Nem espíritos nem drogas são para aqui chamados

1648

Por Sidneia Newton

De longe, um bocado céptica em relação aos comentários, mas com muita curiosidade acerca do assunto, venho acompanhando este fenómeno que tem acontecido nas escolas secundárias. Lembro-me que quando ouvi falar nos primeiros casos em São Vicente, comecei a pesquisar e encontrei relatos de outros locais aonde acontecimentos parecidos, envolvendo também alunas, preocuparam comunidades. Num dos textos diziam que estes fenómenos são comuns em comunidades pequenas e afastadas e enviei email a um grupo que estava envolvido nas investigações do caso, que respondeu que não foi além das constatações, não tendo chegado a nenhuma explicação plausível.

Porém, sobre os recentes desmaios e gritos que têm ocorrido nas escolas são muitos os que já tiraram as suas conclusões. Drogas, invocação de espíritos, farsas e histeria colectiva, também conhecida como doença psicogénica, são algumas das teorias que já li e ouvi. Ouvi também falar de uma igreja que aumentou a cobrança para afastar este fenómeno.

No entanto, ainda não me chegou nenhum pensamento lógico e claro que me convença. Como disse, sou céptica em relação a fenómenos paranormais, apesar de ser um assunto que me atrai. Não creio em espíritos. E muito menos acredito que sejam drogas, para serem só as moças a consumir, deixando de fora os rapazes. Não acredito que seja histeria que também envolvesse só as alunas, sendo que os rapazes também convivem no mesmo local fechado, e muito menos que sejam farsas.

Convivo com alunas e alunos das escolas secundárias e percebo a preocupação deles, dos pais, das famílias e da comunidade educativa. As crianças e adolescentes estão assustados. Dá para perceber que precisam de algum tipo de acompanhamento psicológico, já que se sentem desprotegidos e vulneráveis ao fenómeno. Ao mesmo tempo, alguns colegas começam a contar estórias sobre o assunto, grande parte inventada, o que faz com que a cabeça destes jovens esteja ainda mais confusa e aterrorizada.

São Jovens, crianças e adolescentes. Temos que levar o assunto à sério e deixar de vulgariza-lo ou depreciá-lo. Vi notícias de uma aluna que tentou saltar da janela da escola, enquanto estava “fora de si”, o que já é muito preocupante. E já pensaram no que pode acontecer se um aluno agride outro durante este estado? Não é difícil de imaginar que isso possa vir a acontecer.

Neste momento tem sido as alunas dentro e fora das escolas as vítimas do fenómeno. Mas vale recordar que em São Vicente já aconteceu algo parecido num ambiente laboral, nomeadamente envolvendo funcionárias da empresa Frescomar.

E então? Vamos continuar a fazer pouco caso disso, à espera dos próximos casos, ou vamos investigá-lo, dando-lhe a devida importância e acompanhar os alunos, psicologicamente? Alguma coisa pode ser feita e espero que seja o quanto antes.

(Visited 1.698 times, 1 visits today)

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here