Marco Bento eleito para dirigir Ligoc-SV: “Momento histórico” para o Carnaval d’Soncent

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Os grupos carnavalescos de S. Vicente fizeram ontem história com a oficialização da sua liga e consequente escolha dos corpos sociais, numa assembleia concorrida e marcada por um debate acérrimo sobre alguns pontos dos Estatutos. O empresário Marco Bento foi escolhido para presidir a direcção Executiva e, em conversa com Mindelinsite, frisou que o objectivo da sua equipa é fortalecer a união entre os grupos oficiais, captar recursos financeiros e mobilizar ainda mais os cabo-verdianos em torno dessa manifestação cultural. “É uma responsabilidade enorme passar a organizar um evento com a envergadura do Carnaval de S. Vicente, embora com a imprescindível parceria da Câmara Municipal. Um dos grandes desafios será mobilizar recursos financeiros para ajudar os grupos, mas vamos fazer esse trabalho no país e na diáspora”, elucida Marco Bento.

Conforme os Estatutos, pode a direcção fazer empréstimos bancários até 15 mil contos – cifra que despoletou alguma contestação na assembleia – mas, para o responsável da Ligoc-SV, esse tecto poderia ser ainda mais alto. Como diz é a favor de um limite, no entanto entende que é preciso haver mais ambição. “Quinze mil contos é um valor irrisório para a grandeza e exigência actual do nosso Carnaval e nunca sabemos como será no futuro. A minha ambição, para não dizer uma meta, é que possamos atingir um orçamento acima dos cem mil contos”, avança Bento, que terá um mandato de dois anos à frente dessa entidade.

A expectativa dos grupos é que a Ligoc-SV possa mostrar eficácia já no desfile de 2019, facilitando fundamentalmente o processo de financiamento dos projectos em tempo útil. Como recorda Ana Ramos, há mais de um ano que os dirigentes de Flores do Mindelo, Vindos do Oriente, Samba Tropical, Monte Sossego e Cruzeiros do Norte vêm trabalhando nesse parto porque estão cientes das vantagens que a Liga irá trazer para o Carnaval d’Soncent. Na perspectiva dessa dirigente, o impacto da iniciativa será sentido já no próximo ano tanto na organização do desfile como na performance dos grupos oficiais. “Os grupos terão também de acompanhar as mudanças e acredito que se sentirão mais motivados”, salienta a presidente do Flores do Mindelo.

Para os responsáveis do Samba Tropical, Vindos do Oriente e Monte Sossego não restam dúvidas de que o Carnaval de S. Vicente ficou munido de uma ferramenta que vai desbravar caminho e catapultar essa festa popular para um patamar organizativo sem precedentes. David Leite, presidente do Samba, vai mais longe e prognostica a profissionalização do Carnaval d’Soncent nos próximos tempos.

“Para chegarmos aqui foi desenvolvido um trabalho árduo que durou mais de um ano e envolveu todos os grupos, a Câmara de S. Vicente e contou com o apoio técnico da Liesa – Liga dos Grupos de Carnaval do Brasil. Com a organização dos desfiles nas mãos da Liga sem dúvida que vamos caminhar para a profissionalização do Carnaval porque todos queremos transformar esse evento num produto turístico de excelência. Isto vai permitir a rentabilidade do Carnaval e gerar retorno”, considera Leite, que presidiu a comissão ad-hoc.

A criação da Ligoc, diz António “Patxa” Duarte, deve ser aplaudida de pé, pois “representa uma vitória de todos os grupos carnavalescos e da Câmara de S. Vicente.” Para o presidente do Monte Sossego, foi dado um passo gigantesco, mas ninguém pode pensar que chegaram à meta. “Trata-se de uma etapa importante, que vai ao encontro de uma expectativa criada há anos de passar a haver uma entidade especializada na organização dos desfiles. A partir de agora vamos passar a contar com o empenho de uma entidade que vai procurar financiamento para os grupos e que pode fazer isso através da assinatura de protocolos, celebração de contratos para transmissão dos desfiles, da subvenção da Câmara e do ministério da Cultura, etc.”, elucida Duarte, que realça o facto de os Estatudos contemplarem a existência de um Conselho Deliberativo, composto pelos grupos oficiais, e que trabalha entre assembleias em estreita sintonia com a direcção Executiva.

O nascimento da Ligoc vai dar outro valor e abrir novas formas de se trabalhar no Carnaval, na perspectiva de Josina Freitas, dirigente do Vindos de Oriente. A seu ver, todo o debate havido na assembleia constitutiva – muitas vezes despoletado pela sua própria intervenção – é algo normal e visou apenas melhorar a intervenção futura da Liga. “O debate não era contra a Liga porque todos os grupos estão de acordo com o seu surgimento, tanto assim que houve apenas uma única abstenção no processo de votação. Aquilo que pretendíamos era acautelar certos aspectos que, a nosso ver, precisavam ser melhorados nos Estatutos”, explica Freitas, que deseja sucessos à direcção da Ligoc-SV pois acredita que terá de fazer um trabalho abnegado para montar a estrutura e colocar em prática o seu programa de actividades.

O surgimento da Liga já era uma necessidade sentida em S. Vicente, na perspectiva da Vereadora Solange Neves, devido a dimensão que o evento vem atingindo. A seu ver, o Carnaval vai sair a ganhar porque passará a contar com o empenho de uma estrutura vocacionada para os desfiles, enquanto a parte logística continuará sob a responsabilidade da Câmara de S. Vicente. “Passará a haver uma divisão de responsabilidades com base numa parceria”, frisa a Vereadora do pelouro das Actividades Lúdicas, relembrando que o desfile deste ano foi uma primeira experiência dessa parceria e os resultados ficaram à vista de todos.

A assembleia constitutiva da Liga contou com a presença de quase três dezenas de dirigentes e figuras que têm trabalhado em prol do Carnaval. Os presentes votaram numa lista única consensual para a Mesa da Assembleia-Geral, a Direcção Executiva, o Conselho Fiscal e o Conselho Deliberativo. Esses órgãos sociais entraram imediatamente em funções já com os olhos postos no Carnaval 2019.

Kim-Zé Brito

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