3º aniversário da ALAIM: Gestores surpresos com percurso e sucesso desta academia

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A Academia Livre de Artes Integradas do Mindelo (ALAIM) completa no dia 22 de Janeiro três anos de apostas sobretudo na formação e no desenvolvimento artístico e criativo. A ALAIM trabalha maioritariamente com crianças e empenha-se no combate à banalização da arte. Como já é tradição, o seu aniversário é celebrado com um OVER12 de cultura: 12 horas ininterruptas de actividades e demonstrações artísticas, das 15h do dia 21 até às 3h da manhã do dia seguinte.

A coordenadora da academia, Janaína Alves, diz-se surpreendida com os resultados do trabalho feito ao longo desses três anos, o que lhe dá uma sensação de dever cumprido. “O espaço não foi concebido com a pretensão de chegar onde chegou. Era para ser um espaço dinâmico e criativo de formação artística informal, mas hoje já é uma marca internacional. Aonde quer que a gente vá as pessoas têm referências deste espaço, da pedagogia e dos métodos utilizados aqui. Ultrapassamos todas as expectativas e estamos muito orgulhosos”, confessa.

Após ultrapassar os desafios dos dois primeiros anos, explica Janaína, esta é a fase de “curtir” os projectos, com a tranquilidade de ter todas as pendências resolvidas. “Foi um djunta-mon muito grande. Tivemos muitos apoios e, apesar das dificuldades dos primeiros anos, conseguimos superar a fase difícil. Agora estamos no momento de curtir o lugar.

A ALAIM tem trabalhado essencialmente com crianças e apostado na formação artística como uma forma também de ajudar no desenvolvimento pessoal, de acordo com a coordenadora. O propósito é fazer com que as pessoas percebam a importância da arte, uma meta que tem sido alcançada. E percebe-se pelas oficinas cheias e pela própria interacção com o público.

Mas não vamos ver o resultado amanhã, só daqui a uns 20 anos, quando os miúdos que saíram daqui se tornarem grandes profissionais. Não precisa ser um artista ou um bailarino. Pode ser o administrador de uma empresa por exemplo, mas este terá a noção de que sem arte nada disso funciona. A arte é o que reforça os laços entre as pessoas. Precisamos de uma base forte para conseguir alcançar um sonho maior”, reforça.

Para este ano, Janaína quer trazer para a ALAIM as crianças das comunidades de São Pedro, Salamansa e Ribeira de Calhau, no âmbito do projecto BA Cultura, do Ministério da Cultura e Indústrias Criativas. “Esse projecto é a menina dos meus olhos”, pontua.

Como já é hábito, 12h ininterruptas de arte e cultura marcam mais um aniversário desta academia. “OVER12” foi feito pela primeira vez na abertura da ALAIM e acabou virando tradição. “Queríamos fazer algo que misturasse tudo, então tivemos a ideia da virada cultural. São 12h de actividades sem parar, das 15h do dia 21 até as 3h da manhã do dia 22, com um cardápio de demonstrações artísticas de áreas diferentes. É a forma de mostrar as pessoas o que estamos fazendo aqui, de receber indivíduos que são importantes para a ALAIM ou que já queríamos ter aqui há muito tempo. O OVER12 faz com que isto aconteça”, explica.

As actividades, segundo a entrevistada, começam com a Batucada do Mindelo, que já é uma tradição e que dá as boas-vindas ao próximo grande evento da cidade, que é o Carnaval. Segue a cerimónia dos discursos, momento para se abrir o microfone às pessoas que são importantes e que fazem a ALAIM acontecer. Sublinho o caso da seguradora IMPAR que acreditou no projecto desde a primeira hora e que cedeu este espaço sem cobrar nada. Depois temos uma cerimónia em que os alunos recebem um azulejo onde fazem uma pintura que depois é exposta num dos nossos murais.

Tete Alhinho é o destaque do OVER12 deste ano, com foco no seu mais recente lançamento, “Mornas ao Piano”. Será acompanhada pelo jovem pianista Khaly. Da programação consta ainda a artista mindelense Gilda Barros, com pintura mural, espectáculo de circo com Pika Pau e uma apresentação geral das oficinas da ALAIM. Ainda com o pianista Khaly será apresentado, à moda antiga, o filme mudo “Tempos Modernos, de Charles Chaplin” com a sua musicalização ao piano e ao vivo. “É um leque para se ter mesmo um over12 de cultura e começar o ano em grande”, assegura Janaína.

Para a entrada no OVER12 foi definido um valor mínimo de contribuição, além de um presente para a academia para ajudar na manutenção desse espaço que, como explica a coordenadora, vive praticamente de doações. A única excepção é o concerto da Tete Alhinho, que tem um preço fixo e espaços limitados.

Natalina Andrade (Estagiária)

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