Karatecas consternados com “partida” do Sensei Djack

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Familiares e artistas marciais da ilha de S. Vicente estão a chorar a partida do Sensei Djack, falecido ontem na cidade da Praia onde estava em tratamento médico. Vítima de problemas renais, Joaquim “Djack” Rodrigues, 62 anos, estava há um ano a fazer hemodiálise no hospital Agostinho Neto, mas ontem acabou por perder a luta pela sobrevivência.

A notícia da sua morte deixou consternado amigos, alunos e colegas praticantes das artes marciais, a sua grande paixão. Quando questionado como é que recorda o pai, Eritson Rodrigues é peremptório: “Vestido o seu Kimono”

Na verdade, Djack era uma figura típica do mundo do Karaté em Cabo Verde, em particular na cidade do Mindelo. Adepto do Shotokan, que aprendeu durante a sua vida na emigração, terá sido o primeiro praticante a ensinar esse estilo na ilha de S. Vicente, baseado nos fundamentos dessa arte marcial. De regresso à terra mãe, depois de andar por países como Grécia e Japão, fundou a escola Shotokan Karaté Club há mais de vinte anos e que continua aberta. “O futuro desta escola é continuar a desempenhar o seu papel, que é ensinar o Shotokan. Com o meu esforço e dedicação dos professores mais antigos estou certo que continuará aberta”, diz Eritson, 27 anos de idade, que começou a frequentar esse dojo desde criança.

Tido como um homem humilde e de paz, Djack era respeitado sobretudo pela sua dedicação ao ensino do estilo Shotokan e à filosofia associada a essa arte de combate. Estas são as características que, na opinião do Sensei Zeca Calazans, sobressaem na postura do falecido professor. “Posso dizer que ele aplicava como ninguém a filosofia intrínseca às artes marciais. Era um homem íntegro, um indivíduo respeitador de todos, uma pessoa de paz”, comenta Zeca, para quem Djack conseguiu incutir essas virtudes nos seus dedicados alunos. “Ele enfrentou dificuldades para abrir e manter a sua escola, tal como nós os outros, pelo que ele foi um combatente nesse sentido”, realça Zeca Calazans, que teve o primeiro contacto com Djack num tatami a quando de um estágio com o Mestre Suzuki, em S. Vicente.

“Tive o privilégio de conhecer o Djack ainda nos anos setenta. Sempre que ele vinha de férias e nos encontrávamos a nossa conversa acabava por centrar-se no Karaté”, relembra Pirass, um dos veteranos das artes marciais em Cabo Verde e que, tal como Zeca Calazans, começou a praticar o Karaté com o Mestre japonês Abê. Para Pirass, Djack deixa um legado considerável às artes marciais cabo-verdianas, mas principalmente deixa ensinamentos de humildade a todos aqueles que o conheceram de perto.

A primeira vez que o Sensei Ângelo teve contacto com o Shotokan foi com o professor Djack, na altura o praticante mais graduado desse estilo em S. Vicente. “Ele entendia e muito do Shotokan, mas ele deixou de acompanhar a evolução do estilo e acabou por ficar um pouco para trás. Mas nada disso retira o mérito do seu empenho”, realça Ângelo, que considera a morte de Sensei Djack uma perda profunda para as artes marciais a nível nacional.

KzB

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1 COMENTÁRIO

  1. Descança em paz sensei djak fui aluno do sensei Angelo e tambem pratiquei tambem com o sensei djak. Uma grande perda para os karatecas e alunos.R.I.P sensei

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