António Tavares – “O Centro Cultural do Mindelo deve ter os seus olhos no mundo”

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O Centro Cultural do Mindelo (CCM) reabriu as portas com uma nova imagem e um novo conceito. Para o Director Artístico do Centro, António Tavares, esta mudança representa uma nova filosofia e um olhar diferente daquilo que se pretende para o espaço. A nova imagem aposta no formato das três portas que representam três existências: o passado, o presente e o futuro, que procuram abraçar a dimensão familiar centrando-se nas crianças, jovens e seniores, tendo por base a música, a dança e o teatro. Enfim, resultado de um projecto de investigação, pesquisa e estudo que levou cerca de 10 anos a ser preparado.

Abordar a cultura na sua dimensão global e não apenas referente a quatro paredes de um edifício. Para António Tavares, é importante ter o Centro Cultural do Mindelo com os olhos no mundo e em diálogo permanente com a sociedade. Dai que o novo espaço terá um processo de instalação de três anos, segundo o director artístico. Nos dois anos seguintes terá que deixar marcas na cidade e em cinco ser uma referência.

O antigo edifício da Alfândega Velha do Mindelo tem valências únicas que permitem imprimir uma nova dinâmica à cidade, além de carregar nas suas paredes histórias de um passado da ilha. A intenção é recuperar estas memórias e repassá-las como referências às novas gerações. Estruturado de forma tripartida, o novo CCM apresenta numa primeira linha um Laboratório de Ensaio, enquanto área de pesquisas e investigação da história da baía do Porto Grande, o Café Morgin Concert – como espaço de memória – e o Grande Auditório com a instalação de uma Universidade Uni-Buldonhe para Seniores de partilha de conhecimentos.

Usar as artes como peça-alavanca para a inscrição cultural nas gerações é o grande desafio. “O CCM vai ser um espaço de audácia para rasgar e imprimir uma nova visão cultural na ilha. Foi desta forma que o novo logo procura fazer esta simbiose entre as três dimensões temporais – o passado, presente e futuro -, abarcando esta dimensão contemporânea, mas ao mesmo tempo que simples e minimalista, de modo a provocar o surgimento de um novo olhar, perspicaz e fortificadora da história destas 10 ilhas do Atlântico.” “A inscrição tem nomes e pessoas. Só o conseguimos fazer se as famílias levarem os seus filhos ao teatro e a outras actividades musicais”, aponta Tavares.

No entender de António Tavares, a cultura deve ser sempre um acto de audácia. Esta tese de pensamento é justificada pelo facto de sermos um país oral, em que a sua dimensão sociológica e cultural é pouco explorada, mas que é crucial ser estudada e documentada como um património único no mundo. Pois não há latitudes no mundo que apresentam as mesmas características de Cabo Verde. Um país insular, mas com uma riqueza e diversidade cultural imensurável.

Um dos objectivos passa por criar nas pessoas a habituação de frequentar o Centro sem terem que ver o cartaz. “Tivemos a preocupação de seguir a dinâmica do Centro para cumprir no essencial. Não menosprezando a sua capacidade e nem tão pouco a sua dinâmica anterior, mas sim compreender este processo para projectar a nova visão. Vai ser um Centro dedicado às pessoas”, como diz o coreógrafo e bailarino.

Quanto à nova programação esta vai-se desenrolar em ciclos – música, dança e teatro – subdivididos em três partes. Ou seja, a cada três meses haverá novidades. Assim, para o mês de Março o foco é nas palavras, formas e som. No mês de Abril é destacado o corpo e o pensamento.

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