Mário Semedo oficializa candidatura à FCF: “Regresso ao futuro”, com jogos da selecção no “Adérito Sena”

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Mário Semedo quer ver Cabo Verde na fase final da CAN-2021 e no Mundial de 2022, num autêntico projecto de regresso aos tempos áureos. Semedo mostra-se decidido a manter Lúcio Antunes no comando da selecção e trazer os “tubarões-azúis” para o estádio Adérito Sena. Aliás, defende uma descentralização dos jogos da selecção pelas ilhas.

O candidato Mário Semedo pretende encetar um regresso ao futuro e “ressuscitar” os momentos áureos da selecção de Cabo Verde, caso volte a ser o Presidente da Federação Cabo-verdiana de Futebol nas eleições do dia 28 de Outubro. Na apresentação oficial da sua candidatura em S. Vicente, o ex-Presidente da FCF deixou claro hoje de manhã que tenciona manter o técnico Lúcio Antunes no comando dos “Tubarões Azúis” e colocar a equipa azul de novo na ribalta do futebol internacional. Semedo já fez as contas e o seu plano é alcançar as fases finais da CAN-2021 e levar Cabo Verde ao Mundial de 2022.

“Atingir essas metas passa por uma restruturação da selecção, que precisa de melhor condições. Competindo e ganhando jogos, certamente que iremos reconquistar o lugar no ranking africano. O mais importante para nós é atingirmos os objectivos, que são a qualificação para as grandes competições internacionais”, salienta Semedo, para quem não há razão nenhuma para Cabo Verde trocar de técnico principal neste momento. “Lúcio é um treinador que tem alcançado resultados, pelo que a sua substituição não se coloca”, frisa o candidato, que, enquanto Presidente da FCF alcançou vitórias memoráveis com o técnico cabo-verdiano.

Questionado por Mindelinsite se a provável junção dessa antiga dupla é um regresso ao passado, Mário Semedo é peremptório na sua resposta: “o nosso foco é o futuro. Não podemos ser reféns do nosso passado! Quem viver do passado certamente não terá futuro!”

Verdade seja dita, os cabo-verdianos almejam um regresso ao passado no futuro próximo, quando Cabo Verde esteve orgulhosamente na CAN e alcançou o primeiro lugar no ranking africano, no reinado de Semedo e Antunes. A questão é saber se isso será possível tão cedo, mesmo com a eleição de Semedo. Aliás, é esse próprio candidato a reconhecer que a selecção está a passar por uma fase complicada e que precisa urgentemente de sentir-se apoiada por uma federação melhor organizada. Por isso, o primeiro dos onze valores que enformam o programa electivo da sua candidatura é exactamente a organização. Nesse sentido, Semedo – cujo slogan da sua candidatura é “onze valores para o futebol cabo-verdiano” – promete intensificar o sinal de comunicação entre a FCF e as associações e profissionalizar uma estrutura técnica para apoiar o Presidente e a Direcção desse organismo.

“Vamos ainda publicitar todos os actos de gestão”, garante o candidato, que tenciona apostar na formação dos dirigentes e atletas, dar mais vida ao centro de Estágio da FCF na cidade do Mindelo, estabelecer protocolos com universidades, retomar a cooperação com a Federação Portuguesa de Futebol e a sua congénere holandesa, mas também com organismos futebolísticos do espaço da CEDEAO.

Se tomar as rédeas da FCF no mais que provável embate a dois com o adversário Avelino Donnay, Mário Semedo deverá desenvolver o projecto árbitro-jovem, comercializar a marca Tubarão Azul, explorar o potencial futebolístico e económico da emigração cabo-verdiana. Além disso o seu plano é organizar a participação das selecções sub-17, sub-19 e do escalão feminino nas provas internacionais.

“Vamos também implementar um novo modelo no campeonato nacional, com a participação de 14 equipas. E as equipas terão de ter os seus escalões de formação”, acrescenta Mário Semedo, que escolheu a cidade do Mindelo para fazer a apresentação oficial da sua candidatura. Ele que entregou ontem à noite o seu processo à comissão organizadora das eleições e zarpou para Mindelo acompanhado do ex-dirigente do Sporting da Praia Rui Évora, mandatário da lista, Gerson Melo e Inácio Carvalho – ambos antigos responsáveis da Direcção-Geral dos Desportos – e juntou-se ainda ao jurista Álvaro Cruz, que apresenta como seu homem para o Conselho de Disciplina da FCF.

Por aquilo que Semedo revelou, a sua lista já tem o apoio garantido de sete das onze associações. A ser assim, parece ter a vitória assegurada no embate com Avelino Donnay, o outro candidato que conseguiu formalizar a sua candidatura. Conforme apurou Mindelinsite, Contche e Zé Mário acabaram por desistir, por alegada falta de apoio das associações.

“Tubarões-Azúis” no estádio Adérito Sena

Um dos “sonhos” dos mindelenses é ver e apoiar a selecção de Cabo Verde no estádio Adérito Sena nos confrontos com outras selecções, em partidas a contar para as grandes provas internacionais. Semedo está ciente dessa reivindicação e, para ele, a ilha de S. Vicente merece usufruir da selecção em casa. “Isto é pacífico”, afirma. Como o próprio relembra, S. Vicente já recebeu em tempos jogos entre Cabo Verde e outras equipas africanas, por exemplo com Libéria e Argélia, pelo que nada mais justo que queira voltar a vibrar com a selecção.

“Neste momento a relva está em condições de receber provas internacionais. A relva que conseguimos para o estádio é de qualidade e certificada. Havia um problema menor no ‘Adérito Sena’, mas na altura a FIFA disse que não era impeditivo. Penso que neste momento os problemas residem ao nível das outras estruturas do estádio, como por exemplo os balneários”, reagiu Semedo, ao repto lançado por este jornal electrónico sobre a possibilidade de Mindelo também acolher jogos dos “Tubarões-Azúis”.

Na perspectiva desse candidato, a FCF pode resolver rapidamente os restantes entraves num esforço conjunto com a Câmara de S. Vicente e requerer a certificação do estádio para jogos internacionais. A seu ver, trazer os jogos para Mindelo será uma forma de proporcionar aos adeptos de Santo Antão e de S. Nicolau também a possibilidade de juntarem as forças no apoio a esse emblema do futebol cabo-verdiano. Aliás, para Semedo a FCF deve assumir uma política de descentralização dos jogos da selecção e levar a equipa a outras ilhas.

Kim-Zé Brito

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