Marina do Mindelo sob “fogo cruzado”: empresários acusam gestor de prepotência e de prejudicar a economia mindelense

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Os empresários Kay Brosman e Helena Leite acusaram esta manhã a gerência da Marina do Mindelo de prepotência e de andar a prejudicar de forma intencional a Boat CV, empresa de reparação de barcos de recreio, e a lavandaria Mindelo Expresso, impedindo o acesso dos seus funcionários aos iates atracados nesse cais flutuante. Segundo o alemão Kay Brosman, desde 2014 que a Boat CV tem enfrentado sérias dificuldades para prestar serviço aos clientes dentro da marina, por causa da intransigência de Lutz Meyer, que, como diz, está a usar a sua posição para levar a cabo uma vingança pessoal. É que decorrem neste momento oito processos judiciais no Tribunal de S. Vicente envolvendo esses dois alemães, sócios da Marina Mindelo, e que andam de costas voltadas há já alguns anos por causa da gestão do empreendimento.

“Tudo isso é uma vingança contra a minha pessoa, mas que acaba por colocar em risco o emprego de dezasseis pessoas. A Boat CV existe desde 1997, nós é que criamos a Marina Mindelo, que devia ser um complemento à nossa actividade, que é de reparação de avarias nos iates. Somos sócios de 50 por cento do capital da marina e no entanto impedem-nos neste momento de entrar no espaço para prestar serviço aos iates com problemas técnicos”, revela Brosman, que intentou duas queixas-crimes contra o sócio e compatriota por supostos actos de injúria e difamação, ocorridos na sequência de incidentes que envolvem a Boat CV e a Marina Mindelo. Dois processos que foram juntar-se a outros seis que estão em curso na Justiça, devido a disputa pela gestão desse cais flutuante situado na baía do Porto Grande.

Segundo Brosman, na sua ânsia de atacar a Boat CV, Lutz Meyer está a prejudicar tanto a sua empresa como a própria economia e imagem da Marina do Mindelo. Como diz, há casos em que os proprietários dos barcos ficam indignados e relatam os seus desgostos em websites especializados sobre o serviço que encontraram na marina. Opiniões que, diz Brosman, acabam por ter efeitos económicos indesejados.

“É certo que ele anda a prejudicar a própria economia de S. Vicente. Soubemos agora que ele forçou um supermercado a assinar um contrato com a Marina para poder ter acesso aos iates. Ele quis fazer a mesma coisa connosco. Por exemplo, ele estava a exigir o pagamento de 160 contos mensais à Boat CV só para termos acesso à marina. Isto é inaceitável”, reage o citado alemão, que denuncia ainda um contrato entre a marina e a Enapor que renova a concessão para a exploração da sua actividade na baía do Porto Grande. O problema, segundo Brosman, é que esse documento é inválido porque o acordo não mereceu a anuência da Assembleia-Geral da empresa e da própria Agência Marítima e Portuária.

Outra empresa que tem motivos de queixa do gestor da Marina Mindelo é a lavandaria Mindelo Expresso, por motivos muito parecidos. Segundo Helena Leite, a sua empresa tem estado a ser vítima de discriminação por parte de Lutz Meyer, que tem usado a sua influência dentro da marina para beneficiar uma outra lavandaria. Afirma Leite que esse gestor alemão tem impedido os funcionários da “Mindelo Expresso” de contactar os seus clientes dentro do cais, ao mesmo tempo que faz publicidade da outra lavandaria junto dos proprietários dos iates e marinheiros. “Ele chega ao ponto de imprimir flyers nos escritórios da Marina para distribuir. Como se não bastasse, no ano passado passaram a reter os sacos com roupas para lavandaria para serem entregues à minha concorrência. O dono da outra empresa, sentindo-se protegido, chegou ao ponto de arrancar sacos de lavandaria das mãos dos meus funcionários”, revela Leite, que já apresentou queixa na AMP e na Polícia Nacional mas que não tiveram os resultados pretendidos. Para ela, está à vista de todos que o comportamento de Lutz Meyer anda a prejudicar a economia de S. Vicente, uma ilha onde grassa o desemprego.

Colocado ao corrente das denúncias, Lutz Meyer desmentiu-as na íntegra. Conforme o responsável da Marina Mindelo, o que se passa é que, na sequência da renovação do contrato de concessão com a Enapor, as regras de segurança tornaram-se mais rígidas para “todos”. “Antes, a marina era uma casa de porta aberta para todos, agora há regras e responsabilidades a serem levadas em conta. Todas as empresas precisam agora de assinar um contrato para regular o acesso a este espaço. Isto inclui a Boat CV, só que esta empresa quer um tratamento especial”, reage Meyer, que nega estar a vingar-se do seu sócio ao exigir o cumprimento de regras aos trabalhadores da Boat CV. Como diz, tentou por três vezes chegar a acordo, mas Brosman negou sempre assinar contrato.

No tocante às lavandarias, Lutz Meyer garante que nenhuma delas está a ter tratamento diferenciado pela Marina do Mindelo. Negou igualmente que imprimam panfletos de uma delas para distribuir aos marinheiros e proprietários dos iates. “Para nós, o princípio é simples: tratamento igual para todos. Sem excepção”, salienta Meyer, ao mesmo tempo que mostra um despacho da AMP relactivo a uma queixa apresentada pela lavandaria Mindelo Expresso, no qual a agência afirma categoricamente que agentes de fiscalização marítima não constataram práticas discriminatórias na Marina do Mindelo, logo não deram provimento à reclamação sobre prática de “concorrência desleal” cometida pela gerência desse cais destinado a barcos de recreio.

Kim-Zé Brito

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