Visão e visionários, por onde andam?

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Por Nelson Faria

Visão de desenvolvimento é basicamente uma habilidade para tomar decisões numa determinada orientação e empreender projectos de acordo com um cenário amplo, avaliado e congregado de forma sistémica, incluindo factores internos e externos. É ver um caminho capaz de alavancar o desenvolvimento de uma organização, comunidade, autarquia, ilha e agir no sentido de se aproveitar todos os meios, recursos, potencialidades e oportunidades para tirar o máximo proveito destes factores para o fim que se pretende. Espera-se que seja sempre para o todo e a favor do bem comum, tratando-se das comunidades, autarquias ou ilhas.

O visionário, geralmente, compreende o meio e a organização em que atua, de forma sistémica. Planeia, organiza, dirige, lidera, controla e actua para atingir resultados acima da média e de acordo com os fins a que se propõe. Isto porque é capaz de identificar o seu papel com clareza, desempenha suas funções com clarividência, eficácia e eficiência, agindo assertivamente para o alcance das metas estabelecidas. Para se ter ou atingir este patamar é necessário que o visionário conheça muito bem os cantos à casa: as forças, as fraquezas, as oportunidades, as ameaças, as potencialidades, os limites e acima de tudo o quanto se pode obter deste conjunto.

As questões que coloco são: será que temos tido visionários na gestão da coisa pública? central e local? Será que as ditas e escritas “visões” de papel têm-se cumprido? Será que os belos documentos de estratégia estão a favor do todo e de todos para alavancagem e melhoria de vida das populações? Ou será que esta dita visão de papel não passa de instrumentos decorativos que são substituídos por visões ligadas a interesses individuais e corporativos? Dúvidas minhas.

Ora, muito da nossa reclamação enquanto cidadãos incide sobre acontecimentos, factos, momentos e eventos conjunturais/pontuais levando muitas vezes que as acções dos que deveriam ser visionários sejam igualmente pontuais e desconexas de eventuais visões. Isto demonstra que, mais do que nunca, precisamos de visionários capazes de liderar o desenvolvimento, capazes de comunicarem e elucidarem a sociedade civil sobre o caminho a percorrer, as metas e objectivos, a estratégia e as acções, para que acontecimentos fugazes e pontuais sejam tratados como tal. Andamos iludidos. Falta visão, falta liderança! Muitos “pedreiros” sem “arquitectos”.

De momento sonho com um visionário capaz de servir São Vicente, que compreenda as potencialidades e oportunidades que a ilha proporciona, independentemente das mazelas do centralismo. Alguém que consiga ver a ilha no seu todo e alavancar o seu desenvolvimento: na cultura, no desporto, no lazer, no mar, no património, na Baía do Porto, no Porto, na costa, na agricultura e pecuária, que também existe, nos negócios e dinâmica empresarial, no ambiente e saneamento… Alguém que conhece ou consegue ver um caminho a ser percorrido e que não seja fruto das circunstâncias… Alguém capaz de liderar a ilha.

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