reagendada para Maio de 2018 com a presença de dirigentes cabo-verdianos e da Alemanha, país que financiou o projecto.

Vamos ter a oportunidade de conhecer melhor o comportamento do nosso oceano, prestar serviços à comunidade científica mundial e ter elementos que nos permitirão alcançar a resiliência do oceano”, defendeu o responsável da Economia Marítima, lembrando que este ano as Nações Unidas adoptou como uma das tarefas especiais a saúde dos oceanos devido ao papel que representam na formação do clima, na alimentação das pessoas, na inovação e tecnologia e no transporte de cerca de 80 por centro de mercadorias no mundo.

Para Évora, Cabo Verde tem grandes possibilidades de obter conhecimento sobre o comportamento do oceano já que, apesar de ser um país territorialmente pequeno, é grande em termos da sua extensão marítima. Isto porque o nosso país tem mais de 800 km2 de Zona Económica Exclusiva, mas, com a definição da plataforma continental, a perspectiva é alcançar uma zona de jurisdição de um milhão e duzentos mil quilómetros quadrados.

Para Osvaldina Silva, Presidente do Instituto Nacional do Desenvolvimento das Pescas ( INDP), o instituto que vai gerir o centro em parceria com a Geomar, a construção daquela infraestrutura é fruto de uma visão do futuro e de capacidade de agregação de saberes e vontades. Um projecto que irá ampliar as infraestruturas de investigação existentes no INDP e ainda servir de plataforma de estudos e formação, como facilitador na execução de pesquisas de campo na região e contribuir ainda para fortalecer a investigação científica na África ocidental. “O objectivo desta infraestrutura é receber cientistas, estudantes de outros países e usuários de todos os pontos do planeta e contribuir para que se sintam bem em Cabo Verde”, aponta.

A presidente do INDP destaca igualmente o facto da cidade do Mindelo ter-se tornado um porto seguro para o relançamento e recolha de equipamentos oceanográficos autónomos das várias campanhas científicas que foram realizadas até este momento devido às facilidades disponíveis e de vários cruzeiros oceanográficos que iniciam ou terminam na cidade, muitas vezes com cientistas nacionais a bordo. Tudo isso, observa, foi graças à construção do centro mas também do Observatório Atmosférico, que integrou Cabo Verde na Eurosites (Rede Observatório Oceanográfico da Europa e Cabo Verde) e do projecto Fixo-3 que manteve o país na rede de observatórios do atlântico.

Também intervieram no acto da inauguração o presidente da Câmara Municipal de São Vicente, Augusto Neves, e um representante da Geomar, entidade que vai gerir o centro em colaboração com a INDP. Segundo a organização, por questões de agenda não foi possível ter representantes do Ggoverno da Alemanha presentes no acto, pelo que a inauguração política do centro foi reagendada para Maio do próximo ano. Além disso, parte de uma delegação alemã, inclusive o presidente da Geomar, não marcou presença no evento porque o avião que os trazia a São Vicente não conseguiu aterrar por causa da bruma seca. As obras do centro, cuja arquitectura foi inspirada numa lagosta, foram projectadas e fiscalizadas pelo gabinete de estudos do arquitecto Pedro Gregório Lopes e sua construção executada pela empresa SGL.

Carina David

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