Aspectos médicos ligados ao desporto veterano tema de workshop com especialista Humberto Évora

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Os aspectos médicos ligados ao desporto veterano serão debatidos num workshop que Humberto Évora, especialista em medicina-desportiva, irá realizar em S. Vicente na próxima terça-feira. Organizada pelo Canal Futebol Clube, a formação destina-se a treinadores, dirigentes e desportistas no activo e, segundo o médico cabo-verdiano, os participantes ficarão a par dos riscos próprios da prática desportiva na faixa etária dos veteranos.

“Pelo que soube, tem aumentado o número de pessoas que praticam o desporto na chamada fase dos veteranos, o que é muito bom, mas é preciso algum cuidado porque há factores de risco associados. Normalmente, os veteranos são ex-atletas que já trazem as suas mazelas do tempo em que jogavam com mais frequência e intensidade, como problemas nos músculos e nos tendões e ainda ligados ao aparelho cardiovascular. Ora, há o desporto de lazer e o competitivo, mas sabemos que há veteranos que continuam a participar em competições, pelo que as exigências são maiores do que aqueles que fazem uma mera caminhada”, realça Humberto Évora.

Como é óbvio, segundo este especialista do Comité Olímpico Cabo-verdiano, a preocupação maior é com os jogadores inscritos nos campeonatos e que se sujeitam a uma carga física intensa nos treinos e nos jogos. Estes, salienta, correm mais riscos de contrair lesões graves, até porque alguns, por terem sido craques na juventude, ainda pensam que têm uma super capacidade física. Só que, lembra esse médico residente em Macau, a idade está sempre associada a uma série de factores de risco como a hipertensão arterial, aumento do nível de açúcar no sangue, artroses, etc.

“É verdade que há mais veteranos no activo ligados ao futebol, tanto assim que o workshop foi suscitado pelo clube Canal, mas temos de olhar da mesma forma para quem pratica outras modalidades porque estamos a falar de esforços físicos em quem já vai na casa dos 40, 50 ou 60 anos de idade”, sublinha Évora, que se mostra, no entanto, mais preocupado com um grupo específico: os chamados atletas de fim-de-semana. Pessoas que costumam jogar aos Sábados e Domingos, mas sem fazer nenhum treino durante a semana. Esse grupo, segundo Évora, é mais propenso a lesões e a sentir problemas cardíacos. Além disso, lembra, a capacidade de recuperação das mazelas é muito menor.

Se os veteranos não souberem dosear a carga física, diz Évora, o mais certo é que vão fadigar o corpo. Isto é muito mais seguro se não souberem fazer um aquecimento adequado. É por esta razão que Humberto Évora decidiu incluir uma aula prática e que irá centrar-se num sistema de aquecimento muscular desenvolvido por especialistas da FIFA. O chamado FIFA 11, diz, é um programa desenhado por investigadores e que está neste momento a ser implementado na Europa e na África. Segundo Évora, está provado que as equipas que fazem esses exercícios pelo menos duas vezes por semana diminuíram grandemente as taxas de lesões nos atletas.

“Os exercícios englobam a parte cardiovascular, as articulações, o fortalecimento do chamado core – os músculos à volta da lombo sagrada -, treinos de equilíbrio e está tudo bem sistematizado”, frisa o nosso entrevistado, para quem Cabo Verde é um país ideal para a implementação do FIFA 11 porque a sua população é geneticamente propensa para o desporto, as crianças e jovens gostam de fazer exercícios físicos e está também dotado de excelentes professores e treinadores.

“E mais: a adopção do sistema em Cabo Verde é ainda mais fundamental porque a medicina desportiva não está no patamar em que devia estar. Há um embrião, mas a sua implementação tem sido um bocado difícil”, chama atenção esse médico, para quem é preciso haver empenho dos clubes, treinadores e do Governo para que a medicina desportiva se torne uma realidade efectiva. Como diz, houve investimentos, nomeadamente na construção de salas e formação de alguns médicos, mas o processo estagnou-se. “Neste momento, a medicina-desportiva, além de ser reduzida, está desactualizada em Cabo Verde”, pontua esse médico residente em Macau, mas que tem estado há vários anos a tentar implementar a medicina-desportiva na sua terra natal.

Kim-Zé Brito

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