Ânimos exaltados nos Correios em S. Vicente por falta de dinheiro

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Os ânimos dos clientes que lotavam as três agências dos Correios de Cabo Verde em São Vicente – centro da cidade, Monte Sossego e Ribeira Bote – estavam exaltados na manhã desta sexta-feira devido a escassez de dinheiro. Alguns utentes, que estavam desde as oito horas da manhã na fila, regressaram às suas casas de mãos vazias, isto é, sem poder levantar as transferências. Fontes da empresa justificam esta situação com a demora no levantamento de dinheiro na Caixa Económica.

“Não é aceitável estarmos desde das 8 horas da manhã nos Correios à espera para levantar um dinheiro que nos pertence, sem sucesso. No meu caso, estou com a minha mãe doente no hospital. Viemos de Santo Antão e fui levantar dinheiro, mas foi impossível. Tive de regressar de mãos vazias. E hoje é sexta-feira, pelo que só vou poder levantar o dinheiro na segunda-feira”, lamenta uma das utentes ouvidas por Mindelinsite.

Outros mais “teimosos” resolveram permanecer na fila e foram recompensados. Por volta das 12 horas o dinheiro começou a ser distribuído, conforme conseguimos apurar na sede dos Correios no centro da cidade. Um funcionário foi imediatamente destacado para levar dinheiro às agências dos Correios em Monte Sossego e Ribeira Bote.

Fonte da empresa explica que esta situação acontece porque, nesta altura, a demanda é elevada. “Houve atraso porque Praia ainda não tinha feito o depósito. A situação complicou ainda mais porque o depósito foi feito na nossa conta na Caixa e lá somos obrigados a retirar o dinheiro como qualquer outro cliente. Ou seja, temos de obter a senha e aguardar a nossa vez na fila”, revela esta nossa fonte dos Correios, para quem, tendo em conta a especificidade do serviço prestado, a empresa deveria ter um tratamento diferenciado.

Para driblar a fila de espera, prossegue, os Correios têm optado por enviar para a Caixa uma funcionária que está grávida. “As grávidas têm atendimento prioritário por isso ela consegue minimizar o tempo de espera. No entanto, essa não é a sua função”, acrescenta a fonte, que destaca o procedimento do BCA, que facilita os levantamentos dos CCV. “Já tentamos falar com a Caixa para ver se encontramos uma forma de melhorar o relacionamento, mas sem sucesso”, lamenta.

Constânça de Pina

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3 COMENTÁRIOS

  1. Os Correios, se não conseguem que a Caixa compreenda que têm que os tratar de forma diferenciada, se não conseguem se livrar da Caixa, pelo menos serão uma empresa que não discrimina as grávidas. Pelo contrário, vão sempre querer ter uma grávida na sua folha, para ter prioridade na bicha na Caixa. Uma oportunidade de emprego para as grávidas. Coisas desse nosso Cabo Verde!

  2. CORREIOS: Uma empresa nacional com a dimensão que conhecemos e que exerce funções servindo uma população altamente necessitada dos serviços postais e dos recursos que são movimentados através dos balcões da empresa, deveria ser capaz de não estar na dependência da CAIXA, do BCA ou de qualquer outro Banco para exercer as suas funções na plenitude. Será que no seio do quadro de Pessoal da Empresa, em São Vicente, não se encontra um funcionário idóneo, competente e experiente a quem a Administração pode – e deveria ter como essencial, confiar a missão de gerir uma Tesouraria com um fundo de maneio ao nível das necessidades diárias de dinheiro para garantir os pagamentos devidos aos beneficiários das operações decorrentes de transferências internacionais já movimentadas e registadas a crédito da conta dos Correios? Se a Empresa não é capaz, o que tem a fazer é mandatar uma Agencia privada para executar esse serviço. Todos ficariam a ganhar e acredito que os beneficiários ficariam servidos na hora e mais satisfeitos mesmo que uma pequena comissão lhes fosse deduzida no valor a receber.

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