AFSV apoia Mindelense: “Ultramarina passou aos cabo-verdianos certificado de mediocridade”

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A AFSV decidiu quebrar o silêncio sobre a crise instalada no campeonato nacional para manifestar o seu apoio ao Mindelense. Para João Pires, a Ultramarina passou um certificado de mediocridade aos cabo-verdianos ao tentar mostrar que nada tem a ver com o misterioso sumiço das chaves e aposta que não haverá campeão de Cabo Verde esta temporada. Pires resolveu abrir o verbo a escassas horas de uma reunião com os clubes de S. Vicente para determinar o posionamento da AFSV na assembleia-geral extraordinária da FCF no próximo Sábado.  

A Associação de Futebol de S. Vicente quebrou hoje o silêncio para manifestar o seu apoio incondicional à equipa do Mindelense na sequência da crise instalada na fase final do campeonato nacional. Segundo João “Djony” Pires, a direcção da AFSV decidiu manter-se calma e serena durante o desenrolar desse polémico processo, mas nunca deixou de apoiar os “leões vermelhos” por discordar da forma como todo esse imbróglio foi criado e gerido pela Federação Cabo-verdiana de Futebol.

“Temos mantido a serenidade que uma situação destas nos impõe e tendo em conta que o caso tem estado a ser analisado por outras entidades competentes ligadas ao futebol. É certo, no entanto, que ficamos estupefactos com a forma como as questões disciplinares têm sido tratadas, muito em particular com o famigerado jogo da primeira mão, que não aconteceu por causa do sumiço das chaves do estádio Orlando Rodrigues”, frisa Pires, que se mostra ciente de que o responsável por esse estranho incidente é o clube Ultramarina. Isto por uma razão simples: “a equipa da ‘casa’ é que organiza o jogo”, afirma.

Logo, segundo Pires, a direcção dos “ultras” passou um certificado de mediocridade a todo os cabo-verdianos quando tentou mostrar que nada tinha a ver com o cancelamento do jogo, por causa do encerramento do estádio. “A Ultramarina sabe que a responsabilidade é dela. Agora pergunto por que não foi levantada a preocupação com as chaves nas outras partidas? Por que só nesse dia com o Mindelense?”, questiona o responsável da comissão de gestão da AFSV, enfatizando que é a equipa da casa que se responsabiliza pelo campo, a segurança policial, a presença da Cruz Vermelha e de apanha bolas.

Como faz lembrar esse dirigente desportivo, nenhum clube ou associação é dono de estádios de futebol em Cabo Verde. Por esse motivo há sempre pedidos de cedência de campo às Câmaras Municipais, um procedimento habitual há anos a fio em todo o país. Aliás, João Pires diz que gostaria de saber por que razão as chaves voltaram a aparecer no Domingo, dia 13, e quem é que solicitou disponibilidade do relvado à Câmara do Tarrafal de S. Nicolau. Como alega, os comunicados trocados entre a FCF e as associações são do conhecimento de todos, mas que desconhece essa informação.

Impugnação do campeonato

O Mindelense, na opinião de João Pires, tem matéria suficiente para sustentar um processo jurídico de impugnação do campeonato de Cabo Verde. A seu ver, a FCF cometeu deslises graves, um deles foi ter permitido a disputa do jogo da segunda mão antes de o da primeira. Outro erro, segundo esse professor, foi enviar a equipa do Mindelense para S. Nicolau por partes.

Mas há outras questões no ar que Pires consideram dignas de realce. “Por exemplo, há equipas que emitem comunicados de que não vão jogar, depois aparecem na imprensa a dizer o contrário. Em quê acreditar: no documento lavrado ou na comunicação social?”, salienta Pires, que se mostra totalmente solidário com os campeões de S. Vicente. É que, a seu ver, os encarnados de S. Vicente não podem pagar por erros cometidos por outros intervenientes. Quanto mais ser ameaçado de despromoção, caso não cumprir directivas da FCF.

“Sou contra a atitude da FCF de intimidar as equipas com a despromoção ou qualquer outro tipo de penalização. Ora, se o Mindelense for despromovido á segunda divisão, gostaria de saber qual ‘segunda divisão’ é que a FCF se refere: a do campeonato de S. Vicente? Poderíamos, por exemplo, usar a artimanha de não realizar esse campeonato. E caso fosse a Ultramarina a prevaricar, seria despromovida para qual campeonato se não há segunda divisão em S. Nicolau? A não ser que seja a segunda divisão do campeonato de Cabo Verde, mas ela também não existe”, ironiza. Ele que considera muito pouco provável ser apurado o campeão de Cabo Verde nesta temporada.

Kim-Zé Brito

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