Montsú e Vindos do Oriente “brigam”, novamente, pelo título de campeão

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Monte Sossego, Vindos do Oriente e Cruzeiros do Norte apresentaram um desfile de brilho, riqueza e grandiosidade que empolgou a cidade do Mindelo, que esteve a arrebentar pelas costuras nesta Terça-feira do Carnaval. Com carros alegóricos aprimorados, trajes sofisticados, bateria vibrante e desfiles sincronizados, os três grupos mostraram que a cada ano o Carnaval d’Mindelo, uma das maiores manifestações populares do país, estravasa e alcança novos patamares. O presidente do Monte Sossego diz que a vitória é clara, Cruzeiros garante que já assegurou o segundo lugar e Vindos do Oriente deixa os critérios nas mãos do júri. Já o grupo Flores do Mindelo fez um desfile mais modesto “ por amor ao Carnaval.”

Monte Sossego foi o primeiro grupo a entrar na arena. A agremiação que desfilou “A rota do emigrante” chegou com tudo para revalidar o título de campeão. Apresentou um desfile de garra, bastante sincronizado e vibrante e com uma bateria que fez estremecer a Rua de Lisboa. As alas também evidenciaram as cores laranja, azul, dourado vermelho, branco e verde. Os três andores do grupo apresentavam uma plasticidade rica, em termos de acabamento. O primeiro carro alegórico retratou a pesca da baleia, o segundo versou sobre a emigração, o terceiro mostrou  os monumentos dos países que acolhem a diáspora cabo-verdiana – casos da Torre de Pizza, na Itália, da Estátua da Liberdade, nos Estados Unidos, do Cristo Redentor, no Brasil, da Torre de Belém em Portugal entre muitos destinos que acolhem os nossos emigrantes. Mas a grande surpresa foi o terceiro andor que relembrou a personagem Lolita, criada pelo grupo teatral Juventude em Marcha e interpretada pelo cómico actor César Lélis, que esteve pressente em pessoa no sambódromo.

António “Patcha” Duarte, presidente do Monte Sossego, está convicto que a sua agremiação apresentou um desfile para ganhar. “O trabalho que apresentamos aqui é para vencer. Fizemos um investimento no ano de 2016 para fazer este Carnaval e todo esse trabalho que apresentamos aqui aponta para uma vitória clara e inequívoca.”

Depois de “Montsú” seguiu-se Flores do Mindelo, que, apesar de homenagear os “Navegantes do mar alto” remou literalmente contra a maré. O grupo desfilou na avenida com trajes de tonalidades verde, vermelho, azul, amarelo, rosa e branco e com dois andores. Mas apresentou um desfile morno, sem garra e a música não impactou, um facto visível nos próprios figurantes, que não se esforçavam para cantar, deixando apenas a tarefa para o carro de som. Entretanto, a presidente de Flores do Mindelo, Ana Ramos, justificou o nível do desfile com o facto de o grupo ter conseguido poucos apoios. “Estamos a desfilar por amor ao Carnaval. Tivemos muitas dificuldades porque não conseguimos grandes apoios. Que ganhe o melhor.”

O desfile do Cruzeiros do Norte, terceiro grupo, ganhou vivacidade à medida em que as alas, trajadas de laranja, rosa, verde, dourado, lilás, branco e vermelho, iam entrando na Rua de Lisboa. Com o enredo “Luz, vida e matéria”, contou a história da origem da vida desde a sopa primordial, passando pela evolução das espécies até os dias de hoje. Os andores do Cruzeiros, feitos pelo carnavalesco Fernando “Noia” Morais, não se submeteram ao óbvio. Apresentavam um design singular, que atiçava o imaginário dos espectadores. Segundo Noia, com este desfile, “o Cruzeiros do Norte conseguiu assegurar pelo menos o segundo lugar.”

Vindos do Oriente foi último grupo a desfilar. Convidou o público a fazer e refazer uma viagem traçando “A rota da seda” da China até Mindelo, coração de São Vicente. A agremiação fez um show de luxo e brilho com trajes bem acabados feitos com “seda fina” e outros tecidos de primeira linha. Com as cores predominantes, dourado e vermelho – que se alternava com rosa, prata, branco e azul -, o Vindos do Oriente apresentou uma coreografia sincronizada e que levou animação para a Rua de Lisboa. No final, a presidente do grupo, Lili Freitas, declarava-se uma mulher satisfeita. “Quem vai a uma competição é para ganhar. Estamos felizes com o desfile porque conseguimos o nosso objectivo. Deixamos agora tudo ao critério do júri”, diz dona Lily, cujo grupo homenageou o maestro Mick Lima.

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  • Cirilo Cidário

    Os prémios fizeram jus aos desfile, Monte Sossego não superou a si mesmo, uma vez que era campeão devia esforçar-se mais, sabia que o V.O, ia esforçar para melhorar o seu performance uma vez que perdeu no ano passado por pouco ponte. No M. S somente melhoraram as baianas, que realmente estava a arrasar,o resto pouco brilho.