Navio Djazz: Armador refuta denúncias de pesca predatória e de crime ambiental

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A empresa Orion Marítima refutou as denúncias de “pesca predatória” de tubarão-gata com rede de malha nas águas de Cabo Verde, criticada pela Associação dos Armadores de Pesca de Cabo Verde (APESC) e pela associação ambientalista Biofera 1, numa notícia publicada no dia 26 de Outubro por este diário digital. Em resposta ao artigo, o armador Eduardo Dias e o seu sócio João Chantre, dizem que a tentativa de passar a ideia de que operam na ilegalidade e praticam agressão ao meio ambiente é totalmente injustificada.

Ao Mindelinsite, o armador começa por dizer que não sabe exactamente o que significa “pesca predatória”, a não ser se o termo foi utilizado propositadamente para criar nos cabo-verdianos alarme, a ideia de ilegalidade e de crime ambiental. Segundo este nosso interlocutor, esta é uma técnica de retórica usual em algumas organizações ambientalistas, que primam não poucas vezes pela superficialidade nas suas análises e intervenções, o que tem contribuído para a sua descredibilização.

“Podemos dizer que o navio Djazz operou desde 17 de Janeiro até esta data – 46 dias de pesca -, tendo capturado neste período cerca de 52 toneladas de esqualos de profundidade (da família centrophoridae”, diz Eduardo Dias, aproveitando para esclarecer que estes são espécies altamente predadoras, que se alimentam principalmente de lagosta, camarão e outros peixes de profundidade, o que só por si deveria recomendar a sua captura.

Fazendo uma comparação com as capturas de todos os navios de pesca industrial que operam em Cabo Verde, este empresário garante que estes, em poucas horas, “limpam” do mares de Cabo Verde, cada um pescando 10 a 20 toneladas das várias espécies de pequenos pelágicos, principalmente cavala, cachorrinha e olho-largo. Por isso diz que o representante dos armadores, que é investidor deste sector, não devia ver com preocupação a entrada do “Djazz” nesse segmento. “É precisamente este segmento que mais preocupações instigam às autoridades marinhas e científicas de Cabo Verde, exigindo constante vigilância pela degradação e diminuição dos seus stocks”, argumenta.

Eduardo Dias explica que o seu barco opera entre os 300 e 500 metros e não há nenhuma embarcação cabo-verdiana, industrial ou artesanal que pesca a essas profundidades, o que contraria o argumento utilizado pelos denunciantes de sobreposição de zonas de pesca. “Quase a totalidade das capturas (95%) são esqualos. As restantes espécies capturadas são completamente desconhecidas dos comerciantes no país. Por isso mesmo não são capturadas por outras embarcações”, esclarece.

Mais: as actividades do “Djazz” têm sido exercidas de forma equilibrada e distribuída por todas as ilhas e em várias zonas de cada ilha, com exceção da Brava, diz este nosso entrevistado, aproveitando para negar que tenham “fugido” para a ilha do Fogo. “Em todas as estações de pesca foi identificada abundância destas espécies e todas as descargas foram efectuadas na presença de inspectores. Pela dimensão da malha da rede não se captura juvenis, garantindo a reposição da espécie. E não utilizamos nenhum isco”, enumera.

Este armador nega também que o navio tenha perdido redes, ao contrário das informações passada pela Biosfera 1 e pela APESC. No entanto, diz, caso isso tivesse acontecido, a embarcação tem a bordo os meios necessários para as recuperar. “As redes que utilizamos são constituídas por um só ‘pano’, as malhas são quadradas, com 14 cm, feitas com fio de polietileno de 0,5 mm. Aprisionar baleias com estas redes seria como capturar cabrinhas com teias de aranha e apenas revela o desconhecimento que sustenta a recorrente celeuma sobre a nossa técnica de pesca”, clarifica.

Em jeito de remate, este armador explica que os relatórios da actividade da Orion Marinha são entregues ao Instituto Nacional de Desenvolvimento das Pescas (INDP) e que o Djazz não beneficia de nenhum subsídio. No entanto, com a sua actividade contribui para criar riqueza nacional, empregos – no navio trabalham 14 pessoas – e colocação de pescado nacional no mercado.

Constânça de Pina

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