Aguardente ê “venen”!

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Por Nelson Faria

In Expresso das Ilhas:

“Grogue: Há utilização de lixívias na produção, avisa IGAE. Alambiques ilegais, utilização de lixívia, produção de aguardente usando açúcares e falta de condições sanitárias de produção podem colocar em causa a saúde pública e o estabelecimento do grogue como um produto exportável e de divulgação do nome do país. Mais de metade da produção não pode usar a designação grogue, diz a IGAE.”

O problema das leis, normas, regras e procedimentos já não se põe, nem da existência da Fiscalização, tanto é que é a própria a identificar o problema e a sua gravidade. Então qual o problema? São vários… e suas consequências.

A fiscalização, embora afirmativa, ainda é incipiente e limitada de meios para a competente execução da sua missão. As leis existentes, não obstante a coerência e a determinação num primeiro momento, foram regredidas para facilitar as práticas existentes de alguns ditos “produtores de grogue”. Produtores de aguardente, isto sim. Grogue é com cana-de-açúcar e aguardente é feita de porcarias nocivas à saúde, entre as quais a lixívia. Veneno puro.

O problema cultural também existe e é real, quer na produção – onde a qualidade do produto não é o foco de muitos – quer no consumidor final, que apenas interessa-se por beber mais um copo. Se for do mais barato melhor, não importando a qualidade.

A quantidade e o “rai” são os determinantes de consumo. E quem consome abusivamente não tem limites também nas desculpas utilizadas: “Compô cabeça; Curá dor d’barriga, dor na dent, sentá mon, abri apetite, faze digestão”, etc etc… Qualidade e certificação devem ser colocadas como os principais desafios sobre a bebida alcoólica mais consumida no país.

Das consequências, a evidência está em tudo, mas destaca-se, sobretudo, na saúde dos consumidores, ou na falta dele. Sem contar com todos os impactos e custos que acarreta para as instituições ligadas ao sector, onde pagamos todos, no desgaste familiar, na condição financeira, na convivência familiar, na violência verbal e física que grassa, muitas vezes, na sequência do consumo.

É preocupante saber que o grogue, melhor, aguardente, é um problema de saúde pública e continua a ter a liberdade de ser produzida, distribuída e consumida como se não existissem autoridades no país. A constatação é óbvia, e acções? É um problema que já causa transtornos no futuro, pela grande quantidade de jovens consumidores, cada vez mais novos, de “veneno”, se me é permitido tal expressão.

Em tempo que é feito campanhas promocionais contra o consumo abusivo do álcool, o que é paradoxal as muitas festas e festivais que os promovem, muito se poderia fazer tomando medidas assertivas para, pelo menos, reduzir a produção, distribuição e consumo de “veneno”. Sugestão: que se corrijam e se apliquem as leis como pensadas para a garantia de um produto de qualidade que deveras valorize a imagem o país em vez de destrui-la, que a fiscalização seja apetrechada dos meios necessários para fazer cumprir a lei e, acima de tudo, se aposte na educação do consumidor jovem para debelar o problema cultural existente.

Em tempo de festas e festivais largod e regod, apelo ao consumo moderado, preferencialmente verificando a qualidade do que se consome. Afinal todos temos família e, se calhar, é das mais desgastadas com o “veneno” que é consumido.

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1 COMENTÁRIO

  1. Vamos apostar numa juventude saudável e moralmente equilibrada!
    Precisamos realmente pensar mais nos nossos jovens e refutar o que seja nocivo para a saúde!
    Bela apreciação, meus parabéns caro Nelson Faria!
    Apostar numa melhor qualidade de vida é investir fortemente na nossa sociedade!
    Precisamos investir fortemente na forma de pensar e de agir e o resto vem com a mudança!

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