UniMindelo inaugura eco-construção de 120 mil contos

532

O Primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva inaugurou ontem à tarde o novo edifício do campus da Universidade do Mindelo, uma eco-construção que custou mais de 120 mil contos. A informação foi avançada pelo Reitor Albertino Graça, que enfatizou a ousadia dessa universidade ao fazer um investimento dessa magnitude, numa altura em que há uma redução significativa do número de alunos inscritos nas escolas do ensino superior em Cabo Verde, devido a dificuldades financeiras. Uma realidade que, segundo Graça, demanda uma profunda reflexão das autoridades e leva a UniMindelo a apostar na sua internacionalização.

Era evidente a satisfação de Albertino Graça perante esta “obra monumental”, que emerge no quadro das comemorações do 15º aniversário da UniMindelo sob o lema “Universidade do Mindelo 15 anos a formar Cabo Verde”. Após saudar os presentes – autoridades, representantes da Fundação Isidoro da Graça, o Doutor Honoris Causa Onésimo Silveira, de entre outros – fez uma breve retrospectiva do percurso da instituição, que a 11 de Outubro de 2011 inaugurou o seu 1º bloco. E, por coincidência ou não, exactamente seis anos depois essa escola avança com o bloco C. Porém, a sua alegria maior é porque, apesar da grandiosidade da obra, foi possível à empresa controlar os custos, assumindo a construção do edifício em regime de administração directa.

“Tivemos a oportunidade de pôr em prática os nossos conhecimentos em cada momento, introduzir as alterações necessárias, escolher as soluções mais adequadas, conciliando custo e qualidade e respeitando os prazos de execução de cada tarefa. Hoje temos este prédio, que é uma referência da arquitectua nacional e, em particular, desta zona da cidade do Mindelo. É um marco na paisagem e valoriza todo este entorno”, afirmou Albertino Graça, que aproveitou para informar que a construção foi desenvolvida em sete pavimentos, sendo que no térreo encontram-se o Auditório Onésimo Silveira e a Reitoria, que ligam o pátio Fã Zone ao conjunto integrado dos serviços académicos e o Bloco A. Nos demais andares estão localizados os laboratórios de investigação científica, salas de aulas e de conferência, salão nobre, de entre outros.

No sétimo piso, encontra-se a ponte metálica que liga as duas torres do campus universitário. “Este edifício é uma eco-construção porque tem uma boa iluminação e foram acautelados o aproveitamento das águas residuais e da condensação do ar refrigerado. Tem ainda controlo térmico e de humidade. Assumimos a tecnologia como uma métrica pela qualidade e eficiência deste edifício. O recurso às energias renováveis, designadamente solar e eólica, permite manter os nossos estudantes, docentes e funcionários confortáveis e produtivos. Isto sem contar com uma poupança significativa nas facturas de electricidade”, indica, Graça, que classifica ainda o Bloco C de um edifício democrático, convidativo e que desperta o interesse de quem passa pela zona.

Para conseguir este resultado, segundo o reitor da UM, foi preciso o envolvimento de todos os funcionários, docentes e estudantes, facto que o levou a nomear e a agradecer publicamente a professora Dominica – que se tem revelado uma “grande gestora de obras”, passando pelos Contínuos que chefiaram as equipas de pintores, pedreiros e serventes, carpinteiros -, aos estudantes e restantes quadros – que “aguentaram” a universidade enquanto os outros estavam envolvidos na construção. Lembrou igualmente as muitas conquistas académicas da universidade ao longo destes 15 anos, quando ousou ser a primeira universidade privada genuinamente nacional e que soube fazer em tempo oportuno as transformações e adaptações para manter o patamar de qualidade.

Privilegiamos os cursos de graduação e pós-graduação que propiciam e alavancam os projectos de desenvolvimento do país não só nos sectores económico e social, como também no da Saúde, onde o conhecimento cientifico e as tecnologias de ponta fazem a diferença em termos de know how”, realçou Graça, que enalteceu o facto de a UM ser uma universidade pioneira no ensino à distância, através das tecnologias de informação e comunicação. Da sua visão inicial, segundo essa citada fonte, a UM cresceu na sua matriz humanista e abriu-se às ciências exactas e às engenharias. Além disso, a universidade estabeleceu parcerias com universidades, escolas e instituições do ensino superior estrangeiras, que contribuíram de forma significativa para nos ajudar a vencer os desafios a que nos propusemos.

Com isso, de zero publicações científicas em 2010, hoje a UM orgulha-se de dizer que tem 332 trabalhos expostos no Portal do Conhecimento para consulta dos investidores, estudantes e académicos. E, para o próximo mês de Dezembro, anuncia o lançamento do nº 4 da sua revista cientifica, este ano em dose dupla. “É um número especial porque traz artigos de académicos do mundo inteiro e, pela primeira vez, dos nossos doutorandos. Estamos ainda a preparar o nosso Plano Estratégico para o biénio 2018-2020. E, numa vertente mais ambiciosa, queremos a internacionalização como compromisso institucional”, informou Albertino Graça, realçando que tudo isso acontece num ano em que o número de alunos inscritos na UM reduziu significativamente devido a dificuldades financeiras das famílias.

Aula Magna: Regionalização

Era a deixa para Ulisses Correia e Silva proferir a primeira aula deste ano lectivo. Durante cerca de uma hora, o PM dissertou sobre o tema Regionalização para uma enorme plateia que lotou o Auditório Onésimo Silveira, constituída por professores, políticos, representantes de serviços e instituições sediadas em São Vicente e estudantes. Correia e Silva teve o cuidado de apresentar todos os modelos de regionalização existentes, elencar os desafios e os custos inerentes ao processo para justificar a escolha do Governo na Regionalização Administrativa que, a seu ver, é a que melhor se adequa à realidade de Cabo Verde, um país constituído por ilhas.

Apesar de longa, a explanação não trouxe grandes novidades, até porque todas as informações constam do documento em consulta pública e que vem sendo partilhado nas redes sociais. A sua intervenção acabou por suscitar inúmeras reações, caso por exemplo de Nelson Faria, que disse ter registado um pendor centralizador em várias passagens da intervenção do PM, sobretudo quando faz referência à dinâmica produtiva dos centros e à questão das vantagens competitivas nacionais de determinadas regiões em detrimentos de outras. Para ele é bom lembrar que o desiquilíbrio regional foi um processo imposto em Cabo Verde. “Globalmente, o PM justificou bem a questão ligada ao adiamento das eleições regionais, apesar de discutível. Tentou desmistificar a vertente custos desta nova etapa, indicando a necessária avaliação custo/benefício que deve ser feita, mostrando que os benefícios são maiores e que conseguem diluir os custos. Todavia, ele não esteve tão bem e nem tão explicito quanto ao modelo proposto e à enormidade de novos cargos políticos que criará e, se, mudando o figurino regional, manteremos o figurino nacional de domínio de uma ilha sobre as demais”, pontua.

Para este activista do movimento Sokols, o Primeiro-ministro acabou por driblar a questão essencial que lhe foi colocada no decurso da aula: até a consumação da Regionalização tal como exposta, quais as medidas descentralizadoras que o Governo pretende tomar para que a Regionalização se consuma como um processo compreensível pela população?

De acordo com esta nossa fonte, o PM não precisou, não clarificou e nem indicou qualquer medida governativa, remetendo apenas para o debate do tema por parte dos partidos e da sociedade civil. Por isso diz manter o seu cepticismo à volta do processo de Regionalização proposto e sua conciliação com o sistema político decisório nacional, que nada pretende alterar na Constituição da República. Ou seja, manterá demais poderes centralizados e centralizadores.

Refira-se que, conforme os números avançados pelo Primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, o modelo de regionalização preconizado pelo Governo, ou seja, a Regionalização Administrativa, está orçado em cerca de 385 mil contos anuais, valor que tem um peso de 0,25% do Produto Interno Bruto. Este valor inclui, entre outras, as despesas com o pessoal (14 mil contos), os custos de funcionamento das Assembleias Regionais (63 mil contos) e as subvenções do Estado (35 mil contos).

Constânça de Pina

(Visited 556 times, 1 visits today)

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here