Mindelo é do mundo

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Por Nelson Faria

Resultado da miscelânea de cabo-Verdianos, resultado da reunião do mundo no meio do Atlântico nasceu Mindelo e os Mindelenses. Cabo-Verdianos. Cidadãos do mundo.

As agruras do centralismo e das injustiças várias desde que este país é país, tem levado ao declínio económico e da auto-estima desta cidade. O orgulho Mindelense procura “culpados”, que existem, no foco centralizador da governação deste país, desde o seu nascimento, agudizando a cada ciclo governativo, independentemente das forças no poder. Todavia, para pirraçar a sistemática contrariedade da vida, Mindelo cria, inventa, vive, sobrevive, ri, brinca, diverte-se e manifesta-se. Mesmo com as barreiras impostas não deixa de ser bela e atractiva a vários níveis. Não esconde o seu valor e não deixa de revelar o seu potencial.

Se o centralismo nos quer “mortos” porque não ver o Mundo que nos quer vivo nesta realidade globalizada que vem dando nova vida e hierarquia as cidades? O valor seguro da cultura, a sua capacidade de expansão e a presença nos palcos do mundo que tem conseguido deve transitar para as suas outras potencialidades: turismo, empresarial, desporto, comércio, Baía e o Porto Grande, história, saúde, educação, afecto, lazer, mar… Enfim, um oceano de valências que podem ser exploradas com os nossos conterrâneos do Planeta. Abrir e “darmo-nos” ao mundo significa tão-somente sermos o que sempre fomos: uma cidade do Mundo. Uma “Pedra de Cristal” a ser explorada. Resistindo internamente às injustiças e enfermidades impostas, Mindelo deve ir ao Mundo.

Esta oportunidade não deve ser desperdiçada por quem tem o privilégio de governar este município. Melhor, quem governa Mindelo deve olhar além da “Republica de Santiago” propalada convenientemente, deve olhar além do umbiguismo partidário, além da auto-limitação imposta por uma visão de viabilidade económica apenas em três grandes momentos do ano ou noutros festivais e actividades pontuais. Mindelo pode e deve ser viva economicamente o ano inteiro, interagindo com Cabo Verde e com o Mundo.

As geminações, a diáspora, o turismo, a ligação histórica e de afinidades com países e cidades que estiveram na origem da formação do Mindelo é um apetecível caminho para devolver esta cidade ao Mundo. É preciso elevar o nível, ser “Ote level”. Não importa se vamos de “Caravela”, avião, bote ou navio cruzeiro. É um caminho que necessariamente deve ser trilhado para que esta ilha se possa orgulhar de si mesma e recuperar muito da auto-estima perdida na conjuntura interna. Precisamos ir ter com o mundo e lembrar-lhe que estamos cá, lembrar-lhe de que, independentemente dos caminhos que percorrer, há um sítio onde pode vir e regressar sempre que quiser, um sítio onde pode chamar de “Home”, onde pode estar, criar, divertir, empreender e viver, porque Mindelo é mesmo uma casa do Mundo, pronta a receber de braços abertos, sorriso nos lábios e uma piada para contar.

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