O fanatismo partidário existe

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Por Nelson Faria

Nem tudo é democrático na democracia”; nem tudo é branco ou preto, nem todos estão cegamente do lado A ou B, nem tudo é carne ou peixe.

Ser defensor, ter escolhas, posicionamentos acerca de gostos, simpatias, preferências religiosas, partidárias ou clubísticas não faz de nenhum cidadão melhor ou pior que os demais. Mostra sim ser um ser social que interage com o seu meio e, conscientemente, faz suas escolhas. Da mesma forma, todo o cidadão não tem a obrigatoriedade de escolher entre as opções existentes e estar “vinculado” a um lado. Aliás, a não escolha dos lados é igualmente uma escolha válida e normal em democracia. Portanto, esse não é e nem nunca foi um problema. O problema existente que tem estrangulado a paz social e a democracia é sim o fanatismo.

O fanatismo partidário reveste-se de doses absurdas de convicção, entusiasmo, paixão, intolerância e inconsequência, para não dizer cegueira pura, com respeito aos deficientes visuais. É demonstrada numa paixão emocional na defesa incondicional, desmedida e irracional da “cor partidária que os ilumina”, sobrepondo sempre as suas crenças e opiniões, menosprezando os demais.

Isto acontece pela intolerância que graça nas hostes do fanático a tudo o que lhe seja contraditório. São capazes de tudo para defender a cor partidária e, quiçá, interesses à volta desta corporação. Embora a maior parte dos fanáticos, por paradoxal que pareça, sejam muitas vezes, directa ou indirectamente, prejudicados pela defesa que fazem, satisfazem-se apenas no ego quando sentirem-se por cima dos demais que não defendem a mesma linha.

O fanático revela características além da escolha ponderada, consciente e convicta do cidadão. O fanático literalmente luta pela sua insígnia com o objectivo de impor ou implantar suas convicções perante a sociedade. Os sentimentos preponderantes desse tipo de fanatismo são a intolerância, a convicção e a paixão. Regem-se por estas emoções sem sinais de racionalidade.

“O fanatismo partidário é o atributo mais poderoso e intenso de um idiota, que não aceita a sua estupidez.”

O fanatismo partidário demonstra ser uma forma de ignorância originada pela incapacidade de “pensar pela própria cabeça”, da falta de racionalidade e razoabilidade, da falta de bom senso, respeito, e, quem sabe, até de amor-próprio… Quem consegue fazer a sua escolha de forma racional e equilibrada, defendendo as suas convicções, é capaz de medir consequências dos actos, sabe reconhecer méritos e erros, não é “masoquista”, não inflige prejuízos a terceiros. Em suma, tem uma atitude social sã e correta perante a escolha que faz, a verdade e a realidade que o circunda.

O fanatismo partidário é um comportamento que, naturalmente, não tem aceitação perante a racionalidade e o bom senso, porque muitas vezes torna-se incompreensível como são únicos em perpetuar ideias erradas, convicções vazias, fruto da atrofia intelectual, da pequenez da mente e da cegueira doentia.

Nesta nossa realidade não nos faltam exemplos de fanáticos, quer na “situação” quer na “oposição”, com autênticas lavagens cerebrais que consomem e difundem tudo o que é imposto pelos interesses instalados de parte a parte. Cada vez mais tenho a convicção que a revolução maior deste país e desta ilha, a verdadeira independência/autonomia, advirá da capacidade do cidadão exercer o seu poder na plenitude, libertando de qualquer resquício de fanatismo partidário. Advirá da consciência crítica de cada um como cidadão, independentemente de simpatizar ou militar nos partidos políticos. Advirá da capacidade de pensar e agir pelo bom senso, razoabilidade e racionalidade a favor de todos e não somente na parte que interessa as corporações.

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