PD Consult entra na luta contra o cancro com propostas concretas

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O PD Consult tornou público esta segunda-feira cinco propostas para a luta contra o cancro em Cabo Verde e disponibiliza-se a apoiar, de forma gratuita e voluntária, entidades públicas e organizações da sociedade civil que queiram estruturar e aprofundar as ideias. Paulino Dias, que justifica esta iniciativa com a Responsabilidade Social e como contribuição ao “Outubro Rosa”, acredita que as propostas podem ser implementadas por organizações da sociedade civil, entre os quais a Associação Cabo-verdiana de Luta Contra o Câncer, junto com outros parceiros.

A primeira proposta prevê o estabelecimento de uma Rede de Apoio às Vítimas de Câncer e Famílias, integrando entidades públicas, serviços de saúde, organizações não-governamentais, confissões religiosas, empresas, e outros. “Esta rede, devidamente estruturada e intercomunicante, poderá actuar de forma coordenada, em todos os municípios, nas fases de informação e prevenção, despiste, tratamento, pós-tratamento e cuidados à família em caso de fatalidade”, sugere

Já a segunda propõe a criação de um Fundo de Apoio às Famílias Vítimas do Cancro, que poderá ser alimentado através de donativos, crowdfunding, campanhas e eventos de angariação de fundos e comparticipação de empresas à luz da Lei de Mecenato (que deveria ser ajustada para o efeito). Os recursos mobilizados, explica, podem ser aplicados em campanhas de informação, sensibilização e despiste, em bolsas-apoio para as famílias que ficam economicamente vulneráveis quando um membro é diagnosticado com cancro, em apoio durante tratamento, etc.

Indo ao detalhe, este presidente do Conselho de Administração da PD Consult fez as contas, tendo como base o número de pessoas que participaram nas caminhadas rosa em todas as ilhas. “A título de exemplo, supondo-se que tenham participado umas 10 mil pessoas nas caminhadas em todas as ilhas e se todas tivessem adquirido uma fita rosa por 500$00 para o Fundo, ter-se-ia arrecadado 5.000 contos. Se metade dos trabalhadores cabo-verdianos adquirisse pelo menos uma fita rosa por 500$00 por ano (equivalente a 04 cervejas…), poderiam ser arrecadados cerca de 50.000 contos todos os anos”, exemplifica.

Propõe ainda a promoção de uma rede de investigação sobre a doença em Cabo Verde, com o envolvimento das universidades, Ministério da Saúde e outras entidades. Estas deverão debruçar-se sobre questões como o aumento dos casos de cancro em Cabo Verde? Porque cada vez mais jovens são afectados? Quais as razões desta tendência – hábitos alimentares? Estilo de vida? E o que deve ser feito para ao menos abrandar esta tendência? Sugere ainda a criação de bolsas de investigação científica, cofinanciadas pelo Fundo, destinadas a investigadores, professores e estudantes que queiram explorar essas linhas de investigação.

A quarta proposta do PD Consult é a criação de um mecanismo de sensibilização e suporte às empresas na implementação de políticas internas de prevenção do cancro e apoio aos trabalhadores ou familiares vítimas da doença. E isso porque, argumenta Paulino Dias, o aumento de doenças desta natureza tem impacto negativo sobre a produtividade dos trabalhadores, pelo que as empresas teriam todo o interesse em “entrar nesta luta”, com políticas internas adequadas e articuladas com estratégias nacionais. Por último, sugere trabalhar com seguradoras e bancos na criação de produtos de seguros e de financiamento destinados a minimizar os impactos financeiros da doença sobre as vítimas e as suas famílias.

Constânça de Pina

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