Exposição Akuaba: Carlos Morbey queixa-se de falta de espaço para manter mostra permanente em São Vicente

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O colecionador Carlos Morbey, promotor da exposição “Akuaba” patente no Palácio do Povo em São Vicente, apela a intervenção da Câmara Municipal, no sentido de manter ou ceder um outro espaço para que esta fique a deleite do povo desta ilha. Esta mostra artística, que é o espelho da sua paixão por pintura e outras formas de artes visuais, reúne memórias e expressões da história de Cabo Verde e do continente africano. É uma homenagem aos artistas, mas também uma amostra da arte que se produz no continente.

Há vários meses que esta exposição de arte variada está patente no Palácio do Povo, sustentado em um protocolo entre o promotor e a Câmara Municipal. Mas Carlos Morbey está preocupado porque o protocolo pode ou não ser renovado. “Neste momento estou com o coração na mão porque o protocolo pode ou não ser renovado. Espero que a Câmara dê uma colaboração, porque sozinho não tenho condições para alugar um sítio para expôr todas as obras. Embora estou grato pela cedência do espaço”, desabafa o colecionador.

O expositor garante que as peças pertencem a Cabo Verde, sendo ele apenas o seu “guardião”. A prova disso é que ambiciona criar, no futuro, uma fundação para que nenhum dos artefactos possa ser vendido. Ou seja, que estes continuem como património do país. “Já estive mais longe do meu sonho, a Câmara Municipal de São Vicente poderia aproveitar o meu querer e força de vontade para criarmos algo grande para Cabo Verde. Cada um tem o seu destino e sinto que este é o meu”, frisa Silva.

Esta exposição, que inclui peças de 10 países diferentes, visa valorizar os descendentes e a veia africana dos cabo-verdianos. “A África não é só aquilo ou o que se deixa transparecer. Existe arte e artes com memórias, expressões e culturas intrincadas nelas”. Lamenta por isso que os maiores visitantes sejam estrangeiros. Mas não condena os cabo-verdianos porque, afirma, conhece a realidade e sabe que não houve uma educação que estimulasse a cultura pelas artes. “Nós os cabo-verdianos não temos o costume de visitar museus e nem condições económicas para isso. Priorizamos outras coisas em detrimento da cultura.”

É que, diz Morbey, a exposição é gratuita à escolas como oportunidade de apostar numa educação pelas artes. Futuramente, caso mostrarem interesse em melhor conhecer as peças, estas podem ser estudadas como tantas outras que aparecem em livros. Mas o seu sonho maior é ajudar na educação pelas artes, uma área ainda desconhecida no país.

Os artefactos expostos foram adquiridos durante anos. Segundo Morbey, há mais de 20 anos que coleciona peças de arte. Esta paixão levou-o para diversos países e a visitar aldeias e palácios para negociar produtos que apreciava. Conta que no início trazê-los a Cabo Verde era difícil, mas com o tempo passou a ser conhecido e ficou mais fácil. “Perceberam que era a cultura dos seus países a serem expostas ainda mais por Cabo Verde ser até hoje um ponto estratégico,” diz o proprietário da Akuaba.

A sua primeira exposição foi no MEA, após uma parceria que o levou a tirar todas as suas peças, pela primeira vez, do armazém e das respectivas caixas. Mas a mostra Akuaba foi uma oportunidade de apresentar também trabalhos de artistas cabo-verdianos. Caso encontrar um lugar para manter a amostra em permanência, Carlos Morbey promete mais surpresas. Por agora, garante que já recebeu convites para levar esta exposição para a cidade da Praia, mas afirma que o seu “umbigo” está em São Vicente.

Rísia Lopes (estagiária)

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1 COMENTÁRIO

  1. Vamos apoiar o pedido do Carlos Morbey!, O pedido tem apoio legal.
    É da competência dos Municípios , Lei nº134/IV/95,alínea b) artº36º; a construção de museus e outros centros de cultura; alínea j) do mesmo artigo – conceder incentivos especiais para investimentos na área da cultura que é o caso. Essa exposição permanente é importante para São Vicente. É um espaço de cultura, de lazer, de reflexão, de aprendizagem e um ponto de interesse turístico que promove a economia da Cidade. O valor cultural e comercial dos quadros é muito elevado. Tudo isso está a ser-nos oferecido de graça pelo senhor Carlos Morbey, e a Câmara só tem que disponibilizar um espaço. O dono bem podia desfazer-se dos quadros, levá-los para um outro Município mas, não. Ele tem amor aos quadros, tem amor a Cidade, quer que fiquem aqui, pelo que é de o interesse da Câmara renovar o protocolo. É uma sorte ter munícipes como o senhor Carlos Morbey que nos engradecem com esse seu contributo de excelência.

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