“Sodade” cantada por duas vezes no dia da estrondosa estreia dos UB40 e Claudia Leitte no “Baía das Gatas”

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A música Sodade não quer largar o palco da Baía das Gatas, muito por “culpa” de artistas internacionais convidados para a 34 ediçao do festival. Depois da portuguesa Dulce Pontes, ontem foi a vez da brasileira Claudia Leitte e o angolano C4 Pedro homenagear Cabo Verde e a eterna Cesária Évora com a sua versão daquela que é a composição mais famosa deste arquipélago atlântico. Em relação a Leitte, foi uma cantora emotiva, activa e comunicativa que tirou da sacola “Sodade” para satisfação de um público já “enturmado” com a enérgica performance dessa cantora de música Axê e que viu o sonho de cantar na África ser realizado na cidade carnavalesca do Mindelo.

Quando a expontânea Cláudia Leitte assumiu o controlo do palco herdou um público positivamente “anestesiado” com a melodiosa interpretação dos grandes sucessos da banda britânica UB40. Toda a “baía” sintonizou as antenas para apreciar esse grupo de reggae e testemunhar essa histórica actuação, que muitos jamais pensavam ser possível ver ao vivo na ilha de S. Vicente. Foram cerca de noventa minutos que revelaram um Alli Campbell igual a si próprio, tal como a sua voz é escutada nos tantos discos lançados. Sucesso após sucesso, o delírio maior chegou quando interpretou “Red, red wine”. Campbell mostrou vontade em regressar, mas há quem se tenha reclamado da fraca interacção do cantor com o público.

O festival começou às vinte e trinta e por uma hora a animação esteve por conta de DJ Rudy e DJ Vavá. Em seguida, o Carnaval de Verão “aterrou” em pleno no palco, com a entrada em cena do músico Dudu Nobre, sua banda e bailarinas. Depois de tocar vários sambas do seu amplo repertório, esse cantor brasileiro, já quase convertido cabo-verdiano, cedeu o espaço aos colegas Edson Oliveira e Gai Dias. Uma passagem de testemunho que atiçou os “foliões”, que cantaram e dançaram um remix das músicas dos cinco grupos oficiais e do Samba Tropical.

“Repetente” no festival, C4 Pedro assumiu a responsabilidade de fechar o segundo dia do musical. Trouxe na bagagem o álbum “The Gentleman” para Cabo Verde, o quinto país onde apresentou o disco. Como é natural, relembrou os sucessos da sua carreira e anunciou que até o final do ano vai lançar um novo projeto que junta música e cinema. Parte das cenas será gravada em São Vicente e haverá passagens em crioulo. “Tem sido agradável ter esta ligação com Cabo Verde e com os cabo-verdianos, por isso pretendo sempre voltar”, conclui o angolano.

Fora do palco, o segundo dia do festival foi mais intenso em termos de ocorrências. O corpo de emergência instalado na Baía registou sete casos de agressão, tendo um deles sido encaminhado para o banco de urgência do hospital Baptista de Sousa. Na sua maioria, as situações envolveram pessoas alcoolizadas.

Este festival, diga-se, tem suscitado alguma controvérsia muito por causa dos vários palcos “paralelos” instalados ao longo da praia e que acabam por fazer concorrência à actuação dos artistas. Na maioria dos casos o som das aparelhagens é tão alto que interfere com os decibéis do palco principal. E muitas vezes as pessoas ficam por saber se começou o espectáculo seguinte por causa da potência sonora desses espaços de animação e de marketing de algumas empresas patrocinadoras.

As reclamações provêm também dos jornalistas, fotógrafos e camaramen que estão a sentir sérias dificuldades em fazer o seu trabalho devido a várias colunas colocadas em frente ao palco e que deixam pequenas brechas para quem quiser captar uma imagem em “melhores” condições.

Hoje, ultimo dia, o show vai estar a cargo de Batchart, Nelson Freitas e Richie Campbell & The 911 Band.

Sidneia Newton (Estagiária)

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