2018, um ano “negro” para São Vicente: “Ilha mítica” perde várias figuras emblemáticas do desporto, cultura e mundo empresarial

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A morte à facada do jovem Nazu, na madrugada de 01 de Janeiro, marcou o início de 2018, ano que seria de muitas perdas para São Vicente. Da cultura ao desporto, passando pelo activismo social, o Mindelinsite noticiou a partida de várias personalidades representantes de quase todos os sectores, que deixaram saudades na ilha do Porto Grande. Mas foi o desporto, mais precisamente o futebol, que ficou claramente mais pobre.

Do leque de figuras marcantes cujas vidas registaram um final inesperado, destaca-se o caso do jovem Kelvin Yannick, que faleceu na madrugada do dia 04 de Janeiro no hospital de São Vicente. Muitas pessoas mostraram-se consternadas com a notícia por se tratar de um jovem dinâmico, conhecido por ser um amante da festa do Rei Momo. Foi coroado Rei do Carnaval pelo grupo Vindos do Oriente e era figura de destaque nos desfiles.

Seis dias depois, a dia 10 de Janeiro os praticantes e adeptos das artes marciais choravam a partida do sensei Djack, vítima de problemas renais, aos 62 anos. Ainda no desporto, os familiares do futebolista Nuno Silva foram surpreendidos no dia 18 com a notícia do assassinato deste jovem, na ilha do Sal. A fechar o mês, 28, se soube da morte do locutor Rito Melo. Estava a jogar cartas na zona de Pé d´Verde quanto sentiu uma indisposição. Foi levado ao hospital e submetido a uma cirurgia, mas acabou por falecer.

No dia 02 de Fevereiro o activista desportivo Gerson Melo revelou no Facebook, através de uma mensagem “poética”, a morte da mãe Eva Melo. Considerada uma mulher de espírito jovem e extrovertida, Eva faleceu em Portugal, onde se encontrava em tratamento. Mas a notícia que “gelou” o Carnaval, no dia 14 de Fevereiro, foi o passamento de Anildo “Cubilas” dos Reis, na Holanda, onde estava de férias. Cubilas também se destacava como activista social, enquanto membro do movimento Sokols.

Nesta equação de subtrair, São Vicente perdeu em Março João Chantre, figura carismática conhecida por “Djodje d´Tribunal”, aos 82 anos, vítima de doença. Djodje foi um desportista nato, tendo vestido as cores do Amarante como jogador. Mas foi como treinador do Castilho que conquistou o único título nacional da histórica do clube. O antigo futebolista Luís “Liz Canela” Delgado também deixou o mundo dos vivos. Aos 67 anos, Liz Canela, que foi campeão nacional pelo Castilho na década de 70, morreu vítima de doença.

Do desporto para a Arte, em Março morria o artesão Djoy Soares, muito conhecido em toda a ilha de São Vicente, principalmente por ter um atelier no Centro Social da Ribeira Bote, onde fazia peças utilitárias de barro há duas décadas. Uma notícia que surpreendeu os colegas artesãos e amigos da Associação Mornajazz, enquanto membro activo.

Saltando para Maio, a ilha do Porto Grande perde mais um filho: o capitão “Bernolde” Coelho, um dos melhores jogadores a passar pelo Mindelense e de Cabo Verde. “Bernolde” formava junto com Cadino e Pedras o “Trio d´Sonho” do clube encarnado da Rua d´Praia. A tristeza voltou em Julho com a morte do escritor Martinho de Mello, aos 83 anos.

Setembro já caminhava para o fim quando, depois de um ano intenso com participação em várias provas, chegou a notícia do falecimento do velejador solitário António da Cruz. Topad foi vítima de um acidente cardiovascular. Chegou a ser submetido a duas cirurgias de emergência num hospital suíço, mas não resistiu aos danos provocados.

No dia 28 de Novembro os mindelenses seriam mais uma vez surpreendidos com o passamento do jurista José Luís Fonseca, reformado da seguradora Ímpar e membro da direcção do Clube Sportivo Mindelense durante a gestão do empresário Augusto Vasconcelos Lopes. Membro da Ordem dos Advogados de Cabo Verde (OACV), faleceu em Portugal vítima de doença.

Quem também deu o último suspiro em Portugal foi o empresário João Henrique Martins, mais conhecido por Quinquinhas, aos 68 anos de idade. Foi no dia 25 de Dezembro, data simbólica para os cristãos, que os amigos foram surpreendidos pela notícia. O malogrado deslocou-se a Portugal para exames de rotina, mas acabou por falecer vítima de cancro.

Enfim, uma série de perdas que enlutaram profundamente a sociedade mindelense. Neste dia em que damos o adeus a 2018, Mindelinsite augura um ano mais alegre à ilha mítica do Monte Cara.

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