Torneios de Uril e Bisca em homenagem à Cise: Campeões apurados em partidas renhidas

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O bar Bodyzinho esteve super animado Domingo à tarde por causa da disputa simultânea das finais dos torneios de Bisca e Uril, enquadrados no programa “seis one de sodade” e que homenagea a malograda cantora mindelense Cesária Évora. Novos campeões foram apurados nessas provas, com Juvenal “Djuss” Gomes a sagrar-se vencedor do jogo de Uril, enquanto a dupla Anderson/Lau revelou-se invencível no torneio relâmpago de Bisca.

Ambas as provas foram feitas no sistema de eliminatória dada a escassez de tempo e ao elevado número de jogadores. A competição de Bisca foi disputada apenas no Domingo, com a participação de dezasseis duplas; já a de Uril envolveu 32 inscritos e decorreu durante três dias consecutivos.

“Foi um torneio difícil porque contou com bons jogadores. Acabei por ganhar o Manhone com uma relativa facilidade, se levarmos em conta o confronto renhido que tive com o Pitanca nas meias-finais”, comenta Djuss, homem de Santo Antão, que começou a jogar Uril em S. Vicente, um jogo que ele considera difícil e desgastante, por exigir muita concentração e “contas de cabeça”. Segundo Pitanca, Djuss foi um adversário inteligente na semifinal, um jogador que soube aproveitar um erro fatal que cometeu e dominar a partida decisiva.

A mesma apreciação do jogo de Uril tem Orlando “Manhone” Sousa, ele também originário da ilha das montanhas e que enfrentou outro patrício numa final que durou quase duas horas. “Encontrei um adversário à altura, um jovem que aprendeu algumas jogadas comigo, mas que hoje está melhor que eu e mereceu o prémio”, reconhece Manhone, que começou a jogar em Santo Antão, mas que “baixou a bola” depois de passar a enfrentar os “mestres” de S. Vicente. “Quando vim de Santo Antão tinha a mania que era bom jogador, até ver o Pardal, Paus, Pitanca, Naiss d’Quintino, Cirilo e outros a jogar. Afinal das contas não sabia nada!”

A organização do torneio esteve a cargo da Associação de Uril de S. Vicente, que se mostra satisfeita com a adesão de jogadores, o nível competitivo e o comportamento dos participantes. Esta é a segunda edição consecutiva, que foi concebida para perpectuar a memória da diva Cise, que era uma especial apreciadora desse jogo popular. “É preciso continuarmos com esta dinâmica do Uril, que é um jogo praticado em todo Cabo Verde Seria interessante surgir mais duas associações e criarmos uma federação porque estamos a falar de uma modalidade desportiva, tal como é o Xadrez, e que merece a atenção do próprio ministério que tutela o Desporto”, comenta Armindo “Batxa” Gomes, para quem hoje há jogadores de níveis equivalentes em S. Vicente, ilha onde, nas suas palavras, se concentram os melhores “cérebros” dessa modalidade.

No tocante ao torneio de Bisca, outra modalidade bastante popular na cidade do Mindelo, a dupla Anderson/Lau teve de suar para derrotar as equipas adversárias. Como reconhece Anderson, houve duelos equilibrados e não foi fácil derrotar Fonseca e Adriano na final. “Foi um jogo renhido, mas estou satisfeito porque atingimos os nossos objectivos”, comenta Anderson, que não escondeu o seu orgulho em ter Lau como parceiro, um jogador que, por sinal, chegou a infringir-lhe uma derrota na final de outro torneio.

Kim-Zé Brito

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