Cynthia Ramos: Um ano a criar bijutarias com materiais recicláveis para driblar o desemprego

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Quem conhece Cynthia Ramos provavelmente já ouviu falar de Divah by Imperatriz, uma marca de bijuterias lançada nas redes sociais por essa moça de 32 anos, que decidiu socorrer-se do seu talento em trabalhos manuais para driblar o desemprego. “Foi mesmo para fintar a crise”, confessa. 

Um ano depois desse clic, Cynthia olha para o passado, mas com uma esperança feroz no futuro. Os seus brincos, pulseiras, porta-chaves e colares – fabricados em casa e com material reciclável -, enfatiza, estão a conquistar o mercado cabo-verdiano e a “cobrir” as suas despesas, a tal ponto que pondera abrir a própria empresa o quanto antes. “É o próximo passo”, afirma, sem pestanejar.

Na verdade, essa jovem está com o olhar bem fixo na linha do horizonte. Tudo por conta da sua versatilidade e confiança na sua capacidade em produzir aquilo que lhe solicitam e com “qualidade garantida”. “Um dos primeiros produtos que lancei e fez sucesso foram os brincos pom-pom. Foi uma febre e outras lojas, inclusive chinesas, começaram também a apostar nesse género de brincos. Mantive os meus clientes e o meu preço dada a qualidade dos meus produtos, principalmente no processo de acabamento”, assegura.

Dos brincos, Cynthia Ramos saltou para porta-chaves, pulseiras e colares destinados fundamentalmente à classe feminina. Depois resolveu atacar também o mercado masculino, porque, comenta, “hoje em dia eles também gostam de usar os seus acessórios”. Embalada, incluiu mais tarde uma outra vertente na sua “linha de produção”: enxoval para bebés, o que abrange até a personificação dos cartões de PMI das criancinhas. 

As novidades, no entanto, não param por aqui. A próxima aposta já está estudada e será lançada em breve: t-shirts com frases inspiradas nas expressões populares mais usadas em S. Vicente. Os principais destinatários, revela, são os emigrantes. “Quero explorar o lado sodade d’terra”, especifica. O design e a produção, acrescenta, serão assegurados em S. Vicente, ilha onde, diz, há pessoal talentoso e empresas que podem satisfazer a impressão das camisolas. 

A par dos produtos de moda que produz, Cynthia Ramos tem estado a explorar um outro nicho: assistência em produções audiovisuais em maquiagem e caracterização de figurinos. O seu primeiro trabalho foi com a marca de roupas Exotric, mas já trabalhou para a produtora colombiana FTZ Studio – que capturou imagens para um clipe em S. Vicente e Santiago no mês de Maio – e com a artista Elly Paris, como assessora para a área de multimédia. 

Na confecção dos seus produtos, Cynthia Ramos trabalha exclusivamente com matéria-prima reciclável. Plástico e papelão são os utensílios de eleição. “Fiz um acordo com uma loja que me fornece o lixo proveniente de plástico. Quando tenho que comprar algum papel, prefiro sempre usar papel reciclado porque é importante assumirmos a nossa cota de responsabilidade na preservação da natureza”, comenta essa jovem, que estimula os próprios clientes a usar esse género de materiais e a reutilizar as peças antigas.

Por enquanto esta “artista” trabalha sozinha em casa, mas espera poder crescer e empregar outras pessoas. Por isso já está a preparar um espaço onde vai montar a unidade de produção da sua empresa. Para ela, ir para o desemprego mostrou que, afinal, o saber não ocupa espaço. Pelo contrário, oferece ferramentas para a sustentabilidade, principalmente em tempos de crise.

KzB

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4 COMENTÁRIOS

  1. Gostei. Parabéns Cynthia pela tua criatividade e ousadia para contornar o desemprego. Se esse tipo de iniciativa for apoiado, vai trazer grandes benefícios ao país em termos de emprego e economia. Uma forma de apoio seria disponibilizar espaços adequados para os artesãos exporem os seus trabalhos. O edifício situado na Avenida 5 de Julho onde dantes funcionavam os Registos, recuperado, servia muito bem para esse fim, e passava a ser um ponto de atração turística. Vamos fazer força nesse sentido! Está lançado o desafio.

  2. Isso mesmo Cinthya, sucessos. Quão bom é fazer a diferença nesta nossa sociedade. Vá em frente, vá firme. Tudo depende de nós.

  3. Parabens amiga muitos parabens fico muito contente por ti, não deixar abater pelo desemprego.
    Infelizmente cabo verde não tem trabalho para todos que querem trabalhar vejo por mim, sai de la a procura de uma vida melhor que graças a deus consegui, mas em fim ganhamos de um lado perdemos de outro. longe da família só resta as saudades. estou muito orgulhosa de ti, sempre foste guerreira e batalhadora. bjos felicidades princesa Cynthia Ramos

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