Termina Congresso da UCID – Delegado defende pagamento de “dízimo” ao partido pelos deputados

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O Secretário da UCID em Santo Antão defendeu no 17º Congresso dos democratas-cristãos o pagamento de um “dízimo” dos rendimentos ao partido por parte das pessoas que mais lucram em nome dessa força política, em particular os deputados municipais e eleitos para o Parlamento. Segundo António Fernandes, é líquido que essas pessoas melhoraram o seu nível de vida graças à existência do partido, pelo que esse contributo seria justo e ajudaria no funcionamento da própria UCID.

“Todos sabemos que o financiamento é o calcanhar-de-Aquiles do partido pelo que é justo que retribuam parte desse rendimento à entidade que lhes deu essa projecção política. Nunca devemos no entanto confundir esse ‘dízimo’ com aquilo que vem expresso na Bíblia, apesar de sermos um partido de cariz democrata-cristão”, explica esse militante, para quem está aos olhos de todos os cabo-verdianos que os actores políticos andam a usar os partidos para galgarem outros horizontes, com o fito de resolverem os seus problemas pessoais, pelo que devem dar parte daquilo que ganham a essas organizações. “Se não fosse assim não teríamos tantas desavenças por causa de um cargo político”, realça esse congressista, cuja intervenção foi apoiada pelos colegas com uma salva de palmas.

Resta saber se a recém-eleita cúpula da UCID está de acordo e disponível a fazer esse “sacrifício” financeiro em nome do aparelho partidário. Este aspecto passou pelo menos ao lado do discurso do líder e deputado António Monteiro no encerramento do congresso. Na verdade, o reeleito Presidente dessa organização partidária preferiu centrar a sua mensagem naquilo que espera da “nova” UCID: um partido mais coeso, mais atento à governação nacional e municipal, mais reivindicativo das promessas eleitorais feitas pelo Executivo do MpD e que vai disputar as eleições autárquicas e legislativas com a ambição de mostrar ao eleitorado que tem condições também para ser poder.

“E por falar na governação local e nacional, temos neste momento um país pintado a uma só cor, já que quase todas as câmaras e o governo central estão nas mãos do MpD. Esta situação exige de nós, enquanto políticos preocupados com o futuro do país, uma reflexão profunda para evitarmos que a nossa democracia seja de uma voz única”, realçou Monteiro, para quem o seu partido sai do congresso reforçado e motivado a fazer de tudo para exigir o cumprimento das promessas eleitorais pelo Executivo de Ulisses Correia e Silva, como por exemplo criar 45 mil postos de trabalho no seu mandato e dar benefícios fiscais a micro, pequenas e médias empresas. Promessas que ainda não foram concretizadas, na perspectiva do responsável da UCID.

A nível interno, Monteiro realçou a novidade que foi a criação das Mulheres Democratas Cristãs no segundo dia do Congresso realizado em S. Vicente e algumas mexidas nos Estatutos do partido. Mudanças que vêm, por exemplo, especificar nesse instrumento que a UCID é um partido de tendência democrata-cristã (para facilitar a sua relação com congéneres estrangeiros) e alargar o prazo da realização dos Congressos de três para quatro anos (o que acaba por acontecer na prática nos mandatos).

António Monteiro, que foi reeleito com 114 dos 130 votos expressos, reservou os instantes finais da sua intervenção para falar de um incidente perpectrado pelo militante Lídio Silva no primeiro dia do Congresso, ao decidir abandonar a sala, não sem antes anunciar a sua saída das fileiras do partido. Para Lídio Silva, a magna reunião foi nada menos que uma farsa montada pela direcção-cessante para perpectuar António Monteiro no poder.

Mesmo assim, Monteiro aproveitou o púlpito para dizer que ficou triste com essa cena, além de que o partido não pode dar-se ao luxo de perder figuras tão carismáticas. Dito isto, desejou toda a felicidade ao ex-colega de partido e pediu uma salva de palmas para Lídio Silva.

Reconduzido para mais um mandato de quatro anos, Monteiro terá como vice-presidentes Dora Pires, João Luís e Francisco Silva. O jurista Geraldo Almeida comanda o Conselho Nacional, enquanto que Lino Salomão assume a presidência do Conselho Jurisdicional.

Kim-Zé Brito

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