Serviço militar: Jovens com mais de 26 anos obrigados a apresentar-se no Centro de Instrução do Morro Branco

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A decisão das Forças Armadas de Cabo Verde de recrutar pessoas que nasceram em 1991/2, ou seja com 26 e 27 anos, está a provocar descontentamento e apreensão entre estes jovens, que questionam a justeza desta medida. O Comandante da 1ª Região Militar, José Rui Neves, garante que esta não é uma medida de excepção e também não há violação da lei, até porque, enquanto estado de direito democrático e a lei prevê serviço obrigatório até aos 35 anos. “Percebemos que muitos jovens pediam adiamento, alegando estarem inscritos em universidades, que nunca frequentavam. Trata-se de um subterfúgio para fugir da tropa”, alega.   

A informação, em jeito de alerta, está a circular nas redes sociais e foi retomada pelo Provedor do Mindelo, que publicou uma nota com uma série de inquietações de um munícipe. Este informa que, este ano, as Forças Armadas de Cabo Verde (FACV) estão a recrutar jovens que nasceram a partir do ano de 1991. A mesma fonte reconhece que esta medida não é contra a lei, sendo que este diz que qualquer cabo-verdiano pode ser chamado para servir a pátria até aos 35 anos, desde que esteja apto.

Mas levanta uma série de questões: “Será isso justo, visto que não há nenhuma razão aparente? Será justo chamar para as FA um jovem/adulto com 26 ou 27 anos, com formação superior ou não, que esteja a trabalhar com contrato em alguma empresa? Será justo chamar um adulto com vida praticamente encaminhada, visto que muitos já têm família constituída e muitas destas famílias, com certeza, dependem deles”, indaga, lembrando que muitos destes jovens, que terão de apresentar-se no Centro de Instrução Militar no próximo mês, já tem responsabilidades, nomeadamente aluguer de casas, empréstimos bancários, educação dos filhos, de entre outros.

Para este munícipe, estas são situações que precisam ser tidas em consideração, mas que estão a ser ignoradas pelas FA-CV que, a seu ver, não querem saber de nada. A prova disso, afirma, é que muitos apresentaram documentos a justificar a sua situação, mas não foram dispensados, ou seja, terão de apresentar no Centro de Instrução Militar na data prevista. “Ainda há possibilidade de alguns serem dispensados quando se apresentarem, mas será que vale a pena correr o risco de não voltar para casa? Ou será que a solução é não se apresentar e ser considerado desertor, sendo que isso constitui um outro problema. É que se quiserem sair do país, só o poderão fazê-lo depois dos 35 anos. O que fazer?”, pergunta este munícipe, que se mostra preocupado e agastado com a medida.

Sem resposta, este pede que a situação seja avaliada por quem de direito.

Serviço militar obrigatório

Ao Mindelinsite, o Comandante da 1ª Região Militar mostrou-se tranquilo e garante que a decisão de recrutar estes jovens que nasceram a partir de 1991 não resulta de nenhuma medida de excepção. Segundo José Rui Neves, Cabo Verde é um estado de direito e a lei prevê serviço militar obrigatório até aos 35 anos. “O que acontece é que alguns cidadãos pedem adiamento do serviço militar obrigatório, com a justificação de que estão inscritos na universidade e querem concluir a sua formação. As FA permitem o adiamento, mas quando conclui os seus estudos não se apresentam para regularizar a sua situação”, explica este responsável, que aproveita para esclarecer que adiamento não significa dispensa.

O Comandante da 1ª Região Militar admite que decidiram chamar estes jovens porque perceberam que estavam a utilizar este expediente para fugir da tropa. “Percebemos que muitos destes jovens, quando são chamados, vão inscrever nas universidades, mas sequer chegam a apresentar-se para as aulas, o que nos levou a concluir que estavam a utilizar este subterfúgio para não cumprir o serviço militar obrigatório. O mais grave é que, depois, não se apresentaram para dizer que concluíram o curso ou desistiram”, reforça.

Segundo José Rui Neves, falta informação, mas estes jovens também nunca procuraram saber como deviam proceder para evitar constrangimentos. “Deviam ir à fonte, no caso às Forças Armadas, para saber o que deviam fazer. As pessoas precisam saber que, ao solicitar objecção de consciência, por exemplo, têm de apresentar justificativo. Igualmente, ao pedirem adiamento ou dispensa da tropa, têm de fundamentar”,conclui.

Constânça de Pina

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30 COMENTÁRIOS

  1. Como podem assim justificar se a 1ª e a 2ª chamada não coincidem com o inicio do ano letivo.
    Como esperar que com a chamada para o cumprimento do serviço Militar, alguém tenha tempo e ainda mais de 15 mil escudos ou mais 20 mil escudos, para tirar os papeis necessários a matricula e matricular, apenas para tirar uma declaração de 300 ou 500 escudos para justificar a sua “indisponibilidade” em cumprir o serviço militar obrigatório. Não concordo com a justificativa. É possível que haja outra justificativa.

  2. Bom um cria so fase forsas armadas um pergunta ?
    Quando um jovem de 26 ou 27 anos e obrigado a presenta na morro branco tendo familia mulher filhos pequenos
    renda a pagar
    filhos a sustentar
    escola ect ect
    queria so saber quem que ira sustentar essa familia se o seu chefe familiar esta a ser obrigado a trabalhar para o governo de borla .
    so gostaria de saber essa resposta .
    obrigado

    • sbo pidi adiamento pa alguma razão bo deve ter em conta kma bo ka foi dispensado… logo bo mesmo tem de ter cuidado pa constitui familia nem outros tipos de ligações enquanto bo ka esclarece bo situação ma FA. Ou seja, bo ka pode dze kma bo ka sabia… dever de um cidadão eh conche ses deveres e direitos… Neste caso bo ka tinha direito a constitui nada ki ta impediu bai tropa (ate bu ser realmente dispensado). Si nu djobi esse questão de forma prático, e não romantico, nu ta odja ma FA sta certo… Ta kabeba ao cidadão respeitaba lei… até 35 anos, si bu sta apto, bu eh di sês! The Lord Bless!

      • Bo ke ti te fala nada drêd.bô vida ê konstruid ne esse idade li.reflecti antes de fala.bô ê favor dess barbaridade li? F.A de C.V ke te dób nada após bô kumpri.representa pátria, sem mutiv pa alguns jovens,depôs bêm fka ke taxa de desemprego elevado num país ê k’ ti te luta pe baixa taxa de desemprego.pensá….

  3. Não sou contra ,pois eu ja serve a pátria mas jovem chefe de familha com filho e todo ,para ir recrutar nao é justo sabendo que quando ele se recrutar ninguem vai trabalhar pra sua familia e tanbem tenho sertesa que o estado naõ vai ajudar a sua familia.

  4. Bom eu aconselharia o seguinte: estas pessoas tiveram fé no sistema pela primeira vez e funcionou, tiveram o adiamento solicitado porque havia razões para tal, presumo eu. Que apresentem novamente, reúnam tudo o que puderem para justificar a necessidade de serem dispensados (situação familiar etc) e compareçam no Morro Branco. Todos nós sabemos que assim como há muitos que realmente têm a família as suas Costas e/ou outras responsabilidades, há muitos outros que simplesmente baldaram-se. Boa sorte para a rapaziada com família para cuidar e com contratos de trabalho e os que ainda estão a estudar, e os restantes…epah Morro Branco é uma grande escola de vida

  5. Isto é uma tremenda injustiça. Como que líderes de família vão abandonar famílias, etc para ir brincar em Morro Branco de “sentar”, “levantar”, “pó chinelo” etc. Fazem uma pesquisa e saberão quantos filhos de oficiais cumpriram serviços militares. Querem filhos de pobres para … pronto falei

  6. Ja fui militar mas acho que é uma das piores ideias que ja houve perante o governo e pelas Forças Armadas deCV…
    Ha primeira posso dizer que nenhum adulto de 26 ou 27 vai (respeitar) um Adolescente de 18 ou 19 como praça velha vai haver muitos conflitos
    Sem falar desses Adultos chefes de familia…

  7. Meus senhores,
    Á meu ver, Cabo Verde já está na idade de parar com joguinhos de “sou eu quem manda é desmanda aqui”. O cumprimento deve passar a ser recíproco. Não deveria estar na constituição do país, uma lei como esta em questão, se muitas obrigações em prol dos jovens são ignorados e acabam arquivados em estantes empoeirados sem dia para serem cumpridas. Chances para todos igualmente. Além disso seria uma excelente decisão dar para todos que vão “servir a pátria”, a garantia de qualificações no seio das FACV, durante esse período para que possam ser bem encaminhados e terem um bom enquadramento nas demandas de uma sociedade organizada! Acho que todo o caboverdiono deve olhar para o próximo e só dessa forma obter-se-á benefícios comuns! Uma observação aqui para os que perderam a noção do mundo actual onde sobrevivemos: cabo verde não tem essa nessecidade de obrigar jovens a cumprir os serviços militares visto que somos um país pequeno e passífico. Ora, caso algum país com interesses quisesse fazer mal ao arquipélago, não seria menos de 1000 de soldados com alguma experiência, que iriam fazer face ao avanço tecnológico em armamento de guerra dos potentes que nos rodeiam. Não há descrição quando o intuito é de lutar e vencer, visando o bem e o sucesso da pátria mas, é imperativo que esta inquietude seja bem analisada para que não desencadeie males irreversíveis na vida dos jovens, nas famílias ou ainda, no geral da sociedade nomeadamente todos os bons vínculos já existentes. Obrigado senhores

  8. Cabo Verde sempre “pra-frentex” a preparar as tropas para a terceira guerra mundial. Sinceramente. Qual a vantagem prática que CV terá com essa medida? Diminuir o desemprego? Será esse motivo? Se sim porque não dispensar os que estão trabalhando ou estudando. Enfim…

  9. kenha k tene familia ou outros responsabilidade epa apresenta justificativa,quenha que sta disponivel é so pa fase favor de apresenta. Ami nka ta atxa ma bai tropa me sirve governo pmd td naçao tem k ta tem tropa

  10. Não se compreende que não se faça uma reforma séria das Forças Armadas.
    O que temos actualmente são umas forças onde o estado precisa de jovens para fazerem de porteiros em instituições públicas,que deveriam ser controlados pela polícia.
    Não havendo dinheiro para pagar a polícias é mais fácil por filho de cada um fazendo esse serviço.
    Às nossas Forças Armadas, devem ser na sua essência, uma força útil ao país,voltada para controlo do território nacional ( o nosso mar).
    Formado por jovens,a quem o estado deve conceder formação académica útil ao país.
    Com bolsas de estudo.

    Essas formações seriam feitas de um modo geral no país.
    Pilotos naval,eng.de máquinas,electrotécnicos, motoristas navais, marinheiros, enfermeiros,etc,etc.
    Esses jovens estudariam em regime militar e serviriam o país em regime de contrato.
    Acabávamos com essa descabida 2 incorporações por ano, que nada de bom trazem- um jovem confidenciou- me que depois da recruta,passam o tempo sem nada de útil.
    Temos que ser nós a construir esse país com reformas de facto.
    Adaptadas a nossa realidade.
    Como está não pode continuar.
    Já é tempo de umas Forças Armadas que serviam o país e não um gastar de dinheiro,sem finalidade.
    Precisamos de um ministro de defesa que saia do grupo de oficiais que vem da academia,capaz de promover uma reforma de facto.
    Como está não pode continuar.

  11. Adiamento nao quer dizer que ja estao dispensados do servico militar, una coisa que precisam fazer é irem se aprisentar-se no centro de intrucao de murro branco, depois de se apresentarem ali os que tem suas responsabilidade seram dispensados.
    Quem me dera voltar a servir a minha patria

  12. N’a cabo verde di nos,alvez es ta faze cusas sem refliche como deve ser ,et sem pensa na consiquencias ki ta Bem depos 🤔🤔🤔🤔

  13. Como e possível deixarem o jovem passar esses anos sem cumprir serviço obrigatório depois ter família ter a vida constituída e alistada para cumprir o serviço obrigatório que esta na constituição da República meus senhores fiz serviço obrigatório 1978 em tarrafal no centro tarrafal que foi serviços pressional da colônia a nossa alimentação foi o arroz e feijão que foi armazenado para presos políticos e bicho maus tratos pelos instrutores foram formados na es República Uniao Soviética imagem o que passamos com regime do unico partido no poder alguns ficaram com sequela desse tempo difícil alguem devia fazer reparos a todos esses indivíduos

  14. Bom! A decisão é um pouco contraditório mas acho uma ideia mais ou menos! Primeiro em se um fosse chamado eu iria. Porque de todas as coisas que eu deveria ter feito ma minha vida uma delas era servir a minha Pátria não pelo facto de estar ou não prestando serviço para o estado ou para instituições mas para a minha experiência própria! Eu me sinto elogiado quando alguém me diz que eu fui um grande militar, mas pena eu não fui porque estava a estudar na altura e não fui servir a minha pátria, imagina se eu tivesse servido, como eu iria me sentir, a satisfação era de dever cumprido. Eu queria ter servido ir para o centro de instituições, e fazer o juramento da Bandeira! Eu me sentiria orgulhoso de ser chamado de militar. Mas! Agora tenho mulher filhos casa. Mas se eu fosse chamado ainda eu irei…

  15. nka atxa nd mal sobre isso mi é um d kes jovens ki kre sirvi nox Patria nten nha trabadjo nha fidjo nsa disposto ha bai morro branco sem medo mas ku txeu vontade de prendi mas …..

  16. No cômputo geral, eu subscreveria o comentário do Emanuel Delgado. É preciso repensar as forças armadas, questionando a obrigatoriedade do serviço militar. Creio que já é tempo de questionarmos a submissão das pessoas a uma espécie de escravatura exercida pelo Estado. Já é tempo de limitarmos o poder do Estado sobre o cidadão, porque nada parece justificar um poder tão excessivo sobre as pessoas.

  17. Ao em vez de se reduzirem o numero de militares existente, sem nenhuma estrategia para servir a patria, considerando a nossa realidade, veem aumentar mais as despesas do Estado enquanto temos milhares de pessoas nestas ilhas com panelas emborcadas por falta de recursos. Espero que apareça alguem de bom senso para analizar esta problematica porque Cabo Verde nao esta e Deus nos livre de chegar a esse ponto de recrutar cidadaos para prestar serviço militar nessas idades. Idade em que o projeto de vida começa a ser trassado. Isto so è aceitavel em casos estremos. A nao ser que estejam a preparar alguma confusao em segredo. Por favor nao atrazem mais o percurso dos jovens destas ilhas sedentes de emprego e sejamos realistas. Cabo Verde è um pais de excelencia. Devemos ter militares sim porque somos uma Patria. Mas tambem devemos ver para os recursos que nao temos e chegar a uma conclusao que, de facto, sirva o pais e evite revoltas no seio dos nossos pacivos jovens. Nao è justo virem generalizar medidas desta natureza para cobrir eventuais erros administrativos. Espero ter dado o meu contributo a bem da naçao cabo-verdiana.

  18. FA sa ta bem da nhas fidxos cumida?
    Kel mil escudo kes ta da ta dxiga pa alimenta nhas 2 fidxos?
    Mi n ta sirbe Pátria pagando imposto

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