“The Ship of Fools”, a viajar há 25 anos, chega a São Vicente com teatro a bordo

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O Navio de Bandeira Holandesa “The Ship of Fools” (Navio dos Locos) está em São Vicente depois de 25 anos a viajar a apresentar peças de teatro em vários países espalhados pelo mundo. Na ilha do Porto Grande até esta sexta-feira, 29, a comitiva de artistas de várias nacionalidades apresenta ao público a peça “O Capitão Louco” numa parceria com o grupo de teatro Somácambá.

“O Navio dos Loucos” segue as antigas tradições do teatro itinerante que traz alegria aos portos, ilhas e aldeias. A peça é uma comédia de teatro baseada na própria história que começou há mais de 20 anos, com um capitão louco o suficiente para embarcar artistas e músicos de todas as cores para uma jornada a redor do mundo, mas que nunca acaba. Uma peregrinação perpétua louvando a loucura.

Nessa peça falamos um pouco da realidade em que vivemos. Só poderemos ser loucos por viajar num barco pelo mundo a fazer teatro, porque dá muito trabalho. Não temos dinheiro e às vezes falta comida, mas fazemos isso por amor e pela vontade de conhecer outros povos. Esta viagem já dura há 25 anos. Somos loucos, mas se não o fossemos isso não poderia acontecer. Somos um grupo de loucos. As pessoas devem ser um pouco loucas, porque a loucura é uma qualidade imprescindível na vida, mas com limites”, explica o capitão Agostin Deirks após a primeira apresentação na noite desta Quarta-feira.

Na concepção da peça trabalha neste momento onze artistas, dos quais quatro pertencem ao grupo sãovicentino Somácambá. Há também a participação do escultor Hermes dos Reis. Os restantes cinco são actores/marinheiros provenientes da Itália, Espanha, Holanda, França e Áustria. “Estamos a fazer este trabalho com um grupo de artistas de São Vicente que está a colaborar connosco. Não queríamos vir e fazer este espectáculo apenas e ir embora, porque colaborar é muito mais rico. E na peça acabamos por incorporar alguns aspectos e frases em crioulo”, acrescenta ainda Agostin, para quem a escolha de São Vicente para aportar deve-se às suas características que encantam a qualquer viajante.

Eu estou a viajar há muitos anos porque não queria fixar-me na Europa, conhecer o mundo é muito mais interessante. Por isso sei que as ilhas são sempre muito bonitas, as suas gentes estão acostumadas com a vida portuária e fazem a conexão com o mundo. São geralmente uma comunidade que está aberta ao mundo e aonde as notícias chegam muito mais rápido do que no continente. Por isso as ilhas me encantam e São Vicente é muito bonita.”

O “Navio dos Loucos” saiu de Amsterdam e passou por Canárias antes de chegar em São Vicente. Depois segue em direcção ao Suriname, país que, segundo Agostin Deirks, apesar de não ser um arquipélago, tem algumas características em comum com Cabo Verde, por ter pouco mais de 500 mil habitantes. Mas, enquanto permanece em São Vicente, seguem roubando risadas aos mindelenses. Uma aventura que pode ser vista de perto apenas se levarem um quilo de alimento ou pagar 300 escudos, se for adulto, e 100 escudos para crianças.

Carina David

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