Nacional de voleibol: Atlético e Fonte Francês perdem as respectivas finais

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O Atlético do Mindelo e a equipa de Fonte Francês ficaram aquém dos objectivos traçados para o nacional de voleibol masculino e feminino, realizado na cidade da Praia de 11 a 15 de Julho. As duas formações representantes de S. Vicente atingiram a final nas respectivas categorias, mas ambas perderam perante as adversárias Inter Clube e ABC da Praia, todas da Capital.

Para Heriberto, o Atlético fez uma boa campanha, mas acusou uma quebra psicológica no confronto com o Inter Clube, que lhes saiu caro no jogo da final. “Até que entramos bem, porque vencemos o primeiro set. Só que a meio da segunda partida houve uma desconcentração colectiva e não conseguimos vencer o jogo. No terceiro set voltamos a entrar concentrados, o jogo estava taco-a-taco, mas as partir do 16º ponto voltamos a sentir a pressão. No quarto set já estávamos nervosos, enquanto o Inter estava bem mais confiante e bastante galvanizado com o apoio das bancadas”, conta Heriberto Gomes, treinador do clube amarelo e negro, que disputou esta época a sua sétima final consecutiva.

Segundo Heriberto, o Inter Clube soube aproveitar os erros e a tensão psicológica que atingiu a equipa do Atlético. Mas, por outro lado, diz, é facto que a formação de S. Vicente sentiu sérias dificuldades em fazer treinos de adaptação no campo do gimnodesportivo de Chã d’Areia. Para ele, a culpa é fundamentalmente da Federação Cabo-verdiana de Voleibol que não se dignou a reservar o recinto para uso das equipas que iam participar na prova. “Vamos participar numa prova oficial e quando pedimos acesso ao campo de jogos para treinos na reunião técnica a resposta que recebemos é que cada equipa deve dar o seu expediente. Ao mesmo tempo que nos dão esse tipo de resposta, escondem-nos os contactos das pessoas com as quais deveríamos falar”, critica Heriberto, revelando ao mesmo tempo que “alguém” ligado a um clube da Capital conseguiu arranjar campo para um treino da equipa feminina de Fonte Francês, mas deixou claro que o Atlético do Mindelo não teria essa possibilidade.

“Episódios estranhos” que, segundo o citado treinador, dão uma ideia de jogadas de bastidores que muitas vezes têm o seu peso na prestação de uma equipa numa prova.

No campo feminino, o treinador Américo “Budja” reconhece que a fragilidade revelada pela equipa de Fonte Francês no confronto com o ABC esteve na falta de opções no banco para refrescar a equipa principal nos momentos certos. Após vencer as equipas do Paulense (Santo Antão), Spartak (Fogo) e Graciosa (Santiago Norte) as campeãs de S. Vicente esbarram-se na estrutura do ABC da Praia, que sagrou-se campeã de Cabo Verde fruto de uma vitória por três sets a zero. “Temos é de tirar ilações dessa derrota. Uma delas é que precisamos fazer um trabalho de formação de fundo, preparar um leque de atletas de modo a termos uma equipa equilibrada no campo e no banco”, diz Budja, que pretende agora dar corpo à escola de voleibol do Clube de Fonte d’Francês. Para ele esse passo vai levar esse clube a marcar a diferença, a começar por S. Vicente.

Kim-Zé Brito

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