Ministério Público retém corpo de Rudy para autópsia

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O Ministério Público pediu uma autópsia ao cadáver de Rudy Tienne Andrade, exame que irá apurar a causa da morte do jovem, poucas horas depois de entrar no Banco de Urgência com ferimentos de bala na cabeça,ontem à noite. A pedido da Polícia Judiciária, a Procuradoria da Comarca do Mindelo exigiu essa perícia, pelo que o corpo está retido à espera da chegada de um médico-legista da cidade da Praia. “A família pediu a liberação do corpo, mas vamos ter de esperar por esse exame”, frisa Anduleto Ribeiro, Director da PJ em S. Vicente, que não pôde precisar quando o médico-legista chega à cidade do Mindelo. É que o expediente burocrático está sob a alçada do Ministério Público.

Para a Judiciária, o resultado desse exame é fundamental ao sucesso da investigação. A partir desses dados será possível saber quantos disparos atingiram realmente a vítima e se os mesmos foram efectuados à queima-roupa ou a uma outra distância. Se forem feitos de perto, segundo Anduleto Ribeiro, haverá certamente vestígios de pólvora no cadáver.

É que correm rumores de que Rudy Tienne foi ferido com duas balas na cabeça e não apenas uma. Um dos projécteis terá acertado o cérebro e provocado a morte desse jovem de 28 anos.Um médico ouvido por este jornal electrónico diz que terá sido um único disparo ao crânio e que a bala entrou e saiu.“Ele chegou com uma respiração muito ofegante ao Banco de Urgência. A forma como respirava dava indicação que estaria com o cérebro danificado. Dificilmente poderia sobreviver”, revela uma outra fonte hospitalar, sob anonimato.

Confrontada com esses dados, Jamira Sousa, Directora Clínica do Hospital Baptista de Sousa, limitou-se apenas a confirmar a entrada da referida vítima nas urgências do HBS com sinais de ferimentos com arma de fogo. “Ele apresentava um quadro de ferimentos graves. Foi sujeito a uma cirurgia, mas acabou por falecer ontem”, informa a médica, que não entrou em mais detalhes por se tratar de um caso sob investigação policial. Rudy Tienne morreu ontem à noite por volta das 22 horas e foi alvo de homenagem de vários amigos no Facebook.

Até este momento a Judiciária não tem nenhum suspeito na mira e nem sabe precisar se foi uma única pessoa a cometer esse acto e se estava ou não mascarada. O que parece líquido é que o(s) autor(es) dos disparos surpreendeu a vítima perto da sua casa em Chã de Marinha, na madrugada de quinta-feira. O jovem foi ferido na cabeça e num dos joelhos e foi transportado para o hospital por agentes da Polícia Nacional.

Pistas “ligeiras” sobre o assassinato do casal em Madeiralzim

Este crime traz à memória o assassinato do casal de idosos Joaquim Silva e Olga Além na zona do Madeiralzim, no passado mês de Março, e que até hoje não foi solucionado. Segundo Anduleto Ribeiro, a PJ está na posse de pistas que podem levar a um suspeito, mas que ainda precisa recolher mais dados.

Por aquilo que apurou Mindelinsite, a falta de uma autópsia está a criar dificuldades acrescidas à investigação da Judiciária. É que os corpos, encontrados em estado de decomposição, foram enterrados imediatamente. Deste modo, a polícia científica ficou sem saber ao certo quais os ferimentos que o casal apresentava e o tipo de arma usado. Acresce-se ainda que o autor desse acto teve o cuidado de levar consigo a arma do crime e deixou pouquíssimos vestígios que pudessem ajudar a polícia a chegar à sua pessoa.

“Esta e outras situações vêm demonstrar que S. Vicente precisa de um médico-legista. Sem a intervenção desse especialista, fica-nos difícil traçar as linhas de investigação de homicídios”, realça Anduleto Ribeiro, que tem esperanças que a anunciada criação do Instituto de Medicina Legal e Ciências Forenses venha a ajudar a preencher essa brecha. Caso venha a ser instalado, como promete o Governo, esse Instituto irá auxiliar o trabalho de investigação criminal da Judiciária e do próprio Ministério Público.

 

 

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