Republicanos travam planos de Trump para reforçar indústrias nuclear

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A Comissão Federal de Regulação Energética (FERC), um organismo independente onde os republicanos são maioria, rejeitou os planos da administração de Donald Trump para reforçar as indústrias nuclear e de carvão com um programa de subsídios. Esta medida é um duro golpe numa das grandes promessas de campanha do Presidente norte-americano.

A decisão inesperada surgiu depois de Trump ter passado os últimos meses a reforçar a promessa de fazer renascer a decadente indústria do carvão nos EUA, para transformar o combustível fóssil na principal fonte de energia do país depois de o sector ter sido afectado por perda de valor nos mercados face à ascensão das energias renováveis e do gás natural.

No ano passado, o secretário da Energia, Rick Perry, apresentou uma proposta do governo para aumentar os apoios federais às infraestruturas nucleares e de carvão, sob o argumento de que é necessário apostar nas duas fontes energéticas para, em primeiro lugar, criar postos de trabalho e, em segundo, para evitar possíveis falhas na rede elétrica “numa altura em que o fornecimento está a ser afetado por coisas como desastres naturais”.

Sob o plano, propunha criar uma linha de financiamento às infraestruturas de carvão e de energia nuclear que, de outra forma, estavam condenadas a falir, sobretudo por causa da abundância de gás natural barato e do custo igualmente baixo das energias renováveis. O Departamento de Energia sublinhou então que, entre 2002 e 2016, houve 531 unidades de geração de energia a carvão que suspenderam trabalhos, a par de oito reatores nucleares que estavam prestes a deixar de funcionar no ano passado.

Ao longo da campanha presidencial e mesmo depois da vitória, Trump prometeu combater este desinvestimento e acabar com a “guerra contra o carvão”, enquadrando os avanços energéticos numa alegada guerra do Estado federal contra as comunidades mineiras que foram atingidas por regulações ambientais implementadas pela administração Obama.

Um relatório compilado por especialistas aponta que a implementação deste plano vai custar cerca de 10,6 mil milhões de dólares por ano aos contribuintes norte-americanos. Também foi sublinhado nessa análise que parte do dinheiro ia ser usado para reavivar algumas das estações elétricas mais velhas e poluentes do país. Ao rejeitar a proposta de Trump a FERC disse que, apesar de a administração alegar o contrário, não há quaisquer provas de que o encerramento dessas infraestruturas de carvão represente uma ameaça à fiabilidade da rede elétrica dos EUA.

Antes do ditame da comissão federal, o plano do Presidente tinha gerado uma coligação inédita de ambientalistas e empresários que, por norma, costumam integrar barricadas opostas e que, em outubro, se juntaram para acusar a administração de estar a apostar num plano “ridículo” e perverso que envolve demasiada interferência do governo federal no mercado livre. A ser implementado, referiram as empresas, os contribuintes iam sofrer com o aumento das faturas de eletricidade. Os ambientalistas acrescentaram a esse argumento alertas sobre os riscos ambientais e de saúde associados à exploração do carvão e do nuclear.

Na sua decisão, o painel de cinco especialistas da FERC concordou com as críticas, já depois de, no ano passado, o próprio Departamento de Energia ter sublinhado num relatório que a aposta noutras fontes energéticas garante uma fiabilidade “adequada” da rede elétrica, em parte graças ao aumento da exploração de gás natural e da energia solar e eólica.

C/Expresso.pt

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